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Just another demo on autism (Ft. Dj PEA)

Everybody say yeah! Everybody say yeah-yeah! Everybody say ho! Everybody say ho-oh!


Nunca tive jeito para a música apesar de gostar de a ouvir. Como tal vou dedicar-me a algo que penso fazer melhor. No espectro do autismo é comum observarmos comportamentos motores, verbais e outros mais ou menos complexos. Há quem diga que isso acontece porque as pessoas com PEA estão ansiosas. Outros porque estão contentes. E outros não o sabem. Um pouco como as covers das músicas.

São muitas as pessoas que quando ouvem a palavra espectro do autismo activam imediatamente a imagem de uma criança a baloiçar de trás para a frente repetidamente e sem parar ou sequer responder a um comando verbal para parar. Não é o único comportamento repetitivo possível de ser observado. Por vezes verificamos que algumas crianças ou jovens pressionam os olhos com as pontas dos dedos polegares durante algum tempo. E depois ficam a ver o efeito causado por aquele comportamento, ou seja, ficam literalmente a ver estrelas. Muitos de nós já experimentaram esse efeito por exemplo quando acordam e esfregam os olhos com alguma pressão, certo?


Este comportamento de auto estimulação (stimming) é a repetição de um comportamento fisico, motor, sons, mover objectos de um lado para o outro, etc. Há pessoas dentro do espectro do autismo que se lembram de ter este tipo de comportamento desde sempre. Mesmo agora enquanto adultos sentem que não poderiam passar muito tempo sem poderem realizar este mesmo comportamento de auto-estimulação. "Por vezes sinto uma urgência tremenda em passar a minha mão por uma parede mais ou menos lisa. Agora sei que as pessoas iriam achar um comportamento estranho e por isso procuro disfarçar ou faze-lo quando estou num lugar sozinho!", refere o Zé Carlos (nome fictício). "Mas em criança fazia esse e outros comportamentos por vezes horas sem parar, mesmo que as pessoas estivessem a ralhar comigo.", acrescenta.


Agora com 46 anos, Zé Carlos não consegue imaginar ficar nem uma hora sem piscar. E em ambientes barulhentos e movimentados, como no metro que tem de apanhar todos os dias para ir para o trabalho, ele acalma-se balançando dobrando-se. E quando ele visita um lugar favorito, como uma livraria ele pula para cima e para baixo de emoção, e bate as mãos. Este comportamento de auto estimulação ajuda-o a sentir-se focado quando está ansioso ou sobrecarregado, mas também é uma maneira de expressar a sua alegria, fascínio ou emoção. Zé Carlos para além de ter um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo tem Síndrome de Tourette e Perturbação Obsessivo Compulsiva.


Estes comportamentos apesar de serem descritos e compreendidos de uma forma positiva pelo Zé Carlos não significa que o fossem ou sejam pelos outros, porque não o foram nem são. Ele lembra que quando andava na escola era muito frequente os professores dizerem que aqueles comportamentos eram desajustados ou inadequados e que não os deveria fazer. E algo semelhante acontecia com os seus colegas. Muito frequentemente lhe diziam para parar de estalar os dedos ou de batucar com algum objecto na mesa porque os estava a incomodar. Ao fim de alguns anos o Zé Carlos conseguiu encontrar outros adultos com PEA e que também tinham este tipo de comportamento de auto-estimulação e aprendeu com alguns deles a olhar para os seus comportamentos de uma forma bastante mais positiva e aceitante.


Os comportamentos restritos e repetitivos são uma característica central do autismo e incluem não apenas movimentos repetitivos, como bater as mãos, mas também um intenso interesse em tópicos específicos - como horários ou mapas de comboios, apenas para dar alguns exemplos - e dificuldade em alterar rotinas. A maioria dos cientistas ao longo da história foi olhando para este conjunto de comportamentos e interpretando-os como algo usado para eliminar ou pelo menos minimizar - especialmente se isso parecesse prejudicar a vida quotidiana de uma criança. Contudo já são bastantes os estudos que olham para este comportamento de auto-estimulação a partir de uma outra perspectiva. E atribuem-lhe outros significados, como por exemplo, a possibilidade de as pessoas com PEA poderem aliviar a sua sobrecarga devido à imersão sensorial. Ou a terem comportamentos de ajustamento para com a ansiedade sentida ou expressar alguma emoção.


Atendendo a que durante muito tempo estes comportamentos foram olhados de uma perspectiva disruptiva e disfuncional foram muitas as estratégias de intervenção, nomeadamente integrado no modelo ABA, que procuram e ainda procuram eliminar e reduzir estes mesmos comportamentos. Apesar de tudo, são cada vez mais os terapeutas, mesmo dentro do modelo ABA que procuram dar orientações para que alguns dos comportamentos possam ser substituidos por outros mais adaptativos. Ainda assim, são muitas as pessoas com PEA que se insurgem contra a ideia de haver uma terapia que procure irradicar ou diminuir estes seus comportamentos. Do lado da ciência, são cada vez mais os trabalhos que procuram olhar para estes mesmos comportamentos com o intuito de os compreender. Não apenas na sua génese mas também ao longo de todo o desenvolvimento numa perspectiva funcional para o próprio.

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