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Let's look at the trailer

Das curtas às longas-metragens, dos filmes a preto e branco aos de animação passando pelos de terror… a conversa promete. Não é apenas com Lauro António que a conversa promete. Quando procuramos olhar para o "trailer" do Autismo o que não nos falta são motivos de conversa à boleia das ilusões perceptivas causadas pelas diferentes perspectivas que cada um de nós opta por ter.

São muitos os que já se questionaram sobre a maneira como o autista pensa o mundo e os fenómenos que ocorrem em seu redor. São muitos os que já investigaram e construiram teorias acerca da maneira como o autista processa a informação acerca de si próprio, do outros e dos acontecimentos. Um bom exemplo disso é a designada Teoria da Mente que nos descreve acerca da dificuldade do autista em intuir acerca dos sentimentos e pensamentos que a outra pessoa com quem interage pode estar a ter. É um forma muito rudimentar mas serve o propósito de enquadrar.


Mas o quanto facil e/ou dificil é ler a mente do autista? O quanto bem um adulto não autista consegue interpretar estados mentais de pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA)? Esta questão é fundamental, uma vez que a tónica muito frequentemente é colocada na dificuldade do autista e não na dificuldade do não autista! O não autista ao não conseguir interpretar ou interpretar incorrecta ou enviesadamente a intenção, atitude ou comportamento do autista com quem interage isso também irá condicionar a sua resposta. E isso também me parece ser um facto que importa pensar e investigar.


É aqui que as ilusões perceptivas e ópticas começam a entrar. A nossa forma de processar a informação está rodeada de alguns enviesamentos. Devido a nós próprios e às nossas caracterísiticas. Os outros, o contexto, etc. Como tal, a nossa mente pode engarnar-nos. Quantas vezes não estavamos certos de estar a ver uma jovem mulher quando outras pessoas diziam que se tratava de uma velha. Depende muito para onde diriges e concentras a tua atenção. Aqui falamos de ilusões ópticas que funcionam usando certos truques visuais que exploram certas suposições dentro da percepção humana. A própria imagem é a ilusão. Mas a ilusão perceptiva não é um fenómeno óptico, mas sim antes um fenómeno cognitivo. A ilusão ocorre na maneira como o nosso cérebro processa os dados visuais que são transmitidos ao cérebro.


Os não autistas parecem avaliar de forma mais negativa os autistas do que os não autistas em condições semelhantes. Sendo que esta diferença parece ser melhor explicada pela dificuldade que os não autistas têm em compreender os autistas. Ainda assim parece que os autistas são avaliados como igualmente expressivos comparado com os não autistas. O que contraria a ideia vigente. O facto de os autistas não serem compreendidos e serem avaliados de maneira mais negativa pode ser explicado de duas maneiras. Quando se interage com outra pessoa sentimos que a podemos compreender bem e isto irá resultar numa associação a uma maior recompensa com essa mesma pessoa gerando um manior sentimento de atração interpessoal. Por outro lado, uma pessoa que é dificil de compreender é, por definição, alguém que não é transparente. Uma pessoa dessas será alguém não predizivel, que não assegura confiança e incompreensível. Uma possibilidade para ajudar a explicar esta dificuldade dos não autistas poderá ser o facto dos autistas apresentarem comportamentos estereótipados nas várias situações. No entanto, será importante poder verificar se a atribuição feita pelos não autistas se mantem consistente para ajudar a comprovar essa suposição.


Ou seja, a dificuldade encontrada nos não autistas em compreender os autistas irá aumentar a dificuldades já existentes nos autistas. Como tal, penso ser importante ajudar os não autistas a aprender como se comporta um autista. Não esquecendo que o autista ao longo do seu desenvolvimento vai ele próprio mudando.

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