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Espectro dos dialectos

Aa Perturbações do Espectro do Autismo apresentam uma grande heterogeneidade na expressão das suas características comportamentais. As diferenças nos rapazes e raparigas com este diagnóstico tornam ainda mais visível estas diferenças. Como em qualquer outro comportamento importa atender à variável cultura na tentativa de compreensão dos fenómenos psicopatológicos e o Autismo não foge à regra.

É comum verificarmos nos últimos anos uma expressão multicultural mais alargada nas Escolas e na Sociedade de uma maneira geral. A estreita ligação com África, Brasil, mas também mais recentemente a crescente facilidade de comunicação entre pessoas de todo o mundo e a maior mobilidade humana têm aumentado a expressão de Portugal como uma Sociedade multicultural, composta de pessoas de diferentes origens, religiões, costumes, identidades, etc.


A intensificação deste fluxo migratório faz emergir dimensões novas em vários domínios, nomeadamente na Educação e na Saúde. Se, no caso da Educação, a problemática da multiculturalidade tem tido uma resposta sistemática, ainda que insuficiente. No campo da saúde e mais especificamente na saúde mental as respostas ainda são escassas e agravam a condição de saúde das pessoas e dos respectivos grupos familiares já por si debilitadas.


A saúde mental pode ser considerada especial em grande parte devido à maior vulnerabilidade do paciente imigrante, a necessidade de detenção de competências culturais e interculturais por parte dos prestadores de cuidados, seja na dimensão pessoal e profissional, seja mesmo na dimensão institucional e organizacional.


No caso do Autismo, apesar de verificarmos que alguns traços comportamentais se mantêm estáveis a nível transcultural, também é verdade que outras características, parecem ser específicas para determinadas culturas. Se no primeiro caso poderíamos considerar instrumentos de avaliação e critérios universais para o seu diagnóstico. No segundo caso o mesmo já não é tão certo.


O Autismo continua a não ser diagnosticado com a devida frequência em certos países. A maioria dos instrumentos de rastreio e de diagnóstico que foram aferidos para as Perturbações do Espectro do Autismo os estudos foram realizados com população da Europa e América do Norte, e como tal são baseados em normais culturais Ocidentais.


Por exemplo, é comum verificarmos que em certas zonas de África, que as crianças não estão habituadas a realizar determinados costumes (e.g., cantar os parabéns ou soprar as velas do bolo). Há comportamentos bastante integrados na cultural Ocidental e que são expectáveis enquanto comportamentos normativos e que a sua ausência pode denunciar algum deficit. Quando em alguns instrumentos de observação comportamental no diagnóstico de Autismo (e.g., ADOS-2) há tarefas que procuram avaliar este comportamento de cantar os parabéns ou soprar as velas do bolo a tarefa em si parece não estar adequada culturalmente.


Isto não quer significar que os instrumentos não sejam válidos para o rastreio ou diagnóstico de uma Perturbação do Espectro do Autismo. Mas significa que enquanto profissionais de saúde e que usamos estes instrumentos e avaliamos e/ou acompanhamos crianças, jovens e adultos de oriundos de outros países e culturas precisamos de ter em atenção estas outras expressões e representações culturais de determinados comportamentos.


Outros estudos realizados com população do Japão tem observado que os pais parecem perceber o desinteresse dos seus filhos pelos seus pares como sendo timidez, traços comportamentais valorizados na cultura na cultura Japonesa. Mas que podem ser sinalizados como sendo comportamentos típicos de serem observados numa pessoa com Perturbação do Espectro do Autismo.


Os desafios colocados pela multiculturalidade e interculturalidade, mas também pela forma como os traços do Espectro do Autismo se manifestam diferentemente nas mulheres comparativamente aos homens. E até mesmo como as características comportamentais no Espectro do Autismo se vão transformando ao longo do ciclo de vida. Por exemplo, é muito comum verificamos a existência de um conjunto bastante variados de traços comportamentais num adulto com PEA comparativamente à altura em que lhe foi diagnostico em criança.












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