Uncut view of reality

Quando vamos ao cinema, por norma assistimos a uma edição, já com os devidos cortes do que foi filmado. As falhas detectadas nas falas, a luminosidade, etc. Há todo um conjunto de retoques que aquela ficção sofre para se tornar o melhor resultado possível. Mas sempre houve realizadores ousados que propuseram filmes sem os cortes ou que após alguns anos tenha dado a oportunidade a todos verem aquilo que na realidade foi filmado. Na vida também temos deste tipo de edições, sejam feitas por nós próprios ou por outros que contam algumas das nossas histórias. No espectro do autismo ainda vai existindo muitas situações destas. Como por exemplo, com os comportamentos auto e hetero agressivos.

As pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) têm um risco acrescido de vir a sofrer uma situação de crise (aguda) de saúde mental. As evidências para esse risco podem ser obtidos a partir de dados indicados nas taxas de perturbações psiquiátricas e comportamentais, bem como no número de visitas aos serviços de urgência hospitalar e episódios de internamento hospitalar por razões igualmente de saúde mental.


A prevalência de perturbações psiquiátricas e comportamentais em jovens com PEA é maior do que em jovens sem PEA. Em amostras da comunidade, 70% dos jovens com esta condição têm pelo menos uma perturbação psiquiátrica, uma prevalência 3,5 vezes maior do que na população em geral Quase um terço dos jovens autistas coloca a si ou a outros em perigo em um período de três meses, de acordo com estudos recentes. E quase um em cada quatro desses jovens não terá consultado um profissional de saúde mental nesse período.


Em crianças autistas com menos de 12 anos, os incidentes tendem a estar relacionados a lesões pessoais e a vaguear ou fugir. Enquanto que nos jovens entre os 12 e os 25 anos, os episódios envolvem mais frequentemente agressão física e verbal, geralmente direcionada aos pais. Quanto mais jovem é uma pessoa autista, e quanto menor a sua qualidade de vida, conforme relatado pelos pais, maior a probabilidade de ela ter um desses incidentes. A falta de competências na linguagem e o facto de a mãe ter um diagnóstico de depressão parece aumentar as probabilidades de vir a ter um incidente.


Esta informação não pretende dar a ideia de que as pessoas autistas são agressivas, facto que já vigorou durante tempo suficiente. Esta informação pretende alertar as famílias e os próprios profissionais de saúde de que há uma realidade que continua escondida mesmo nas crianças com Perturbação do Espectro do Autismo. Nomeadamente, os comportamentos auto-agressivos. Ainda que situações como o morder-se, bater com a cabeça na parede, entre outros exemplos, sejam situações mais faladas. É importante referir que inclusive nas crianças mais novas há situações de comportamentos auto-lesivos mais complexos e não tão visíveis, tais como o fazer cortes no corpo (auto-mutilação). Para além destes comportamentos é fundamental chamar a atenção para o sofrimento mental associado e que devido a dificuldades na expressão e comunicação podem continuar ocultos durante tempo suficiente para causar um impacto irreversível. Adicionalmente, o facto de se continuar a verificar que no decorrer destas crises há ainda uma percentagem de casos que continua sem ter uma resposta adequada em termos de saúde mental é vital ser corrigida.

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