Autistic workers of the world unite!
- pedrorodrigues

- 1 de mai.
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1 de Maio.
Celebramos o trabalho, a dignidade e o direito à participação plena na vida colectiva. Mas há um silêncio persistente que este dia não pode continuar a ignorar.
Falamos de trabalhadores autistas.
Falamos dos cerca de 80% de adultos autistas que não estão empregados, muitos deles com qualificações elevadas, percursos académicos exigentes, competências técnicas sólidas. Pessoas que querem trabalhar, que procuram contribuir, que insistem apesar de portas que permanecem fechadas. Não por falta de capacidade, mas por barreiras estruturais, culturais e organizacionais que continuam por questionar.
E falamos também dos 20% que trabalham. Aqueles que, todos os dias, entram nos seus locais de trabalho com uma tarefa invisível adicional. Gerir o esforço constante de adaptação a ambientes que não foram pensados para si. Silenciar o diagnóstico por receio de estigma ou retaliação. Compensar a ausência de acomodações razoáveis com um desgaste contínuo. São trabalhadores competentes, muitas vezes excelentes, mas frequentemente exaustos.
A empregabilidade no autismo é, hoje, um verdadeiro estudo de caso. Um paradoxo social e económico. Temos mais conhecimento do que nunca sobre neurodiversidade. Sabemos que a diferença na comunicação, na sensorialidade ou na organização cognitiva não equivale a incapacidade. Sabemos que cerca de 20% da força de trabalho é neurodiversa. E sabemos, com crescente evidência, que equipas diversas são mais inovadoras, mais eficazes, mais resilientes.
Ainda assim, persistem índices de empregabilidade no autismo inferiores aos de outros grupos com dificuldades desenvolvimentais. Isto não é uma inevitabilidade clínica. É um reflexo de sistemas que não se adaptaram.
Continuamos a investir recursos significativos em respostas assistenciais, quando uma parte substancial destas pessoas poderia estar activamente integrada no mercado de trabalho, a contribuir, a criar valor, a viver com autonomia e reconhecimento.
O que falta não é talento. Não é motivação. Não é capacidade.
Falta ajustamento.
Acomodações simples. Flexibilidade sensorial e organizacional. Processos de recrutamento mais justos. Lideranças informadas. Culturas que não penalizem a diferença. Políticas que incentivem, de forma concreta, a inclusão qualificada.
Neste 1 de Maio, a pergunta impõe-se com clareza.
Do que estamos à espera?
Não se trata de caridade. Trata-se de inteligência social, económica e ética.
Incluir trabalhadores autistas não é um gesto simbólico. É uma decisão estratégica. É reconhecer que o trabalho, quando verdadeiramente acessível, não é apenas um direito. É uma oportunidade colectiva que estamos, há demasiado tempo, a desperdiçar.




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