Diga Aaaaaaa: A de autismo

A é de Autismo. E é de Einfühlung. Também conhecida como empatia. É uma componente essencial da vida social humana. Requer a capacidade de entender o estado mental do outro e responder com uma emoção ou acção apropriada. Pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) têm sido descritos como exibindo respostas empáticas atípicas que limitam a comunicação e as interacções sociais.

A palavra empatia apenas existe há relativamente pouco tempo face à nossa existência enquanto espécie humana. A sua origem da palavra alemã Einfühlung, o que significa "sentir-se em" . Como a própria tradução sugere, a empatia envolve sentir o nosso caminho para a vida dos outros através de um espelhamento instintivo da experiência dos outros. Sem dúvida, para o ser humano a empatia é um componente essencial da nossa sociedade. Empatia é um factor motivador para um comportamento pró-social que permite que as pessoas criem conexões, desenvolvam laços de confiança, e obter insights sobre as acções dos outros.


A natureza complexa da empatia requer uma pessoa para entender o estado mental do outro e responder com um emoção ou acção apropriada. A empatia tem dois componentes principais: (1) empatia cognitiva, que denota a habilidade para entender a perspectiva de outra pessoa; e, (2) empatia afectiva (ou emocional), que é a resposta emocional do observador ao estado mental dos outros.


Pela própria descrição anterior e pelo conhecimento acerca das características existentes na PEA pressupõem-se ao longo destes anos que os Autistas são incapazes ou muito pouco capazes de ser empáticos. Será? E se sim, em todos os Autistas? E se não, porquê apenas em alguns?


As perguntas são mais que as certezas. Ou pelo menos assim o deviam ser. Mesmo até em relação aos neurotípicos, a própria conceptualização de empatia deverá ser revista face aos próprios desenvolvimentos societais que vão ocorrendo de forma vertiginosa na Sociedade. Alguns dados apontam mesmo para um decréscimo na empatia e num aumento de um comportamento mais individualista.


No Autismo e atendendo à prevalência de casos masculino versus feminino (4:1) descrito na literatura é possivel compreender a existência de níveis menores de empatia. Se tivermos em conta algumas teorias nesta área que falam da existência no sexo masculino de um deficit de empatização versus sistematização (ver Baron-Cohen). Relativamente ao factor idade e apesar de alguns autores contemporâneos referirem a impossibilidade de experenciar empatia em crianças pequenas devido aos maiores níveis de egocentrismo e capacidade intelectual. Sabe-se hoje que as crianças, mesmo as mais pequenas são capazes de o demonstrar não obstante algumas das suas limitações, nomeadamente verbais. No caso das situações em que se verifica um perfil cognitivo mais baixo há a noção que as funções executivas e a capacidade de empatia diminui. Se atendermos a que cerca de 50% dos casos de Autismo têm associado um deficit cognitivo é compreensível esta associação.


Apesar dos inúmeros estudos não é consensual esta afirmação de que os Autistas não são empáticos ou capazes de o ser. Parece haver determinadas características em alguns autistas que podem ajudar a determinar esta maior dificuldade. Mas não é possível sobregeneralizar. Na clínica e quando os próprios pais, amigos e colegas falam de algumas experiências de autistas com que convivem é evidente os exemplos característicos de comportamentos empáticos.


A empatia é uma característica do Homem mas também de algumas espécies animais e que ainda carece de mais estudo e compreensão. A imagem usada neste post mostra uma experiência criada por Heeju Kim, um estudante graduado do Royal College of Art. A experiência ajuda os neurotípicos a experenciarem as dificuldades que algumas pessoas têm com a expressão de empatia. O kit tem um "chupa-chupa" para ser colocado na boca para dificultar a comunicação. Uns óculos virtuais que alteram a percepção visual de quem está à frente da pessoa. E um aparelho auditivo que amplifica o som do ambiente. Diz quem experimentou que passou a compreender de forma diferente e mais compreensiva a maneira como alguns conhecidos seus, autistas ou não, expressam os seus comportamentos.

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