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Quem é que não procura alguma coisa na vida? Pode haver quem já tenha desistido, mas isso é diferente. Hoje acordei a pensar nisto - quem são os autistas verdadeiros? Ganhei coragem e fui ao google. Pesquisei primeiro nas imagens. Vi crianças, muitas. Ora estavam a rir ou a chorar. E o resto pensei eu? As outras emoções? Procurei depois nos links. Talentos, verdadeiros talentos, talentos misturados com anjos. E o resto não vos conto. Procurem vocês para que possam dar-se conta do que é pensado, escrito e partilhado. E depois decidam se ainda assim querem continuar a pensar da mesma forma! Eu vou continuar a procurar os autistas verdadeiros. Sim, porque esses não estão na DSM.

O André (nome fictício) não pode ser autista, dizia a professora aos pais. O André está com os colegas no recreio e até faz trabalhos de grupo, continua justificando. Esta e outras questões não acontece apenas junto dos professores. Poderia dar outros exemplos usando psicólogos clínicos que insistem num qualquer compromisso na vinculação. Mas também Pediatras, Neuropediatras, Psiquiatras ou Médicos de Clínica Geral e Familiar. Facto que dá para pensar que talvez existam pessoas autistas que sejam verdadeiros.


Mas quando começo a interrogar-me penso que já estive com pessoas autistas que cumprem, até de forma adequada, muitas das características que estão presentes nos critérios da DSM e ainda assim houve quem dissesse que não seria autismo. Ou porque faz contacto ocular, sorri ou tem vontade em ter amigos.


Será que as pessoas pensam que os verdadeiros autistas são pessoas sem qualquer autonomia e independência, não verbais e com comportamentos todos eles bizarros? Acreditem que existem pessoas autistas que podem preencher algumas destas anteriores designações. Mas até esses são bem mais do que tudo isso que foi referido.


As pessoas não são aquilo que nós dizemos sobre elas. Mesmo que estejamos a emitir um parecer técnico enquanto profissionais de saúde. Estamos a devolver um perfil de funcionamento da pessoa e que ajuda a descrever, compreender e enquadrar a pessoa. Mas não estamos a dizer quem ela é. Até porque não podemos ser uma pessoa num retrato tirado num só momento. Ou mesmo que tenham sido vários retratos porque a avaliação foi mais demorada. Somos todos mais do que isso. E é importante devolver isso às pessoas autistas. Até para que elas próprias deixem de perpetuar essa mesma ideia. Seja nas perguntas que fazem aos outros - achas que também faço isto ou aquilo?


É compreensível que possamos viver em determinado momento mais centrados na questão do diagnóstico e de como isso procura reproduzir a nossa identidade. Mas esta é mais do que o diagnóstico. A identidade das pessoas já vinha a ser construída antes mesmo do diagnóstico e irá continuar depois dele. Os verdadeiros autistas são aqueles que ouvimos falarem de si em toda a sua dimensão de existência.

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