Voto transparente

Num momento conturbado, seja pela pandemia de COVID-19, mas também porque o próprio Brasil enfrenta um conjunto de situações politicas e sociais adversas. Ainda assim, no passado 15 de novembro ocorreram as eleições municipais para os cidadãos elegerem os prefeitos, vice-prefeitos e vereadores dos 5.570 municípios do país. O certo é que a democracia mostrou mais uma vez a sua capacidade de continuar independentemente das dificuldades, e o processo eleitoral decorreu dentro da normalidade. Mas por que é que eu venho escrever sobre as eleições municipais do Brasil num blog que fala principalmente sobre Autismo no adulto? Em primeiro lugar porque falar sobre o autismo é também falar sobre politica. Mas também porque um dos candidatos a vereador por Florianópolis foi o Rodrigo Tramonte. Não sabem quem é o Rodrigo (clicar no link)? Talvez possa não estar recordado ou não tenha sabido da Live que eu e o Rodrigo fizemos a 17 de julho - "O Autismo pelo lado de dentro". É verdade, o Rodrigo é autista. E sim, o Rodrigo foi candidato a vereador, e não foi o único. E tal como a Vice Presidente eleita Kamala Harris disse - Eu posso ser a primeira, mas não serei a última. No caso dos candidatos a cargos políticos, o Rodrigo não é o primeiro e certamente também não será o último. Até porque cada vez mais as pessoas autistas estão conscientes e despertos para a importância da sua participação no palco politico e no movimento cívico. Seja porque sentem que é preciso que a sua voz possa ser ouvida e participada na construção de politicas sociais e de saúde para a comunidade autista. Mas também porque sentem ser importante poderem participar no movimento democrático para todos os cidadãos. Sinto que esta participação do Rodrigo e de outros autistas tais como a candidata eleita na Pennsylvania Jessica Beham elevam a importância da participação de todos, e que possam inspirar a candidatura de outros autistas a cargos políticos. Este acto demonstra a passagem do conceito de inclusão e aceitação para um outro de apreciação. Ou seja, deixarmos de estar no plano de somente promover a aceitação e inclusão, facto que é fundamental, atendendo inclusive ao estigma e impacto negativo que este vai tendo na comunidade autista. Mas pensar que é fundamental elevar o conceito de apreciação. Da pessoa autista poder encarar-se como um qualquer outro cidadão, independentemente da sua condição. E poder olhar para as suas características e identidade como uma mais valia para si e para aquilo que pode participar na construção de uma Sociedade melhor e mais justa.


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