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Pegar o touro pelos cornos

Não sou aficionado das touradas. Mas sinto um certo respeito pela capacidade dos grupos de forcados em enfrentarem o touro na arena com as suas próprias mãos. À parte destas faenas, no espectro do autismo em Portugal há muito que nos deparamos com "esta tourada" de não se saber o número de pessoas com este diagnóstico. O último estudo realizado foi a tese da Dra. Guiomar Oliveira em 2005 - "Epidemiologia do autismo e Portugal - Um estudo de prevalência da perturbação do espectro do autismo e de caracterização de uma amostra populacional de idade escolar". Desde então nada mais se sabe. E em relação aos adultos autistas muito menos. Pois bem, dizem que de Espanha nem bons ventos nem bons casamentos, certo? Mas não é verdade! E o ultimo estudo sobre a prevalência do autismo na Catalunha é um exemplo disso.

Os estudos de prevalência tem sido primordialmente realizados nos EUA mas também no Reino Unido. Ainda assim, continuam a ser muitos os que dizem que a realidade "deles" é muito diferente da nossa e por isso parece existir algumas reservas na transposição da sua realidade para a nossa. Mas com este estudo realizado na Catalunha penso que a "desculpa" passará a cair por terra. Curiosamente, a primeira estimativa rigorosa do autismo na Catalunha, encontrou uma prevalência em pé de igualdade com a dos Estados Unidos. Sendo que a prevalência mais recente encontrada neste país (EUA) é de 1 em 40 e baseia-se em 88.530 crianças de 3 a 17 anos.

A prevalência relatada na Catalunha, com base em cerca de 1,3 milhão de crianças, foi de 1 em 81 em 2017 e aumentou constantemente nos nove anos anteriores, segundo o novo estudo. A prevalência de PEA em 2017 foi estimada em 1,23%, com um rácio respeitante ao sexo de 4,5 (rapaz: rapariga) e com a maior prevalência observada em crianças de 11 a 17 anos. A incidência de novos casos diagnosticados com PEA aumentou significativamente entre 2009 e 2017, de 0,07% para 0,23%, com um aumento maior nas raparigas e, principalmente, naquelas de 2 a 5 anos no momento do diagnóstico. Também observaram diferenças na prevalência de PEA entre regiões geográficas em 2017, mas não na incidência anual de diagnóstico ao longo do período estudado. Quando estratificadas por sexo e faixa etária, não houve diferenças significativas entre as regiões geográficas na incidência anual de diagnóstico durante o período do estudo.


Apesar das diferenças rapaz-rapariga manter uma diferença que parece não corresponder à realidade clínica observada por muitos. Ainda assim, é de notar o aumento no número de diagnósticos nas raparigas e em idades mais precoces.


No caso dos adultos e quando em 2011 o estudo realizado no Reino Unido por Brugha e colaboradores refere que 1 em cada 100 adultos pertence ao espectro do autismo. Mais uma vez foram muitos aqueles que pensaram que a realidade em Portugal haveria de ser diferente, até porque as características são diferentes. Ou que esta nova epidemia do autismo como tem sido rotulada pode ser um enviesamento de alguns profissionais e clínicas que vêm espectro do autismo em tudo o que é comportamento. Estou certo que o número de adultos diagnosticados com Perturbação do Espectro do Autismo em Portugal ainda está longe deste 1 para cada 100 e ainda mais distante do 1 em cada 40. Mas agora que temos os dados da Catalunha vamos dizer o quê? De Espanha nem bons ventos nem casamento?

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