Libertem-se

Hoje celebram-se 46 anos após o primeiro 25 de abril de 1974. Uma data importante não somente pelo seu significado histórico e cultural e por representar a saída do Estado Novo. Mas também por representar todos os dias ao longo destes quarenta e seis anos uma luta constante pelos nossos direitos, de todos nós. As pessoas com um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), assim como tantos outros com uma perturbação mental, continuam ao fim destes anos todos a ter de lutar para serem considerados como iguais, cidadãos de direitos & deveres iguais. Pessoas que desejam participar na construção das suas vidas, de forma autónoma e independente. E que com isso possam participar na construção de uma Sociedade melhor, não somente para si, mas para todos nós. E que ainda hoje se deparam com o peso do estigma de terem um diagnóstico. A marca da incompreensão gerada pela ignorância e o desconhecimento de muitos sobre as perturbações mentais de uma forma geral e do Espectro do Autismo de uma forma específica.

Ao longo da sua vida a pessoa com um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) aprende que tem de fazer tudo comparativamente aos outros sempre com mais esforço. Seja porque algumas das suas características lhe trazem algumas dificuldades. Mas principalmente porque a forma para ter de fazer essas mesmas coisas poderiam ser adaptadas e não o são. Ou precisa de ser demonstrado e provado de que a pessoa em questão precisa dessa adaptação. É como se alguém com febre tivesse que estar sistematicamente a demonstrar e provar que precisa de ficar deitado a repousar. E sentir que ainda assim vai continuar a haver pessoas que parecem discordar. Se falarem com um estudante com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) ou os seus pais vão ouvir várias histórias dessas. De Escolas ou de Professores que não acreditam nos seus diagnósticos e que não aceitam ter de fazer as adaptações necessárias.


E ao longo destes anos de escola vai igualmente sentir que muitos dos seus colegas, seja nos intervalos ou fora dos períodos de escola parecem igualmente ter dificuldades em os compreender. Continuam a ser muito frequentemente vitimas de bullying e momentos de humilhação. E sentem que é sempre muito difícil explicar que são apenas crianças e jovens que fazem e sentem coisas diferentes. Como todos os outros. E igualmente sentem que é muito difícil que os outros compreendam. Como se não estivessem sensibilizados pelas suas famílias para a importância do respeito pela diferença.


E estas dificuldades vão continuando a ser sentidas ao longo da vida. No acesso à continuação do estudos a nível do Ensino Superior. Onde continuam a sentir necessidade de continuar a comprovar aquilo que é a sua forma de ser como se fosse um deficit para que os outros possam fazer algumas adaptações. E logo depois sintam novamente a dificuldade em entrar no mercado de trabalho. Mesmo que sejam pessoas capazes e que fizeram uma determinada formação adequada. Continuam a ser vistos e avaliados por um conjunto de sinais que os outros não autistas não compreendem e sinalizam como sendo prejudiciais ao desempenho de alguma tarefa. E como tal vedam a possibilidade da pessoa poder ser autónoma e independente. E poder fazer aquilo que qualquer pessoa adulta gostaria de fazer - poder sair de casa dos seus pais, ter um espaço seu e poder construir o seu projecto de vida. Se ter de continuar sistematicamente a provar a todos que aquilo que são as suas características, que fazem parte da sua identidade, são um deficit para que os outros os possam aceitar, mas sempre com determinadas reservas.


Ontem, hoje e amanhã continua a ser fundamental devolver às pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) e às pessoas com uma perturbação mental os seus direitos. Direitos estes que são iguais aos direitos que eu e você também temos. Não são nem têm de ser direitos especiais para ninguém. São direitos de todos nós. E isso é o que os faz ser especiais. Porque nos devolvem a possibilidade de sermos cidadãos autónomos e independentes, responsáveis pelo nosso projecto de vida mas também pelo outro na medida do respeito que devemos por todos eles na sua singularidade.

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