Identidade na ponta dos dedos

O que é que os pais pensam acerca do diagnóstico de autismo dos seus filhos? Não somente se sabem ou não o que é o autismo, mas também o que sentem sobre o autismo nos seus filhos pode significar! E como é que esta representação que fazem do autismo nos seus filhos influencia a forma como abordam esta questão com os seus filhos no quotidiano? É frequente observar que no momento do diagnóstico de autismo dos seus filhos e até mesmo durante algum tempo mais, muitos pais debatem-se com a sensação de que o autismo é algo exterior aos seus filhos. E muitas vezes isso leva-os a encarar que aqueles comportamentos apresentados, principalmente aqueles que sentem maiores dificuldades em lidar devem ser eliminados. E tudo isto leva os pais a sentirem um aumento nos seus níveis de angustia e ansiedade. E sabe-se que as crianças, principalmente as crianças autistas são bastantes vulneráveis e permeáveis à ansiedade dos pais. O que nos leva a pressupor que a forma como os pais integram o diagnóstico dos seus filhos é fundamental, não somente para os pais mas também para os seus filhos. Mas ainda assim, são muitos os pais que se perguntam sobre quando e como é que devem dizer aos seus filhos que têm um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo. E este facto parece ter um impacto directo no facto dos pais abordarem no diálogo habitual com os seus filhos, aquilo que ambos sentem sobre o autismo. E de que forma é que esta abordagem irá moldar a visão que os adolescentes autistas vão construindo acerca da sua pessoa? Não são raras as vezes que alguns adolescentes, mas também crianças e adultos referem que a sua família parece não os compreender, e que se referem frequentemente a si a partir dos seus comportamentos que são vistos como problemáticos. E quando observamos que em algumas famílias a abordagem ao autismo é feito de um modo mais sereno e partilhado com todos, a visão que o jovem autista tem de si é mais positiva. E também não são raras as vezes em que as pessoas descobrem o seu diagnóstico apenas no final da adolescência ou na vida adulta, sendo que os seus pais já o sabiam desde a infância. A situação é sentida de uma forma bastante agressiva e incompreensível por parte dos filhos. Ainda que na maior parte das vezes aquilo que está na base desta situação seja o facto dos pais sentirem que os seus filhos não irão ter capacidade para compreender e/ou lidar com o diagnóstico. No entanto sabemos que os jovens autistas em que os pais falam mais abertamente sobre o autismo em casa reconhecem em si competências e forças, ao invés de olharem apenas para as suas dificuldades e fraquezas. Parece-nos fundamental no processo de diagnóstico de uma Perturbação do Espectro do Autismo, ajudar a criança e o jovem, mas também os pais a compreender do que estamos a falar. Principalmente do que estamos a falar para além das características comportamentais e dos critérios de diagnóstico. É fundamental falar das fraquezas mas também das forças, sejam daquelas que já existem mas também daquelas que podem ser construídas. E de como todos podem ajudar nesse processo. Será importante compreender que da parte dos pais também haverá dificuldades, principalmente angustias em relação ao diagnóstico, e como tal, que se vai traduzir na dificuldade em falar sobre ele de uma forma aberta e serena. Sabemos que os pais sentem essa angustia e devemos ajuda-los a caminhar nesse processo de compreensão e aceitação, para que eles próprios possam integrar na sua vida essa informação. Até porque sabemos que o facto de não o saberem vai determinar a forma mais negativa de como se percepcionam e constroem a sua identidade, ficando muito mais vulneráveis aquilo que os outros irão dizer sobre si.


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