Run Forest, run

Correr faz bem à saúde, ninguém duvida. Mas correr faz bem à saúde física & psicológica e pode melhorar as competências sociais, já há quem questione. E equacionar a actividade física no Autismo parece ser ainda mais difícil. Num país em que 1 em cada 4 cidadãos adultos tem uma actividade física abaixo do recomendado parece uma meta impossível de alcançar. Disseram isso ao Forest e vejam no que deu.

Há uma ideia generalizada que os Autistas não gostam da prática de actividade física. Uma das disciplinas ao longo dos doze anos de ensino obrigatório em que um número significativo de alunos autistas apresenta dificuldades e conflitos com os professores é Educação Física. No entanto, num número igualmente significativo de situações aquilo que leva a esta dificuldade são outras questões. Por exemplo, hipersensibilidade táctil, ou seja dificuldade no contacto físico, coisa que acontece com demasiada frequência nesta disciplina. Ou então dificuldades na motricidade fina e/ou grossa. E como tal, correr e driblar uma bola ao mesmo tempo em que se procura esquivar de um oponente e tentar encestar torna-se facilmente uma tarefa bem difícil. Estas e outras situações fazem com que Educação Física passe a ser uma disciplina posta de parte. Ainda por cima durante muitos anos a disciplina não conta para passar ou para a média e como tal ainda mais facilmente foi desvalorizada.


Uma outra questão que ocorre em número suficiente no Autismo é a propensão para o desenvolvimento de problemas de saúde física. Para além disso e devido às questões sensoriais um outro aspecto a ter em conta são os problemas de obesidade e outras questões causadas pela restrição alimentar. Associado a isto tudo os hábitos sedentários e a medicação para algumas questões associadas acabam por levar a um aumento exponencial do risco para a saúde física mas também mental.


A grande maioria dos programas de actividade física são desenvolvidos em grupo e como tal promovem o trabalho cooperativo e de equipa, assim como o respeito por um espaço em comum mas também uma maior aprendizagem do seu próprio esquema corporal, lateralidade, etc. A investigação cientifica é rica em demonstrar a relação entre a actividade física e a melhoria das competências sociais em pessoas com um desenvolvimento tipico. Mas no autismo ainda não se conhece estes benefícios. Como em muitas outras situações e actividades é necessário adequar a maneira como se procura envolver os alunos.


A utilização dos seus interesses restritos é uma dessas possibilidades. Se muitas crianças, jovens e também adultos têm um interesse intenso em determinados videojogos é possivel procurar adaptar o mesmo para um formato jogo de tabuleiro real e que envolva necessariamente a realização de um maior esforço físico. O mesmo se poderia dizer para a reconversão do formato paintball. Haverá sempre discursos dos recursos necessários e os montantes envolvidos. Penso que a criatividade humana não tem espaço suficiente para a conter e haverá certamente a participação de toda a comunidade escolar.

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