Predizer o autismo

Não é de agora que as pessoas procuram saber o que se passa consigo. Sempre foi uma necessidade presente em todos nós. Talvez a forma de procurar saber as respostas para essas mesmas perguntas é que se foi alterando. E com a introdução da internet nas nossas vidas a mudança foi vertiginosa. Se antes perguntávamos à vizinha do 2º esquerdo que tinha um filho a estudar para farmacêutico em Lisboa, ou então ao senhor Raúl do fundo da rua que já tinha tido todo o tipo de maleitas que se tinha tornado um poço de sabedoria, até porque tinha escapado com vida a todas elas e já contava com 89 anos. Hoje em dia, quando queremos saber o que se passa com a nossa saúde e procurar compreender os nossos comportamentos vamos ao Google - questionário autismo adultos e carregamos no Enter. Não precisamos de esperar muito para nos aparecer o primeiro site - www.autismonoadulto.com. Curiosamente aparece logo este site. O que faz todo o sentido e o algoritmo sabe disso. E se clicarmos na proposta, quando entramos no site e andamos a fazer a nossa pesquisa, percebemos que há na primeira página a possibilidade de fazer o rastreio para a Perturbação do Espectro do Autismo. Se clicarmos vamos ser redirecionados para um questionário e podemos ficar a saber um pouco mais acerca de algumas das nossas dúvidas. Nomeadamente, será que eu tenho autismo ou não!! Mas se andarmos na pesquisa do Google um pouco mais para baixo verificamos mais algumas propostas - "50 questões para autismo em adulto" ou "traços autistas em adultos: Faça um teste", etc. Cinquenta questões e fico a saber se sou autista? Será assim tão fácil?, perguntar-se-ão muitos. E há mais do que um teste? E se sim, qual é que eu devo fazer?, perguntar-se-ão outros. Um dos questionários mais frequentemente recomendado, até pela validade do próprio instrumento é o Questionário do Quociente do Espectro Autista [Autism Spectrum Quotient (AQ), Baron-Cohen et. al] que tem a versão completa com 50 questões e um formato mais abreviado com apenas 10 questões. Mas também existe o SRS-A [Social Responsiveness Scale - Adults, Cosntantino & Gruber]. E depois encontramos alguns outros quiz que foram feitos por leigos e que não reflectem a utilização de uma metodologia cientifica na validação do instrumento, e como tal não devem ser usados em circunstância alguma. Mas voltando a algumas das questões anteriores que as pessoas costumam colocar com frequência. As pessoas que preenchem o Questionário Quociente do Espectro Autista não ficam a saber se são autistas ou não. O instrumento em questão serve para fazer um rastreio. Ou seja, caso as pessoas apresentem determinado resultado ou acima desse, podemos dizer que há indicação para a pessoa fazer uma avaliação mais detalhada para despistar uma Perturbação do Espectro do Autismo. E porquê?, dirão alguns. Porque responderam a um conjunto de questões e o resultado mostra que as suas respostas apresentam uma tendência para haver comportamentos semelhantes aqueles observados nas pessoas com uma Perturbação do Espectro do Autismo. Ou seja, seu eu der esse mesmo questionário a ser preenchido por uma pessoa autista, o resultado obtido no questionário vai corroborar o diagnóstico clinico realizado à pessoa através de uma conjunto de consultas realizadas para observar o comportamento da pessoa e recolher informação clínica relevante. É verdade que no Espectro do Autismo sabemos da probabilidade de existirem outras perturbações psiquiátricas associadas. E algumas delas até apresentam traços comportamentais semelhantes aos observados no Espectro do Autismo. E como tal pode haver pessoas que preenchem o questionário e podem apresentar determinados resultados mas que na verdade a avaliação mais detalhada pode demonstrar que a pessoa apresenta um outro diagnóstico que não do Espectro do Autismo, ainda que algumas das questões respondidas possam ser compatíveis com comportamentos observados no Espectro do Autismo. Como tal, o processo não é fácil, tal como possa ser pensado por alguns. Não basta apenas responder ao questionário e aguardar a resposta. Até porque esse caminho e quando bem realizado apenas nos demonstra que caminho devemos continuar a percorrer para perceber melhor o que se passa. E por mais que hoje se fale em TelePsicologia, o diagnóstico para a Perturbação do Espectro do Autismo continua a ser clínico e isso implica o encontro de duas pessoas.


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