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Num cinema perto de si

Apesar de sabermos que os cinemas estão fechados e a industria cinematográfica estar a funcionar a meio-gás, não é por isso que deixamos de saber o que se vai passando neste mundo. O mesmo ou algo semelhante também acontece no Espectro do Autismo. Apesar de muitos de nós pensarmos que esta condição apenas existe na infância e outros que pensam que os adultos autistas são pessoas com pouco nível de funcionalidade. O certo é que há muitas pessoas, que após ouvirem falar das características da pessoa autista adulta, que referem ter a percepção de conhecerem pessoas adultas que se parecem enquadrar no perfil de funcionamento de uma pessoa autista. E que isso acontece em vários contextos, desde os menos ao mais diferenciados. E em relação aos mais diferenciados não me estou a querer referir aquelas pessoas conhecidas (e.g., Isacc Newton, Albert Einstein, Steve Jobs, Elon Musk, Dan Akroyd,, Susan Boyle, Darryl Hannah, etc.). Mas sim, a muitas pessoas que estão em posições diferenciadas mas que ainda assim continuam anónimas, seja porque ainda não têm o diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo. Mas aqueles que o têm, parecem ter alguma dificuldade em assumir a sua condição perante os seus pares. Além de termos ainda uma comunidade cientifica que parece demonstrar pouco interesse em procurar estudar as pessoas com esta condição e que trabalham na Academia. Isso mesmo, homens e mulheres que são professores universitários e que têm um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo, ou que desconfiam que possam apresentar traços em número suficiente. Cada vez mais sabemos que o número de alunos com diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo ingressam no Ensino Superior. Sendo que sabemos que um número significativo de pessoas adultas, com mais de 40 anos, poderão ter este diagnóstico sem que o saibam. Afinal, o diagnóstico de autismo apenas entrou na DSM-III por volta de 1980. E apenas actualmente se vai procurando compreender o percurso de vida das pessoas autistas ao longo do ciclo de vida, nomeadamente na passagem para a vida adulta e ao longo desta. E se pensarmos que 1 em cada 100 pessoas adultas apresenta um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo é expectável que possamos encontrar algumas pessoas com esta condição a trabalhar na Academia. E não é por acaso que algumas das pessoas que eu acompanho e que estão a frequentar o Ensino Superior digam que têm alguns professores que também eles parecem apresentar características semelhantes às suas. Da mesma forma que quando faço alguma ação de sensibilização nas Universidades e estão presentes docentes do Ensino Superior, é muito frequente que façam menção a que conhecem alguns colegas que parecem enquadrar-se nas características do Espectro do Autismo. Tal como vamos tendo conhecimento daquilo que são as necessidades dos alunos autistas que ingressam no Ensino Superior. Seja das dificuldades na interacção social com os pares e que pode implicar negativamente na realização dos trabalhos de grupo, mas também nas maiores dificuldades em conseguirem organizar e gerir os prazos de realização dos trabalhos académicos, entre outras. Também devemos antever que os professores universitários com esta condição também possam ter todo um conjunto de características semelhantes, sejam competências e dificuldades que se traduzem em necessidades diárias e que precisam de ser conhecidas e integradas.


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