E depois do ASDEU

A imagem pode sugerir que vá falar do Brexit, mas não. Contudo, o relatório ASDEU (Autism Spectrum Disorder in Europe) apresenta um conjunto de resultados que nos faz reflectir acerca da importância das politicas de saúde para o Autismo no espaço europeu.

O ASDEU (Autism Spectrum Disorder in Europe) foi um projecto realizado a nível Europeu que decorreu no triénio 2015-2018. Procurou conhecer a prevalência do Autismo em 12 paises da UE, os custos económicos e sociais desta condição, dos programas de detecção precoce, treino de profissionais, marcadores para o Autismo, melhoria do processo de diagnóstico, comorbilidade e serviços de suporte para autistas adultos e séniors.


Ao fim de 80 anos desde o primeiro diagnóstico de Autismo continuamos a saber pouco acerca desta condição e principalmente da mesma nos adultos. Sabemos pouco acerca dos resultados de saúde ao longo do ciclo de vida e os próprios factores que influenciam estes mesmos resultados.


Existe a necessidade de identificar as melhores práticas para os cuidados e apoio a adultos com Autismo mas também às suas famílias. Há a necessidade de melhorar o nosso conhecimento do autismo na vida adulta. Os números de adultos diagnosticados têm aumentado. Não porque tenha passado a existir uma epidemia de autismo nos adultos mas porque a capacidade de reconhecer esta condição, de a avaliar e de a compreender e acompanhar é maior. Mas ainda sabemos pouco.


Precisamos de maiores níveis de formação acerca do que é o Autismo e de como esta condição se apresentação ao longo do ciclo de vida nos cuidados de saúde primários. A formação aos médicos de clínica geral e familiar é fundamental. Apesar das crianças até aos 18 continuarem a ser consultados na Pediatria, uma outra área onde é fundamental a formação, os centros de saúde estão em contacto directo com a população e mais depressa podem fazer a referenciação para os serviços de especialidade.


Os serviços/consultas de especialidade é uma outra questão. O tempo de resposta na consulta do Desenvolvimento para crianças e adolescentes do Espectro do Autismo continua a ser diminuto face à realidade e necessidade de resposta. Ao nível da capacidade de realizar o diagnóstico, não somente nos casos mais fáceis de detectar mas também ao longo de todo o espectro - nos rapazes e nas raparigas. Mas no caso dos adultos a situação ainda é mais gritante.


Nos adultos deixa de haver legislação como a que existiu durante a escolaridade obrigatória para a educação inclusiva (DL 54/2018, etc.). Alguma da legislação existente é para as situações de deficiência de uma forma global. Para além de não ser dignificante é muito difícil a integração da pessoa adulta no Espectro do Autismo ao abrigo desta mesma legislação. As consultas para o adulto passa a ser feita na Psiquiatria Geral e o conhecimento acerca do Autismo no adulto é igualmente diminuto. Para além da resposta em termos de acompanhamento que no mínimo pode ser avaliada como lamentável.


Ao longo do espectro encontramos pessoas com níveis de gravidade bastante diferentes. As situações mais graves carecem de uma resposta totalmente diferente da mera Institucionalização. Estes casos de Autismo são muito frequentemente acompanhados de Défice Cognitivo e Síndromes Genéticas. A resposta a dar é vital e a necessidade de uma equipa multidisciplinar treinada para o Autismo e com competências para trabalhar em equipa é fundamental.


Mas nos casos mais funcionais do Espectro do Autismo (nível 1), também designado de Síndrome de Asperger ou Autismo de Alto Funcionamento a necessidade de apoio não deixar de ser mais importante não obstante a gravidade ser considerada menor. Senão veja-se, são pessoas com um perfil cognitivo médio/superior. Como tal apresentam mais competências para efectuar um percurso escolar normativo e inclusive ao nível do Ensino Superior. Contudo, apresentam dificuldades nas mesmas áreas que os outros com maior gravidade. Para além disso a existência de outras perturbações psiquiátricas associadas, designadas de comorbilidades traz várias dificuldades. Principalmente um agravamento do quadro clínico e do desenvolvimento do mesmo ao longo do seus ciclo de vida. Mas também uma maior dificuldade em detectar e fazer o diagnóstico de Autismo podendo dar um acompanhamento adequado às necessidades da pessoa e da família.


Hoje como ontem continua a ser necessário uma resposta urgente nesta área. Os números e o conhecimento está à disponibilidade de todos. É preciso fazer acontecer.


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