Psicologia, para que te quero?
Psicologia, para que te quero? Não é de agora que esta pergunta me acompanha.
Provavelmente, as perguntas verdadeiramente importantes são precisamente aquelas que não desaparecem depois de encontrarmos uma resposta. São aquelas que regressam, por vezes com as mesmas palavras, outras vezes com uma formulação ligeiramente diferente, porque, entretanto, mudámos nós, mudou o contexto ou mudou aquilo que procuramos compreender.
Lembro-me de ter feito esta pergunta ainda antes de me candidatar ao curso de Psicologia. Voltei a fazê-la duas ou três vezes durante o curso. E quem foi partilhando comigo salas de aula, reuniões, projectos, conferências ou simplesmente conversas ao longo dos anos saberá que a voltei a colocar muitas outras vezes, em contextos diferentes, perante perguntas diferentes e, provavelmente, com respostas também diferentes.
Há perguntas que uma profissão deveria fazer a si própria antes que alguém tenha de as fazer por ela. Não é uma pergunta retórica. É uma pergunta sobre identidade, responsabilidade e futuro, e é, também, uma pergunta incómoda.
A Psicologia nasceu com uma ambição extraordinariamente exigente: compreender o comportamento humano. Compreender como pensamos, sentimos, nos relacionamos, aprendemos, adoecemos, nos desenvolvemos e nos transformamos. Mas se o objecto que pretendemos compreender está a mudar profundamente, podemos continuar a formar psicólogos quase como se o mundo permanecesse o mesmo?
Esta é talvez uma das perguntas mais importantes que a Psicologia portuguesa e europeia deveria estar a fazer neste momento, não porque tenha deixado de produzir conhecimento (pelo contrário: nunca tivemos tantos dados, instrumentos, modelos, estudos, possibilidades de intervenção), mas precisamente por isso. Estamos a produzir mais conhecimento sem necessariamente produzir uma reflexão proporcional sobre aquilo que está a acontecer ao ser humano.
A Europa já reconhece que a saúde mental não pode ser pensada apenas a partir dos serviços de saúde. A Comissão Europeia fala hoje de uma abordagem transversal que envolve educação, emprego, investigação, digitalização, urbanismo, cultura, ambiente e alterações climáticas. A Organização Mundial da Saúde identifica, simultaneamente, uma persistente escassez de profissionais de saúde mental na região europeia e a necessidade de modelos mais acessíveis, integrados e centrados nas pessoas.
E a Psicologia? Está preparada para esta mudança?
Não me refiro apenas à Psicologia Clínica, essa seria uma leitura demasiado pequena do problema. Refiro-me à Psicologia enquanto ciência e enquanto profissão: à Psicologia Social, Educacional, Organizacional, Comunitária, Experimental, da Saúde, do Trabalho, da Justiça, do Desenvolvimento, à Neuropsicologia, e a todas as outras áreas que procuram compreender diferentes dimensões do comportamento humano. A pergunta é transversal: que Psicologia precisamos para compreender o século XXI?
Uma formação para um mundo que já não existe?
Talvez seja necessário começar por aqui. Quantos anos separam aquilo que aprendemos na formação inicial da realidade para a qual hoje temos de preparar os psicólogos? Não porque os fundamentos científicos tenham perdido valor, não perderam. Mas porque surgiram fenómenos comportamentais, sociais e tecnológicos que obrigam a Psicologia a actualizar não apenas as suas ferramentas, mas também as suas perguntas.
A inteligência artificial entrou na vida quotidiana. As redes sociais transformaram a construção da identidade. A hiperconectividade alterou a experiência da presença e da ausência. O trabalho tornou-se mais digital, mais precário para muitos e mais intrusivo para outros. A solidão adquiriu uma dimensão social que ultrapassa largamente o indivíduo. A crise climática introduziu novas experiências de ansiedade, luto e impotência. A guerra regressou ao espaço europeu. A neurodiversidade está a questionar conceitos tradicionais de normalidade. As fronteiras entre saúde, doença, diferença, identidade e funcionamento estão a ser novamente discutidas.
Perante tudo isto, importa perguntar: será que a formação em Psicologia mudou na mesma proporção que o mundo que pretende compreender? Não será esta uma discussão demasiado importante para ficar limitada a alterações curriculares pontuais? Não precisamos de discutir que psicólogo queremos formar daqui a vinte anos?
Talvez não seja suficiente formar psicólogos para responder aos problemas que já conhecemos. Precisamos de formar psicólogos capazes de reconhecer os problemas que ainda não sabemos nomear.
Quando a inteligência artificial começa a conversar connosco
Durante décadas, a Psicologia estudou a relação entre pessoas e máquinas. Agora a máquina começou a conversar connosco, e esta mudança é muito maior do que parece. Milhões de pessoas já utilizam sistemas de inteligência artificial para procurar informação, organizar pensamentos, tomar decisões, escrever, aprender e falar sobre experiências emocionais. A pergunta mais óbvia é se uma inteligência artificial pode substituir um psicólogo. Mas talvez esta seja a pergunta errada. A pergunta mais interessante é: o que acontece à Psicologia quando uma máquina consegue produzir uma linguagem que se parece cada vez mais com compreensão?
O que é a empatia quando pode ser simulada? E a escuta quando está disponível vinte e quatro horas por dia? O que acontece à relação terapêutica quando o paciente pode conversar com uma entidade artificial antes, durante e depois da consulta?
A Europa já discute telepsicologia, ferramentas digitais de saúde mental, responsabilidade profissional e supervisão ética. A própria Federação Europeia de Associações de Psicólogos (EFPA) tem chamado a atenção para lacunas regulatórias e de qualidade associadas ao crescimento das intervenções digitais.
A pergunta, portanto, não é se a Psicologia pode ignorar a inteligência artificial, não pode. A pergunta é se vai participar activamente na definição daquilo que deve ser uma inteligência artificial psicologicamente responsável, ou se vai deixar essa definição para quem constrói os sistemas.
Psicologia para quem?
Existe outra contradição. Nunca se falou tanto de saúde mental, e simultaneamente continuam a existir enormes necessidades não satisfeitas. A OMS estima que mais de 125 milhões de pessoas na região europeia sejam afectadas por problemas de saúde mental. Temos uma necessidade crescente. Temos profissionais. Mas temos acesso suficiente?
Para quem estamos a construir a Psicologia? Para quem consegue pagar? Para quem sabe procurar ajuda? Para quem vive perto dos serviços? Para quem tem disponibilidade para esperar? Para quem consegue explicar aquilo que sente na linguagem que o sistema compreende?
Uma profissão que se pretende essencial para a saúde das populações não pode aceitar tranquilamente que o acesso à sua intervenção seja determinado sobretudo pela capacidade económica. A Psicologia terá de discutir seriamente a sua dimensão de saúde pública, não apenas quem pode fazer terapia, mas quem fica de fora quando não pode.
O psicólogo ainda pertence ao consultório?
Talvez uma das maiores limitações da nossa representação profissional seja imaginar o psicólogo sentado diante de uma pessoa sentada. É uma imagem poderosa, mas insuficiente.
A Psicologia existe onde existe comportamento humano: nas escolas, organizações, nas famílias, comunidades, hospitais, tribunais, prisões, nas redes digitais, políticas públicas, processos migratórios, prevenção de catástrofes, adaptação às alterações climáticas, na concepção dos ambientes de trabalho, na educação, na promoção da saúde.
A própria política europeia de saúde mental já adopta uma visão transversal, reconhecendo que saúde mental e contexto social, económico, ambiental e digital estão profundamente ligados. A EFPA tem igualmente defendido uma utilização mais sistemática das competências dos psicólogos na saúde, educação, trabalho e serviços sociais.
Então porque continuamos a apresentar a Psicologia sobretudo através da consulta individual? Onde estão os psicólogos quando se desenham políticas que vão modificar o comportamento de milhões de pessoas?
A tirania da normalidade
Durante muito tempo, uma parte da Psicologia perguntou: o que é normal? Talvez hoje tenha de perguntar: normal para quem?
A emergência da neurodiversidade trouxe para o centro do debate uma questão que não é apenas clínica, é epistemológica. Se determinadas características humanas só se tornam problemáticas quando encontram contextos pouco adaptados, onde termina a diferença e começa a perturbação?
O autismo tem sido particularmente importante nesta discussão, não porque deva ser retirado do campo da Psicologia clínica, mas porque obriga a Psicologia a interrogar os seus próprios pressupostos. Estamos a compreender a diferença ou estamos simplesmente a medir a distância em relação à norma? Estamos a intervir para promover bem-estar ou para aproximar pessoas de um modelo pré-definido de funcionamento?
A Psicologia do futuro terá de aprender uma coisa difícil: compreender sem necessariamente corrigir.
Quando a Psicologia ensina as pessoas a suportar o insuportável
Vivemos numa cultura de produtividade. Precisamos de ser resilientes, gerir o stress, gerir o tempo, regular as emoções, aumentar a motivação, melhorar a produtividade, ser emocionalmente inteligentes. Mas existe uma pergunta que a Psicologia deveria fazer com muito mais frequência: e se o problema não estiver apenas na forma como a pessoa reage ao contexto, mas no próprio contexto?
Quando um trabalhador está exausto, devemos ensiná-lo apenas a gerir melhor o stress? Quando uma organização produz sistematicamente sofrimento, deve a intervenção psicológica tornar o trabalhador mais adaptado a essa organização? Quando é que a resiliência deixa de ser uma virtude e passa a ser uma exigência injusta?
A investigação europeia sobre bem-estar no trabalho tem precisamente mostrado a importância das condições organizacionais e dos riscos psicossociais, e não apenas das características individuais. Talvez a Psicologia tenha de recuperar uma pergunta que corre o risco de perder: quem precisa de mudar, a pessoa ou o contexto?
A epidemia silenciosa da solidão
Estamos mais conectados do que nunca, e talvez nunca tenhamos sido tão vulneráveis à solidão. Podemos falar com centenas de pessoas sem falar verdadeiramente com ninguém. Podemos ser vistos sem sermos conhecidos. Podemos ter seguidores sem ter comunidade.
A Psicologia precisa de compreender melhor este paradoxo. O que significa estar acompanhado numa sociedade que tornou a presença cada vez mais digital? Que papel têm a amizade, a comunidade e a pertença na saúde psicológica? E, sobretudo: será a solidão um problema individual ou o sintoma psicológico de uma transformação social?
Talvez tenhamos de parar de perguntar apenas porque é que determinada pessoa está sozinha, e começar a perguntar que sociedade estamos a construir que produz tanta solidão.
Uma infância perante uma audiência permanente
Há crianças que estão a crescer sem conhecer um mundo sem redes sociais. Há adolescentes cuja identidade é construída simultaneamente perante os seus pares, perante desconhecidos e perante algoritmos. A Comissão Europeia já chama a atenção para a exposição crescente das crianças ao ambiente digital e para as suas implicações no bem-estar.
Mas será que a Psicologia está a acompanhar suficientemente depressa esta transformação? Como muda a adolescência quando a rejeição pode acontecer a qualquer hora? Como muda a identidade quando a comparação social nunca termina? O que significa crescer quando a própria intimidade pode ser transformada em conteúdo?
E surge ainda outra pergunta: o que acontece quando o adolescente deixa de procurar apenas os seus pares e começa a procurar uma inteligência artificial para compreender aquilo que sente?
Medir não é conhecer
A Psicologia tornou-se extraordinariamente competente a medir, e essa é uma das suas grandes forças científicas. Mas existe um perigo: confundir aquilo que conseguimos medir com aquilo que é importante conhecer.
No futuro teremos mais dados, mais sensores, mais inteligência artificial, mais análise comportamental, mais informação longitudinal. Mas será que uma pessoa pode ser completamente conhecida através dos seus dados? O que acontece à experiência subjectiva quando tudo aquilo que importa tem de ser transformado numa variável?
Talvez a avaliação psicológica do futuro precise de mais tecnologia. Mas precisa também de mais filosofia, porque uma pessoa não é apenas aquilo que conseguimos quantificar.
A quem pertence a nossa intimidade psicológica?
Imagine-se um futuro próximo: uma aplicação conhece os nossos padrões de sono; outra conhece a nossa actividade física; outra conhece aquilo que pesquisamos; outra conhece aquilo que escrevemos; outra conhece aquilo que sentimos. Talvez uma inteligência artificial conheça melhor alguns dos nossos padrões emocionais do que algumas das pessoas que nos são próximas.
Quem possui essa informação? Quem pode utilizá-la? Quem pode vendê-la? Quem pode tomar decisões sobre nós com base nela?
A intimidade psicológica poderá tornar-se um dos bens mais valiosos da economia digital, e a Psicologia não pode deixar que este debate seja decidido exclusivamente por engenheiros, empresas ou legisladores. Temos uma responsabilidade ética sobre aquilo que significa conhecer psicologicamente uma pessoa.
Quando o planeta também entra na consulta
As alterações climáticas estão a criar experiências psicológicas novas: ansiedade climática, luto ecológico, trauma ambiental, deslocação, perda, medo do futuro, impotência.
Existe aqui uma dificuldade conceptual: não podemos simplesmente dizer a alguém que deve mudar os seus pensamentos quando a ameaça que sente é real. Como trata a Psicologia o sofrimento perante perigos que não podem ser resolvidos através de uma mudança cognitiva individual? Talvez tenhamos de aprender a trabalhar com a incerteza, com a perda colectiva e com formas de esperança que não sejam ingenuamente optimistas.
O trauma não termina no indivíduo
A guerra voltou à Europa. As migrações aumentaram. Os conflitos prolongam-se. As catástrofes ambientais tornam-se mais frequentes. As sociedades vivem períodos de profunda instabilidade.
O trauma psicológico não é apenas individual. Pode ser colectivo, intergeracional, cultural. A própria EFPA tem vindo a defender um papel central dos psicólogos na prevenção, resposta e recuperação perante catástrofes, conflitos e emergências. Mas precisamos de ir mais longe: como se trata psicologicamente uma sociedade traumatizada? Como se reconstrói confiança depois de uma experiência colectiva de ameaça? Como se trabalha com pessoas que carregam acontecimentos que não viveram, mas que herdaram?
Estas perguntas exigem uma Psicologia menos confinada ao indivíduo.
O diagnóstico não pode ser o fim
Diagnosticar é importante. Mas diagnosticar não significa necessariamente compreender, e compreender não significa necessariamente acompanhar.
Uma pessoa pode receber um diagnóstico aos vinte, trinta, quarenta ou sessenta anos. Pode sentir alívio. Pode sentir revolta. Pode reorganizar toda a sua história. Pode perguntar: e agora?
É aqui que a Psicologia precisa de estar, não apenas para atribuir uma categoria, mas para ajudar a pessoa a reconstruir uma narrativa. O diagnóstico pode explicar o passado. Mas quem ajuda a construir o futuro?
Uma sociedade que envelhece
A Europa está a envelhecer. Mas continuamos muitas vezes a falar do envelhecimento sobretudo através da doença, da dependência e da perda. E se começássemos por perguntar: quem quero ser quando envelhecer?
A Psicologia terá de pensar identidade, propósito, intimidade, sexualidade, autonomia, relações, luto e significado numa população que viverá cada vez mais tempo. E terá de pensar também aquilo que quase nunca discutimos: como envelhecem as pessoas neurodivergentes? Porque a neurodiversidade não termina aos sessenta anos.
O que permanece humano?
E talvez cheguemos, finalmente, à pergunta mais difícil.
Se uma inteligência artificial puder avaliar padrões, sugerir estratégias, acompanhar sintomas, recordar aquilo que dissemos há cinco anos e responder a qualquer hora do dia, o que permanecerá exclusivamente humano na Psicologia?
Talvez permaneça aquilo que nunca foi apenas uma técnica: a presença, o silêncio, o olhar, o encontro, a vulnerabilidade partilhada, a possibilidade de estar diante de alguém que não está apenas a processar informação sobre nós, mas que também existe.
Talvez o futuro da Psicologia não consista em competir com a inteligência artificial. Talvez consista em compreender aquilo que significa ser humano num mundo onde a inteligência deixou de ser exclusivamente humana.
Psicologia, para que te quero?
Esta é, afinal, a pergunta que deveria atravessar tudo. Para que queremos uma Psicologia? Para tratar? Avaliar? Diagnosticar? Adaptar? Prevenir? Compreender? Transformar?
Talvez a resposta tenha de ser todas estas coisas. Mas não pode ser apenas uma delas, porque a Psicologia corre o risco de se tornar demasiado pequena para o mundo que pretende compreender.
E este não é um problema exclusivo da Psicologia Clínica. É um problema de toda a profissão: da universidade, da investigação, das associações profissionais, das instituições, dos serviços de saúde, das escolas, das organizações, dos próprios psicólogos.
Porque talvez estejamos perante uma espécie de paradoxo: a sociedade está a mudar mais depressa do que a nossa reflexão profissional sobre ela.
Temos novos comportamentos, mas continuamos a utilizar categorias antigas para os compreender. Temos novas formas de relação, mas continuamos a estudar algumas relações como se fossem as únicas relevantes. Temos novas formas de sofrimento, mas continuamos, demasiadas vezes, a procurar apenas aquilo que já sabemos diagnosticar. Temos inteligência artificial, mas ainda a discutimos sobretudo como ferramenta, quando ela está a transformar o próprio modo como as pessoas pensam, comunicam e procuram ajuda. Temos neurodiversidade, mas continuamos a discutir normalidade como se fosse uma realidade evidente. Temos uma crise de saúde mental, mas continuamos a perguntar sobretudo como tratar indivíduos, quando precisamos também de perguntar que sociedades estamos a construir.
E temos psicólogos. Muitos. Competentes. Especializados. Dedicados. Mas estaremos suficientemente preparados para pensar colectivamente? Esta talvez seja a pergunta mais desconfortável de todas.
Onde está a reflexão global da Psicologia sobre o seu próprio futuro? Onde estão os grandes debates interdisciplinares? Onde está a discussão sobre aquilo que a profissão deverá ser daqui a vinte anos? Onde está a coragem para questionar currículos, modelos, práticas e pressupostos?
Não basta aumentar o número de psicólogos se continuarmos a formar profissionais para responder predominantemente ao mundo de ontem. Não basta criar novas especializações se não discutirmos a arquitectura global da profissão. Não basta produzir investigação se ela não conseguir dialogar com as grandes transformações humanas do nosso tempo. Não basta falar de inovação se a inovação significar apenas colocar tecnologia sobre modelos antigos.
Precisamos de uma Psicologia capaz de se reinventar sem se perder. Uma Psicologia cientificamente rigorosa, mas epistemologicamente inquieta. Uma Psicologia capaz de reconhecer os limites dos seus próprios modelos. Uma Psicologia que compreenda a pessoa dentro dos contextos onde vive. Uma Psicologia que não tenha medo de dialogar com a filosofia, a sociologia, a economia, a tecnologia, a educação, a política e as ciências da saúde. Uma Psicologia que não confunda rigor com imobilismo, nem tradição com verdade. Uma Psicologia que não veja a mudança como ameaça à sua identidade, mas como condição da sua sobrevivência.
Porque a pergunta não é apenas, que Psicologia temos. A pergunta é, que Psicologia estamos a construir. E talvez seja ainda mais urgente perguntar, que Psicologia precisa o ser humano que estamos a tornar-nos.
A resposta não pode ser dada apenas pelos psicólogos. Mas também não pode ser dada sem eles. Por isso, talvez esteja na altura de voltar ao princípio, à pergunta que parece simples, mas que pode obrigar toda uma profissão a repensar-se: Psicologia, para que te quero?
Talvez a resposta seja: quero-te para compreender o humano. Mas, para isso, terás primeiro de ter coragem para compreender que o humano mudou. E que talvez esteja na hora de mudares também.





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