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A piscina de estimulação


“It's a film made by autistic people, not about autism”

Robin Elliot Knowles



Ele fica a abanar os braços porque está contente! ouviu-se. Deve ser, olha para a cara dele, está a sorrir! alguém continuou. A filha da minha prima costumava fazer o mesmo quando saltitava em bicos de pés quando era pequena, mas agora já não o faz! acrescenta outra pessoa. A maior parte das vezes penso que é ansiedade, principalmente quando os vejo a torcer e contorcer os dedos como se tivessem a tocar um instrumento musical, outra pessoa opinou.


Uns e outros, investigadores, clinicos, população em geral, passamos a vida a achar isto e aquilo do comportamento humano, mesmo quando o procuramos fazer consolidado em terorias. É importante que o façamos, mas é fundamental que escutemos as pessoas, neste caso as pessoas autistas.


Ajuda-te a falar contigo mesmo num ritmo cadenciado, então, quando estou a fazer isso, consigo pensar no ritmo em que estou a mover a minha mão... o que é muito útil, porque significa que, quando tens o teu monólogo interno, ele não vem todo de uma vez e tu acabas a gritar contigo mesmo na tua cabeça para conseguir fazer tudo, diz Antero (nome fictício) pessoa autista adulta com 32 anos.


Ao escutarmos as pessoas autistas é como se tivéssemos uma lente diferente na câmara que é usada para gravar o filme, nas perspectivas que se usa de acordo com as orientações da realização, assim como a narrativa e a dinâmica diferente que a produção construiu.


A investigação e a experiência clinica tem demonstrado que as pessoas não autistas frequentemente interpretam mal o comportamento das pessoas autistas, o que provavelmente contribui para os desafios sociocomunicativos das pessoas autistas. Isso aplica-se particularmente a «estereotipias motoras», como «bater as mãos ou os dedos» ou «movimentos complexos de todo o corpo». Os movimentos motores estereotipados ou repetitivos são caracterizados como características centrais no diagnóstico do autismo, mas muitos adultos autistas reivindicaram-nos como «stimming».


Desde os primeiros relatos sobre o autismo, esses comportamentos têm sido considerados actos de autoestimulação que bloqueiam estímulos externos e interferem na concentração da pessoa (e dos outros). Além disso, os tratamentos para controlar (ou seja, eliminar, modificar ou reduzir) as «estereotipias motoras» continuam populares na prática clínica e na investigação. Os adultos autistas têm liderado a resistência a esses esforços, reivindicando o «comportamento autoestimulatório» como «stimming».


The stimming pool (ver aqui), é um filme/documentário de 2024 co-produzido por pessoas autistas, dirigido pela associação Colectivo Neuroculturas e Steven Eastwood. Eu diria que é um convite a todas as pessoas não autistas a mergulhar numa piscina sem água, sem receio de nos perdermos ou aleijarmos e deixarmos apenas o nosso corpo apropriar-se do espaço, aprendendo com as pessoas autistas como o corpo fala tanto de nós.








 
 
 

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