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Comer gato por lebre ou nem uma coisa nem outra

Quem é que nunca ouviu frases do tipo - "Tem um curriculum com muitas qualificações!", ou "Estamos à procura de alguém com mais experiência e mais novo!", etc.? Certamente muitos. Mas no Autismo esta é uma realidade próxima dos 85% e com uma agravante.

É comum encontrarmos histórias diferentes, mais ou menos complexas e com desfechos ora positivos ora negativos, quando pensamos no acesso ao mercado de trabalho. Um espaço que está em constante transformação, tais como as necessidades das pessoas e dos próprios processos de trabalho, nomeadamente devido à constante integração das tecnologias de informação, entre outras.


Nas Perturbações do Espectro do Autismo (PEA) estamos a assistir a um destapar de uma realidade ainda mais dura nesta área. Cerca de 85% dos Autistas adultos não tem emprego/trabalho. Os restantes que encontram essa possibilidade uma parte significativa está em condições precárias ao nível da remuneração, etc.


Como já foi referido inúmeras vezes, nas PEA encontramos uma grande heterogeneidade e que na DSM 5 encontra esta tradução na existência de três níveis diferentes de gravidade. No nível 1, aquilo que outrora se designava de Síndrome de Asperger, encontramos um nível de funcionalidade que permite uma integração socioprofissional mais célere. Ou seja, o Autista (nível 1) apresenta um perfíl cognitivo acima da média e com um menor impacto na interacção e comunicação social. Ainda assim, o Autista apresenta um conjunto de dificuldades suficientes para tornar este processo dificil.


Nomeadamente, as características que ainda que sejam subtis continuam a apresentar dificuldade na compreensão por parte das organizações e restantes colegas ou chefias. No entanto, esta mesma pessoa que apesar de ter muitas competências para integrar o mercado de trabalho e desempenhar as funções para as quais se candidata vê frequentemente esta entrada vedada. Por exemplo, as empresas de recrutamento e selecção ainda não estão sensibilizadas para os aspectos da empregabilidade inclusiva. E terem por exemplo, entrevistas de selecção e recrutamento adequadas às características dos Autistas. Não que os Autistas tenham de ser preteridos em relação a outros. Porque se houver uma adaptação nestes tópicos face aos Autistas estamos certamente a ser mais inclusivos em relação a uma cada vez maior neurodiversidade, presente no mercado de trabalho, nas universidades, etc.


Aquilo que muitas vezes acaba por acontecer é de que estes cerca de 85% de Autistas adultos que não conseguem entrar no mercado de trabalho, ficam também sem capacidade de assegurar a sua independência, como qualquer outro adulto. E nestes casos os Autistas procuram apoios junto dos organismos estatais. Por exemplo, solicitando uma Junta Médica que lhes atribua um grau de incapacidade suficiente que lhes permita ter apoios. Mas aqui o que acaba por acontecer é que estes Autistas adultos acabam por apresentar competências suficientes e não se terem dificuldades consideradas suficientes para a atribuição destes graus. Em suma, e como dia o povo, nem sim nem sopas. Não parecem ter competências para integrar o mercado de trabalho mas também não têm dificuldades suficientes para receber apoios estatais. Vejam lá se se decidem!

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