Put your hands in the air like you don't care

"- Pois, isto agora é tudo autista!", ouvi um destes dias. "-Agora justifica-se todos os comportamentos diferentes com o autismo!", continuaram. Não me causam estranheza estas frases. Primeiro, porque é verdade que há um maior número de autistas face às prevalências publicadas. Segundo, porque há uma maior consciência face ao tema. Terceiro, porque continua a haver pessoas que não percebem nada de autismo e justificam tudo quase sempre da mesma forma.

Não há nenhuma epidemia de autismo a surgir. Espero que acreditem. Desejo ainda mais que não fiquem com a noção que há alguma alteração nas variáveis ambientais que possa estar a causar este aumento. Sejam as vacinas ou os poluentes, mas também o regresso das "mãe frigorifico" com a sua maior ocupação com a carreira e menor dedicação à família. E muito menos o autismo contagiar-se ou aprender-se os comportamentos porque se passaram a criar turmas mistas. Repito, não há nenhuma epidemia de autismo a surgir!


Os estudos! Sempre os estudos, dizem que nos Estados Unidos a prevalência passou de 1 em cada 91 crianças em 2009 para 1 em 40 em 2017. O que para alguns pode justificar sem margem para dúvida num aumento do surgimento do autismo. O autismo continua ainda a ser diagnosticada maioritariamente em rapazes caucasianos e aqueles que detêm um seguro de saúde. Estas duas questões por si só levam a uma reflexão importante e uma possibilidade de uma afirmação patética. Primeiro, precisamos de pensar o que pode estar a acontecer nos cidadãos não caucasianos e nos países em desenvolvimento. Se atendermos à densidade populacional de alguns destes países ficamos com a certeza que os números referidos nas prevalência não podem fazer sentido. Segundo, precisamos de pensar no que pode estar a acontecer nos cidadãos com menor capacidade de resposta sócio-económica. Número que globalmente representa uma fatia significativa da população. Estes dois pontos juntos desequilibram estas estatísticas e devem preocupar qualquer um de nós. Precisamos verdadeiramente de continuar a olhar para estas franjas demasiado grandes da população em desvantagem e levar a possibilidade do mastreio e diagnóstico do autismo e o seu acompanhamento. Por último, a afirmação patética é referir que o autismo é uma condição de uma classe sócio-económica média-alta. Frase que infelizmente já ouvi dizer.


A conscientização por parte da sociedade, num trabalho incansável feito por grupos de pais e pessoas interessadas nas diversas instituições espalhadas por todo o globo tem feito sentir esta diferença. Ainda pequena mas que causa uma alteração positiva. Mas também os próprios profissionais de saúde têm procurado reflectir sobre o autismo e a criação de instrumentos de avaliação eles próprios mais fiáveis no diagnóstico.


Mas também em alguns destes estudos recentes e a forma como se tem colocado as perguntas nos questionários também justifica este aumento. Por exemplo, perguntar aos pais se algum profissional de saúde já lhe referiu a possibilidade de o seu filho ou filha ser autista. Ou o facto de em alguns destes artigos vir referido que se verificou que a existência de uma maior grau académico das mães parece estar associado a um aumento na prevalência de autismo e PHDA. Certo que algumas pessoas insurgiram-se logo dizendo que as "mãe frigorifico" tinham voltado enquanto outros apelaram à responsabilidade dos cientistas em fornecer uma interpretação mais capaz antes de comunicar determinado tipo de informação. O certo é que a informação vai sendo veiculada e estes e outros rumos espalham-se como qualquer música comercial que nos entra no ouvido quando ligamos o rádio no carro logo pela manhã.


"Your pretty ladies around the world Got a weird thing to show you So tell all the boys and girls Tell your brother, your sister and your mamma too we're about to go down And you know just what to do Wave your hands in the air like you don't care Glide by the people as they start to look and stare Do your dance, do your dance, do your dance quick mamma Come on baby tell me what's the word..."


Cameo, in Word up

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