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Voar sobre o autismo

Muitos de nós já sonhou em voar. Ou ser astronauta? Por mais que alguns sonhos sejam difíceis de concretizar há sempre a possibilidade de os sonhar! No autismo há quem diga que é possível deixar de o ser - Autista.

Os Xutos e Pontapés diziam naquela música (Voar),


"Eu queria ser astronauta

o meu país não deixou

Depois quis ir jogar á bola

a minha mãe não deixou

Tive vontade de voltar a escola

mas o doutor não deixou

Fechei os olhos e tentei dormir

aquela dor não deixou."


O objectivo aqui não vai ver analisar ou interpretar os sonhos dos Autistas ou de quem os acompanha. Mas antes falar daquilo que alguns autores, tais como a Deborah Fein, refere acerca da possibilidade de alguns Autistas deixarem de o ser. Pode ser estranho ou confuso na medida em que as Perturbações do Espectro do Autismo são designadas como perturbações do neurodesenvolvimento e acompanham a pessoa ao longo do ciclo de vida.


No entanto, também é comum podermos observar que alguns jovens ou adultos Autistas, após algum período de acompanhamento deixam de apresentar determinadas características comportamentais que parece justificar que a atribuição do diagnóstico já não faz sentido. Compreendo que possa continuar a ser confuso. Os critérios de diagnóstico tal como estão definidos nos manuais (DSM e ICD) apresentam um conjunto de características. Os instrumentos usados para uma avaliação formal de PEA (ADI e ADOS) apresentam um algoritmo usado para poder ajudar a enquadrar o diagnóstico de Autismo. Como tal, poderíamos dizer que quando a pessoa Autista em determinado momento é avaliada através destes instrumentos e já não pontua neste algoritmo deixa de cumprir critérios para o diagnóstico. No entanto, é fundamental sublinhar que o diagnóstico de Autismo é clinico e realizado mediante observação do comportamento. Os instrumentos usados são auxiliares.


No entanto, a Deborah Fein, que trabalha nesta área desde os anos 70 do século XX, começou a observar alguns dos seus clientes mais novos com dois anos de idade e que apresentavam todo um conjunto de comportamentos característicos de uma PEA e que ao fim de alguns anos deixavam de os apresentar enquanto tal, na quantidade e qualidade. Estes casos foram poucos comparativamente ao número de casos acompanhados mas ainda assim suficientes para lançar esta questão. O autismo desaparece? Cura-se? É de sublinhar que os casos em questão tinham tido um acompanhamento desde idade precoce e num formato intensivo. O que releva a importância do diagnóstico precoce. Mas também a importância de poder equacionar a hipótese de haver uma intervenção concertada e que em algum momento possa ser mais intensiva. Principalmente nestes primeiros anos para potenciar as mudanças comportamentais.


Mas penso que esta questão também pode revelar a necessidade de se reflectir sobre esta questão de uma outra maneira. Será que faz sentido pensar na cura para o Autismo? Será que faz sentido falar da hipótese de deixar de ser Autista porque se deixou de apresentar algumas características? A pessoa quando é diagnosticada com PEA também não precisa de apresentar todas as características para que tenha este diagnóstico. Ainda que algumas destas características sejam fundamentais para o diagnóstico. Da mesma maneira que ao fim de algum tempo de intervenção e do próprio desenvolvimento e capacidade do próprio autista para reflectir alguns desses comportamentos deixam de existir e de fazer sentido até. Mas será que é isso que faz com que a pessoa seja autista? A questão não tem uma única resposta. Haverá quem sonhe esta cura e é compreensivel que o faça. Será importante continuar a compreender melhor entre outras razões para que isso possibilite que todos possam sonhar mais, sejam Autistas ou não.


Tal como António Gedeão dizia em "Movimento Perpétuo",


"Eles não sabem que o sonho

é uma constante da vida

tão concreta e definida

como outra coisa qualquer..."

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