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Não tens de ter febre para ir dançar

Não tens de ter febre para ir dançar, é claramente uma metáfora com base no filme Febre de Sábado à Noite (Saturday Nigth Fever). Quer significar que podes ir dançar em qualquer situação ou condição, ainda que seja importante que o espaço possa estar pensado e preparado para o efeito. E é sobre isso que irei partilhar.


Falar sobre o autismo e as pessoas autistas parece frequentemente estar envolto em características comportamentais, diagnóstico, auto-diagnóstico, diagnóstico tardio, comorbilidades, sofrimento, etc. Faz-me lembrar com todo o respeito e mais uma vez de forma metafórica a playlist habitual de alguns DJ's das discotecas dos anos 80 e 90. Começavam e terminavam sempre da mesma forma, ainda que as pessoas dançassem sem essa preocupação.


O autismo e a vida das pessoas autistas é mais do que aquilo que se fala ou escreve, ainda que seja preciso falar e escrever sobre isso, até para fazer ruído suficiente para ajudar a mudar o paradigma.


Por exemplo, quando se pergunta a uma pessoa autista se frequentou ou frequenta discotecas, a maior parte das pessoas diz com um ar excruciante, até porque já terá em alguma altura experimentado, que foi das piores experiências que já teve. Ainda que isso não signifique de todo que as pessoas autistas não gostam de discotecas e muito menos não gostam de dançar e ou de se divertir. Mas essa ideia foi crescendo e ainda está em muito, diria mesmo, demasiado presente.


As discotecas podem perfeitamente estar pensadas, adaptadas e preparadas para pessoas autistas e não só. E não t|em de se tornar espaços aborrecidos ou com o som da música tão baixo que nem uma pessoa com uma tremenda hipersensibilidade auditiva vai conseguir ouvir. Na verdade penso cada vez mais que as pessoas não autistas, ou pelo menos algumas delas, têm elas próprias muito presente um tipo de pensamento tudo-ou-nada, algo que frequentemente é observado nas pessoas autistas.


Ao ler uma noticia que em West Belfast existe uma discoteca - The Neuro Night Club, adaptada para pessoas neurodivergentes, confesso que me fez ter vontade de fazer com o John Travolta no Saturday Nigth Fever e esticar o braço no ar no meio da pista. Com 50 anos já não é a primeira vez que oiço que o negócio da noite se precisa de reinventar. Talvez algum empresário da noite em Portugal possa estar interessado em abrir um espaço para todos.


 
 
 

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