For those about to stim, we salute you

"- Por vezes não sei onde ponha as mãos!", dizem-me frequentemente. Sejam estudantes ou não, mais novos e mais velhos, parece ser uma sensação muito igual. O stimming, enquanto comportamento repetitivo, é feito como forma de auto-estimulação sensorial. Ainda são muitos aqueles que com uma Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) procuram esconder ou travar a ocorrência destes mesmos comportamentos, pelo menos quando estão num ambiente social. Mas também há muitos outros que não sendo do espectro do autismo reagem de forma mais negativa face a estes comportamentos, pedindo inclusive para que eles não sejam realizados. Estes comportamentos sejam mais ou menos complexos parecem servir um determinado propósito. Mas é fundamental ajudar uns e outros a compreender a importância da sua existência e o respeito pelos mesmos.

Não sei como é com vocês mas eu gesticulo muito as mãos quando estou a falar. Não tanto como os meus amigos Italianos, contudo. Ou quando era mais novo e estava a fazer alguma tarefa em que necessitava de maior concentração costumava batucar com uma caneta na mesa. Comportamento que quando ocorria no dia dia teste me era pedido para parar, ou então ficavam a olhar mais de lado para mim. Já para não falar quando esperava tempo infinito pelo autocarro chegar sentado no banco da paragem e a minha perna esquerda ficava a baloiçar para a frente e para trás. Já outros colegas meus faziam tremer a perna contra a mesa na aula o que chegava a incomodar mais do que o batucar da minha caneta, confesso. Na verdade, se dermos atenção, muitos de nós já tiveram ou têm um conjunto de estes e outros comportamentos motores e que por vezes assumem um carácter mais repetitivo. Ainda assim, isso pode não querer dizer nada para além do comportamento em si ou da situação que acaba por enquadrar a sua ocorrência. Mas na Perturbação do Espectro do Autismo (PEA), as coisas são diferentes.


Os interesses restritos e comportamentos repetitivos constituem um dos dois critérios que definem a Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) na DSM 5. Mas este domínio abrange uma ampla gama de características que podem aparecer numa variedade de combinações e com diferentes gravidades entre pessoas com autismo.

Mas o que são estes comportamentos repetitivos? Os cientistas categorizam comportamentos repetitivos em dois grupos. Os chamados comportamentos repetitivos de "ordem inferior", que são fundamentalmente movimentos como bater as mãos, mexer nos objectos ou balançar o corpo e vocalizações ou repetir de certas frases. Os comportamentos repetitivos de "ordem superior" incluem traços de autismo, como rotinas e rituais, insistência na igualdade e interesses intensos.


Muitos perguntam-se se estes comportamentos são exclusivo do autismo? E a resposta é não. Os comportamentos motores repetitivos também são vistos em outras condições do neurodesenvolvimento. Por exemplo, muitas meninas com síndrome de Rett constantemente torcem ou fecham as mãos. Os comportamentos repetitivos também são característicos da PHDA, POC e Esquizofrenia. Mas eles também fazem parte do desenvolvimento típico. Os bebés e crianças típicas podem chutar as pernas repetidamente, balançar para frente e para trás enquanto brincam ou batem as mãos em emoção.


Considera-se cada vez mais que esses movimentos são importantes para ajudar as crianças a entender como seu corpo funciona e a desenvolver movimentos voluntários coordenados. Esses movimentos repetitivos iniciais podem ser mais intensos em pessoas autistas e persistirem muito além da infância. Dito isto, mesmo adultos típicos podem exibir movimentos repetitivos, como agitar uma perna, tamborilar os dedos em uma mesa ou mastigar a tampa de uma caneta quando se procuram concentrar. Eles também podem ter um interesse intenso em uma banda ou equipa desportiva específica, como as pessoas autistas fazem com os horários dos comboios ou taxonomia de borboletas.


Como é que o stimming se relaciona com os comportamentos repetitivos? Um subconjunto de movimentos repetitivos, como girar, bater as mãos ou vocalizar, às vezes é chamado de stimming. É uma abreviação de comportamento autoestimulador, um termo clínico adoptado por algumas pessoas autistas.


Os comportamentos repetitivos têm uma função além da autoestimulação? Ainda há pouca investigação disponível para responder a essa pergunta. Alguns pesquisadores têm sugerido que os comportamentos repetitivos oferecem às pessoas autistas uma forma de se isolarem ou protegerem do mundo exterior. Outros sustentam que os comportamentos não têm função e simplesmente reflectem um sistema nervoso com algum nível de desorganização. Nos últimos anos, no entanto, as pessoas autistas descreveram uma ampla variedade de funções que seus comportamentos repetitivos servem. Às vezes, eles dizem que, envolver-se nesses comportamentos parece ser uma coisa boa. Além disso, os comportamentos repetitivos podem oferecer a essas pessoas uma forma de acalmar a sua ansiedade, gerar ou manter a consciência de seus corpos, aumentar o nível de concentração ou lidar com sensações ou emoções esmagadoras. Eles também podem ajudar pessoas autistas a comunicar seu estado mental ou emocional a outras pessoas. O mesmo comportamento pode servir a propósitos diferentes em pessoas diferentes, ou mesmo na mesma pessoa em momentos diferentes, dependendo da situação ou do humor. Os comportamentos repetitivos podem ser prejudiciais? Às vezes os comportamentos repetitivos intensos ou constantes impedem as pessoas autistas de se envolverem em actividades importantes, como a aprendizagem na escola. Ocasionalmente, eles podem resultar em danos a outras pessoas ou em danos pessoais, como quando uma pessoa bate repetidamente com a cabeça na parede. Além desses danos, os comportamentos repetitivos podem distrair outras pessoas ou, se percebidos como estranhos por outras pessoas, podem ter consequências sociais para as pessoas autistas, dificultando a amizade e o emprego. Como gerir da melhor forma os comportamentos repetitivos? Não existem métodos confiáveis ​​para tratar comportamentos repetitivos no autismo. Durante muitos anos, os médicos concentraram-se em eliminar os comportamentos repetitivos em pessoas com autismo. Isso às vezes envolvia métodos extremos, como prescrever drogas antipsicóticas poderosas, dar uma palmada nas crianças ou administrar choques eléctricos quando elas se envolviam nesses comportamentos. Muitos médicos agora questionam se os comportamentos ainda requerem intervenção, a menos que resultem em danos físicos à pessoa autista ou a outros. Quando um comportamento está a distrair ou impedir uma pessoa autista de participar na escola ou outras actividades, os médicos podem tentar identificar a função do comportamento. Se girar em círculos na sala de aula ajuda uma criança autista a aliviar a sua ansiedade, por exemplo, seu médico pode tentar encontrar maneiras de minimizar a ansiedade ou sugerir outro comportamento calmante que seja menos perturbador. No caso de comportamentos que outras pessoas consideram estranhos, as pessoas autistas podem precisar de ajuda para desenvolver estratégias para adiar o envolvimento nesses comportamentos até que estejam sozinhos ou com pessoas que não julgam.

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