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Saltos informados

Os momento de transição acontecem ao longo da vida e com eles vêm as mudanças e necessidades de adaptação. Estes momentos causam algumas dificuldades, principalmente iniciais, e carecem de alguma preparação para se "fazer o salto". Normalmente, no período anterior ao qual iremos transitar desenvolvemos um conjunto de experiências, interacções e aprendizagens que nos preparam para este novo patamar - aquilo a que muitos chamam de vida futura. No final da adolescência começa a ocorrer uma transição igualmente importante para a entrada na vida adulta. Seja através da entrada no Ensino Superior ou no mercado de trabalho, é um momento desejado por muitos, sejam os próprios mas também as suas famílias. Mas nem em todos ocorre esta transição Ou porque é mais demorada que o normal, mas também porque não chega mesmo a ocorrer. E no caso dos jovens com Perturbação do Espectro Autismo tudo isto precisa de ser ainda mais pensado. Ora salte lá para o texto! 

No PIN, em todas as fases da vida, profissionais de saúde andam de mãos dadas com as crianças, jovens e adultos com uma Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), conjuntamente com as suas famílias e professores, em todos os processos de transição ao longo da vida. Aqueles pais que procuraram o Dr. Nuno Lobo Antunes quando o seu filho tinha apenas 18 meses com um conjunto de preocupações que parecia não se encaixar em lado nenhum, a não ser na preocupação dos pais. Esses mesmos pais foram de seguida encaminhados para a Dra. Carla Almeida para uma avaliação que determinou haver comportamentos suficientes para se pensar com grande nível de certeza tratar-se de uma Perturbação do Espectro do Autismo. A intervenção precoce não tardou. Ao fim de pouco tempo, o filho estava integrado na Equipa Local de Intervenção Precoce.


Mas os pais continuavam a necessitar de apoio e orientações. Passaram 4 anos e este rapaz continuou a necessitar de acompanhamento e a Dra. Bárbara Silva Dias passou a gerir o processo de intervenção. Com a entrada no 1º ciclo, o filho mas também os pais continuaram a precisar de ajuda. Os contactos com a escola não tardaram a ser uma constante e que apenas diminuíram quando a mediação feita pela Dra. Joana Terra junto da professora titular começaram a dar frutos. Mas os pais não deixaram de precisar de apoio. O seu filho continuava a crescer e a sentir desafios no quotidiano. Todos sentem desafios mas ele sentia mais. Os pais sentem esses desafios por eles próprios e os do seu filho. Todos os pais os sentem mas estes parecem sentir mais. No decorrer do 8º ano houve algumas alterações comportamentais mais significativas e que comprometeram a dinâmica familiar. O filho tornou-se mais intransigente, inflexível e rígido. Os pais passaram eles próprios a deixar de ter estratégias para lidar com aquelas novas situações e passaram eles próprios a terem desafios no próprio relacionamento de casal.


O filho continuou a ter acompanhamento individual com a Dra. Joana Terra mas também passou a beneficiar de um grupo de competências sociais com a Dra. Andreia Silva e Dra. Ana Maria. Os pais, esses passaram a ter algumas sessões com a Dra. Ana Catarina Cunha. O casal cresceu e o seu filho também. A entrada na adolescência e a chegada aos 17 anos trouxe um conjunto de desafios que nunca antes tinham sido colocados. Ingressa num curso profissional ou vai para a universidade? As questões da sexualidade começaram a ser colocadas pela primeira vez e um relacionamento amoroso inesperado lançou alguma preocupação nos pais. O seu bebé tinha crescido e perguntou pela primeira vez se podia dormir em casa de um amigo.


Foi tudo ponderado e pensou-se fazer sentido passar o acompanhamento para mim. O processo de transição do Ensino Secundário para o Ensino Superior, sendo que a decisão já estava feita, parecia validar essa mudança. A consulta de Neuropediatria com o Dr. Nuno Lobo Antunes passou a ser substituída pela consulta de Psiquiatria de Adulto com o Dr. Gustavo de Jesus. A passagem no Ensino Superior foi um pouco mais demorada que o habitual e algumas dificuldades passadas voltaram a emergir. Dificuldades na realização dos trabalhos de grupo, agora com outras exigências, as festas académicas e as relações sociais mais complexas e exigentes. Após o final do curso pensou-se que seria importante a realização de um estágio profissional e com isso houve a necessidade de repensar as áreas e necessidades no mercado de trabalho. A Dra. Andreia Silva e eu assumimos em conjunto esse processo e após toda a informação reunida planeamos em conjunto com o agora adulto mas também com os seus pais um percurso que pudesse garantir uma maior probabilidade de sucesso. Houve necessidade de envolver a empresa onde ele iria estagiar.


Esta breve história reporta a missão do PIN e o seu lema - em todas as fases da vida. Mas esta vida ainda não acabou, nem nós. E ainda faltam muitas outras etapas de transição que continuam a necessitar de acompanhamento e supervisão.


Mas nem todos, sejam aqueles com uma Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA), Dificuldade de Aprendizagem Especifica. Mas também outros que sem uma perturbação do neurodesenvolvimento apresentam uma outra condição psiquiátrica ou psicossocial. Migrantes, jovens em condições sociais desfavorecidas, minorias étnicas, etc. Há todo um conjunto de jovens que chega aos 24 anos de idade e que não tem a escolaridade obrigatória completa. Se sabemos que 241 milhões de pessoas na União Europeia têm um emprego. No entanto, esta facto conta apenas uma parte da história. Isto porque a realidade subjacente é que as desigualdades persistem e nem todos estão a ser beneficiados com esses desenvolvimentos positivos. Muitos ainda lutam para sobreviver ou enfrentar barreiras devido a desigualdades. Muitas crianças e jovens, muitas vezes de contextos socioeconómicos desfavorecidos, não têm acesso a educação ou assistência médica de qualidade. Ainda há muitos idosos sem acesso aos serviços de saúde. A desigualdade é um freio ao crescimento e ameaça a coesão social. Precisamos agir agora para que nossos filhos e netos tenham a possibilidade de beneficiar de um futuro justo, verde e próspero e garantir a equidade entre gerações.


Ao longo destes anos são vários os projectos que têm sido desenvolvidos e financiados pela União Europeia. Mas os números continuam preocupantes. Hoje temos cerca de 16% dos jovens entre os 16 e os 25 anos que não trabalha nem estuda ou faz formação. E já sabemos que a esses factores estarão outros associados sejam sociais ou de saúde física e mental, no presente momento mas também ao longo do desenvolvimento. E isso importa reverter, seja para eles e as suas famílias mas também para todos nós. As importantes mudanças no comportamento familiar e de fertilidade nos países ocidentais desde a década de 1960 são hoje geralmente formadas como a Segunda Transição Demográfica. São vários aqueles que identificaram três grandes mudanças: mudanças no tempo, tipo, frequência e estabilidade dos grupos; mudanças no comportamento face à utilização do contraceptivo; e, mudanças no nível e padrão de fertilidade. O adiamento do casamento e da paternidade e a crescente prevalência de coabitação não-conjugal e fertilidade não-conjugal foram apenas algumas dessas mudanças importantes que afectaram fortemente a transição da juventude para a idade adulta entre as coortes do pós-guerra.E isto importa pensar porque não se é adulto hoje como há 20 ou mais anos. Sejam na população normativa mas também naqueles com uma PEA.


Uma primeira perspectiva considera a transição para a idade adulta principalmente em termos do início de várias carreiras, e em particular como o início de investimentos em dupla carreira: os da família e do trabalho. Como tal, a transição para a idade adulta envolve mudar o acesso a várias esferas da vida, abandonar papéis antigos, assumir novos e fazer (às vezes extensos) ajustes nas trajectórias biográficas. A vida adulta é o estágio na vida em que o problema de integrar e equilibrar os requisitos do mundo ocupacional com os da vida familiar deve ser enfrentado. É o embarque no conjunto complexo de transições de papéis que estão envolvidos nas agendas gémeas do trabalho e da família. A multidimensionalidade da entrada na idade adulta resulta em um período altamente intenso de mudanças de status, pelo menos em comparação com outras fases do curso da vida.


Uma segunda perspectiva enfoca as restrições estruturais no curso da vida. Foram distinguidas quatro mecanismos sociais, que impõem ordem e restrições às vidas: mudanças institucionais, intervenções e regulamentos estatais, contingências cumulativas e condições de coortes coletivas. Também se considera a transição para a idade adulta como um ponto estratégico no qual investigar mudanças na estruturação social e na ordenação individual do curso da vida. Tenta entender como a sociedade organiza a transição para a vida adulta e como as pessoas dirigem e dão sentido às suas próprias biografias.


Uma terceira descrição comum da transição 'da dependência para a independência', 'entrar na própria pessoa' ou 'atingir a maioridade' é mais de natureza psicológica desenvolvimental. Por meio de uma série de importantes transições de papéis, um adolescente dependente torna-se um adulto produtivo e reprodutivo que trocou sua posição de dependência económica e participação na família de origem pela independência económica e pela formação de uma família de procriação.


Para a maioria dos países europeus, o momento do primeiro casamento e dos primeiros pais não é mais o único e mais adequado indicador da transição da juventude para a idade adulta. Isso ocorre porque os dois eventos não foram apenas adiados, mas também cada vez mais desconectados da idade e um do outro. Além disso, entre as coortes femininas do pós-guerra, havia uma crescente interdependência entre a carreira ocupacional e a família. Essas foram boas razões para ampliar o estudo da transição da juventude para a idade adulta.


Mas nem sempre as biografias de muitas pessoas ocorre de acordo com estas teorias e para isso importa perceber o que pode ser feito e como. O projecto Design my future - Promoting Informed Choices for All Young People, coordenado pelo Dr. Marc Fabri e da Dr Mhairi Beaton da Universidade de Leeds Becket, do Reino Unido, conjuntamente com outros cinco parceiros internacionais, dos quais o PIN faz parte, irá decorrer até 2022. Ao longo deste período iremos desenvolver um conjunto de ferramentas que integrem as necessidades destes jovens, sejam aqueles com uma Perturbação do Neurodesenvolvimento mas não só. É fundamental capacitar os próprios a terem acesso a uma informação que responda às suas necessidades, seja na transição para o Ensino Superior ou mercado de trabalho. Não é apenas reunir a informação já existente, dos nomes e descrições dos cursos existentes e suas respectivas saídas profissionais. Ou das empresas que estão a recrutar ou de como se constrói um Curriculum vitae.


Os manuais construídos serão para os próprios jovens, seus pais e professores. Mas esta informação será desenvolvida com a própria participação dos próprios. Daquilo que os jovens com determinadas características sentem que lhes faz mais sentido estar nestes manuais, seja na forma como a informação é apresentada e qual a informação que faz sentido estar. Há um conjunto cada vez maior de perfis profissionais e de profissões diferentes que precisam de ser divulgadas. Umas mais ligadas às Tecnologias de Informação e que precisam de ser demistificadas. Nomeadamente, Youtuber ou Gamer por exemplo. Há uma ideia crescente que ambas as profissões poderão ser um caminho facilitado para uns e nem sequer ser considerada uma profissão para outros. É preciso construir uma informação capaz de comunicar com a biografia de todos estes jovens e que os ajude a escrever, reescrever e desenhar o seu futuro.

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