top of page
Buscar


O Autismo n’Adulto responde: É possível ser autista e só descobrir na idade adulta?
Sim. É possível. E acontece mais vezes do que poderíamos imaginar. Esta é uma pergunta que já foi muitas vezes feita e respondida. Ainda assim, continua a fazer sentido colocá-la. Talvez porque, para muitas pessoas, a possibilidade de serem autistas só surge quando a vida adulta começa a tornar visíveis algumas dificuldades que, durante muitos anos, foram explicadas de outras formas. Há adultos que chegam ao diagnóstico depois de décadas a pensar que eram apenas demasiado sen

pedrorodrigues
há 6 dias2 min de leitura


O Autismo n' Adulto responde
E se a sua pergunta sobre autismo pudesse encontrar uma resposta? Ainda hoje, demasiadas pessoas autistas chegam à idade adulta com perguntas para as quais nunca encontraram um espaço seguro, acessível e cientificamente informado onde procurar respostas. Perguntas sobre relações, trabalho, universidade, sensibilidade sensorial, comunicação, emoções, diagnóstico, masking, sobrecarga, identidade, rotinas, funções executivas ou simplesmente sobre aquelas situações do quotidiano

pedrorodrigues
31 de ago.2 min de leitura


Porquê inovarmos para a neurodiversidade?
Talvez a verdadeira inovação não consista em criar um mundo novo, mas em aprender a reconhecer de outra forma as pessoas que já fazem parte dele. Não é de agora que a palavra inovação entrou no nosso léxico. Durante muito tempo, associámo-la sobretudo ao desenvolvimento tecnológico, à criação de novos produtos, à inteligência artificial, à automatização ou à capacidade de produzir mais e melhor com menos recursos. Porém, reduzir a inovação à tecnologia será talvez uma das for

pedrorodrigues
29 de ago.8 min de leitura


Quando o diagnóstico ameaça a pessoa que construí de mim
Há pessoas que chegam à idade adulta com uma certeza difícil de explicar: sempre sentiram que havia alguma coisa diferente na forma como habitavam o mundo. Não sabiam necessariamente o que era. Não tinham uma palavra para isso. Não possuíam uma explicação clínica, nem um modelo psicológico que organizasse aquilo que sentiam. Tinham, sobretudo, uma experiência. São pessoas que chegam a esta altura da sua vida com uma pergunta que nunca deixou verdadeiramente de as acompanhar:

pedrorodrigues
20 de ago.9 min de leitura


Am I too black to be autistic?
Some questions should never have to be asked. Yet some questions are born precisely from the impossibility of being adequately seen. Am I too Black to be autistic? is one of them. It is not a biology question. Autism does not become more or less probable according to the colour of someone's skin. It is a question about recognition. About who is allowed to occupy the cultural image of autism. About who is believed when they describe their own experience. About whose difference

pedrorodrigues
17 de ago.20 min de leitura


O último autista
I. A última consulta Quando Ernesto entrou na consulta, já toda a humanidade tinha sido diagnosticada. Era uma manhã vulgar. Na sala de espera havia apenas uma cadeira. Não porque o hospital fosse pequeno. Porque já ninguém esperava. Durante cinquenta anos o mundo fizera da procura de pessoas autistas uma missão colectiva. Não por maldade. Nem sequer por excesso de zelo. Apenas porque existe uma estranha necessidade humana de acreditar que tudo o que causa sofrimento acabará

pedrorodrigues
16 de ago.10 min de leitura


Meio-autismo
Na maior parte das vezes falo sobre meio-autismo. E não sou o único. O que é que eu quero dizer com isto de meio-autismo? Simples. A prevalência de diagnósticos de Perturbação do Espectro do Autismo cifra-se em cerca de 1% da população mundial. Desta percentagem, entre 31% e 50% apresentam uma Dificuldade Intelectual e Desenvolvimental associada. Provavelmente, estamos a falar daquelas pessoas autistas que se enquadram dentro de um nível de suporte 2 e 3. Mas não estamos a fa

pedrorodrigues
13 de ago.8 min de leitura


Conhecimento autístico e conhecimento sobre o autismo: quem tem autoridade para conhecer?
Falar sobre autismo é também falar sobre conhecimento. Quem pode dizer o que é o autismo? Quem tem autoridade para explicar aquilo que uma pessoa autista sente, pensa, deseja ou necessita? Poderá alguém conhecer verdadeiramente uma experiência que nunca viveu? E, inversamente, será que viver uma experiência é suficiente para compreender tudo aquilo que essa experiência significa? Estas perguntas parecem, à primeira vista, pertencer ao domínio da filosofia. Na realidade, têm c

pedrorodrigues
12 de ago.11 min de leitura


Quando o Autismo Encontra a Psicose: Onde Termina um e Começa o Outro?
À medida que a psicose se desenvolvia, comecei a perceber o mundo como algo intensamente significativo, como se conseguisse perceber aquilo que os outros não conseguiam. Os padrões pareciam surgir em todo o lado: as canções alinhavam-se com os meus pensamentos, os números repetiam-se, as coincidências pareciam mensagens. Uma capacidade autista de reconhecer padrões tornou-se uma vulnerabilidade. Se algo acontecesse duas vezes, parecia uma prova, e as conclusões pareciam lógic

pedrorodrigues
11 de ago.10 min de leitura


Quando a ansiedade vive dentro do autismo
“Isso não parece ansiedade.” Talvez seja uma das frases que mais frequentemente uma pessoa autista ouve quando tenta explicar aquilo que sente. Porque, afinal, parece que já sabemos o que é a ansiedade. É o coração acelerado, a preocupação, o medo, o aperto no peito, a antecipação de que alguma coisa pode correr mal. Sabemos reconhecê-la, sabemos nomeá-la e, aparentemente, sabemos até como deve ser sentida. Mas e se aquilo que uma pessoa autista descreve não encaixar exactame

pedrorodrigues
9 de ago.9 min de leitura


O meu interesse precioso
Admitam. Já todos tiveram um interesse especial. Talvez tenha sido um brinquedo que levavam para todo o lado. Uma camisola que queriam vestir vezes sem conta. Dinossauros. Comboios. Futebol. Uma banda. Um videojogo. Uma personagem de uma série. Uma coleção de cromos. A história do Império Romano. Astronomia. Uma pessoa famosa sobre quem sabiam praticamente tudo. Talvez tenham passado semanas a falar do mesmo assunto, a procurar informação, a colecionar objetos ou simplesmente

pedrorodrigues
7 de ago.16 min de leitura


AUTISMO: quando uma palavra já não consegue conter tudo o que colocámos dentro dela
Talvez o problema do autismo contemporâneo não seja simplesmente haver pessoas a mais dentro do espectro. Talvez seja haver coisas a mais dentro da palavra. Durante grande parte da sua história clínica, o “autismo” procurou designar um determinado conjunto de características do neurodesenvolvimento. A definição mudou, evidentemente. Mudaram os critérios, as fronteiras, as teorias explicativas, os instrumentos de avaliação, a epidemiologia e até aquilo que os clínicos aprender

pedrorodrigues
5 de ago.13 min de leitura


A intolerância à incerteza da cabeleira do Cucurella
Quem tem um cabelo como o de Marc Cucurella sabe, provavelmente, que nenhuma manhã começa com garantias: é preciso ver como acordou, desembaraçar, molhar, pentear, prender ou deixar solto, aceitar que a humidade, o vento e o tempo podem ter planos próprios. Há uma rotina, materiais à mão e alguma antecipação para que o resultado seja minimamente previsível. A comparação pode parecer leve, mas ajuda a entrar numa ideia séria: para muitas pessoas autistas, a incerteza do quotid

pedrorodrigues
3 de ago.10 min de leitura


O que eu aprendi sobre a educação inclusiva
"Disseram que fui à escola para aprender. Só muitos anos depois percebi que, enquanto todos observavam aquilo que eu aprendia nos livros, quase ninguém reparava na tese que eu escrevia sobre o mundo." Carlos, 34 anos, pessoa autista não verbal Nasci autista. Esta frase por si só não deveria necessitar de mais nada para ser um ensaio literário, mas as pessoas insistem em que tem de ter mais palavras. Talvez isso tenha a ver com o facto de serem verbais. Não aprenderam com o se

pedrorodrigues
27 de jul.5 min de leitura


Isto não é o da Joana...seja a Marques ou outra/o qualquer
O autismo não é da Mafalda. Não é da Joana. Não é meu. Não é de nenhum profissional, de nenhuma associação ou de nenhuma comunidade. O autismo não é de ninguém. É uma condição do neurodesenvolvimento que acompanha a humanidade e que hoje se estima estar presente em cerca de 78 milhões de pessoas em todo o mundo. Há aproximadamente um século que é estudado, descrito e aprofundado pela investigação científica e pela prática clínica. Ao longo desse tempo, milhares de investigado

pedrorodrigues
25 de jul.5 min de leitura


Cérebros há muitos, formas de compreender o Mundo ainda mais!!
Antes de falarmos sobre doenças neurológicas, importa falar sobre cérebros. Porque a saúde do cérebro não se mede apenas pela ausência de patologia. Mede-se também pela capacidade da sociedade de compreender que existem diferentes formas do cérebro funcionar. No Dia Mundial do Cérebro, celebrado este ano sob o lema "Saúde do Cérebro: Acesso para Todos", somos convidados a refletir sobre um desafio que continua a ser profundamente negligenciado: a iliteracia neurológica. Conti

pedrorodrigues
22 de jul.2 min de leitura


Qual é o pé da igualdade?
Qual é o pé da igualdade? Não é uma pergunta descabida ou sem nexo, quando a mesma parte de um aluno do ensino secundário com um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo e referenciado para as necessidades educativas específicas na sua escola. Várias pessoas têm referido que os alunos que fizeram os exames nacionais não estão em pé de igualdade no que diz respeito à forma como as coisas têm ocorrido, nomeadamente, alunos que souberam as suas notas enquanto outros ver

pedrorodrigues
22 de jul.5 min de leitura


O viés de género no reconhecimento do autismo
Na prática clínica, é frequente profissionais de saúde receberem homens e mulheres com perfis muito semelhantes, dificuldades sociais persistentes, necessidade de previsibilidade, sensibilidades sensoriais, interesses intensos e exaustão associada ao esforço de adaptação e, ainda assim, formularem hipóteses diagnósticas diferentes. Num homem, estas características podem conduzir mais rapidamente à consideração de perturbação do espetro do autismo; numa mulher, podem ser atrib

pedrorodrigues
20 de jul.3 min de leitura


Nem só corpo, nem só sociedade: os limites do modelo biomédico e do modelo social da deficiência
Responder à pergunta “o que é a deficiência?” continua a ser uma das tarefas mais difíceis das ciências da saúde, das ciências sociais e da filosofia contemporânea. A aparente simplicidade da questão esconde um problema conceptual profundo: quando dizemos que alguém tem uma deficiência, estamos a descrever um corpo, uma relação com o ambiente, uma condição clínica, uma identidade, uma experiência de vida ou uma categoria política? Ao longo das últimas décadas, consolidaram-se

pedrorodrigues
15 de jul.7 min de leitura


O fim do «tens ou não tens»?
Há uma pergunta que atravessa toda a história clínica do autismo e que continua, ainda hoje, a influenciar vidas: uma pessoa tem ou não tem autismo? Tens ou não tens o diagnóstico? À primeira vista, parece uma questão simples. A resposta seria um sim ou um não, como acontece com um teste de gravidez ou com o resultado de uma análise clínica. No entanto, por detrás desta aparente simplicidade escondem-se duas formas profundamente diferentes de compreender o autismo. E escolher

pedrorodrigues
14 de jul.7 min de leitura
bottom of page