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Um anti-ciclone no espectro

Um anti-ciclone é uma região em que o ar se afunda vindo de cima. Aquece e fica muito estável. Suprime os movimentos ascendentes necessários à formação de nuvens e precipitação. Ou seja, bom tempo, seco e sem nuvens. No "boletim metereológico" do espectro, apesar das intempéries também se prevê melhoria de tempo. Ora veja.

Há uma questão muitas vezes colocada na altura de se falar do diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) em adultos. Seja quando ainda se está a reflectir sobre a possibilidade de realizar ou não a avaliação. Mas também quando se devolve a avaliação realizada. "Devo ou não dizer aos outros o meu diagnóstico?". A questão não se esgota apenas no facto de a pessoa dizer se é autista. Trata-se também do facto de não dizendo que o é irá certamente continuar a camuflar os seus comportamentos. E hoje em dia sabe-se que o impacto no mal estar psicológico e no sofrimento é marcado. Já para não falar do impacto na sua própria identidade.


Esta questão coloca-se em vários contextos - em casa com os pais e irmãos mas também com a restante família com que se relaciona mais directamente, mas também socialmente com alguns amigos ou conhecidos e no trabalho, com as chefias e alguns colegas. São ainda muitas as situações em que os adultos apenas são diagnosticados na vida adulta (i.e., após os 24 anos de idade). Ou seja, as dificuldades que estão transcritas no diagnóstico e na avaliação que faz o levantamento de informação ao longo do desenvolvimento da pessoa vai ser caracterizador das dificuldades relacionais existentes. Por exemplo, na dinâmica familiar e à falta de um diagnóstico compreensivo ou até mesmo de um diagnóstico não "proibiu" a família de ir fornecendo explicações para as dificuldades que foi e vai sentido com o membro da sua família. E algumas vezes o próprio agora diagnosticado com PEA receia que dizer à família possa agravar as dificuldades já existentes. Por exemplo, "Se eles souberem que eu sou autista agora é que já não param de me chamar certas coisas!".


Mas a nível social também se colocam dúvidas semelhantes - "Eu não quero que saibam que eu sou autista. Já os ouvi falar de autistas e não gostei!". Parece haver uma ideia de que preferem continuar a ser percebidos como aqueles amigos que apresentam alguns comportamentos mais particulares. No local de trabalho é igual. A pessoa apresenta um conjunto de características que podem levar a haver maiores dificuldades, seja na realização da tarefa mas também na relação com a chefia e/ou colegas. E por norma estas dificuldades acontecem. Também aqui se coloca a possibilidade de dizer ou não o diagnóstico, inclusive para justificar a possibilidade de adaptação da tarefa a realizar, horário, etc.


Apesar de todas estas dúvidas e receios. Das dificuldades e incompreensão sentidas no dia-a-dia em casa, na sociedade e no local de trabalho. Da ideia de que uma grande maioria de pessoas não compreende ou tem uma ideia errado do que é o Autismo. É importante dizer que a investigação e a impressão clinica de quem acompanha adultos autistas é diferente. Ou seja, os autistas quando recebem o diagnóstico de PEA e são esclarecidos e acompanhados devidamente demonstram uma atitude mais favorável e positiva face ao dizer que são autistas. Além disso, parece que nestes casos, a explicação compreensiva junto da família e no local de trabalho facilita a compreensão dos pares.

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