Autismos

Bleuler, psiquiatra alemão, foi o primeiro a usar a palavra Autismus para descrever um paciente seu esquizofrénico. Muito se evoluiu desde então. Mas à medida que a nossa compreensão acerca do autismo foi crescendo percebemos que há outras "cores" para além do azul que acrescentam uma tonalidade diferente ao nosso quadro. É importante limpar a trincha à medida que vamos pintando sob pena de esborratar a pintura.

"- Não pode ser autismo!". "- Nunca vi um autista a ter este tipo de comportamento!". "- Parece mais hiperactividade!". Poderia continuar a escrever frases que muitos dos leitores, alguns deles autistas, já ouviram. Alguns dos autistas já sabendo anteriormente do seu diagnóstico até passaram a suspeitar do seu diagnóstico. Porque ouviram de um outro médico, psicólogo ou psiquiatra que afinal aquilo que têm é algo diferente daquilo que lhe havia sido diagnosticado. A questão não trata de aferir quem tem a razão ou autoridade sobre o autismo. Haverá certamente diagnósticos mal atribuídos, seja de autismo ou de outra condição neuropsiquiátrica. A situação passa por se saber então porque continua a existir estas dúvidas no autismo.


Uma das respostas para além da própria heterogeneidade e variabilidade na expressão comportamental do autismo é a existência de outras condições psiquiátricas associadas - as designadas comorbilidades. Um novo estudo publicado esta semana na revista The Lancet Psychiatry demonstra a existência de oito condições psiquiátricas associadas ao autismo. Este estudo reviu 9746 artigos publicados desde 1993 até à actualidade. Na sua conclusão aponta para a existência de diferentes percentagens destas oito condições psiquiátricas. Nomeadamente, a PHDA apresenta uma associação de 28%, enquanto a Perturbação de Ansiedade e Depressiva cerca de 20%, Esquizofrenia e Psicose 4%, Perturbação Obsessivo-Compulsiva e outras relacionadas por volta de 9%, Perturbação da conduta e do controlo dos impulsos 12% e perturbações do sono 13%. É importante referir que as percentagens encontradas nos autistas são superiores às encontradas em pessoas não autistas.


Para além do nosso conhecimento acerca da existência destas outras condições psiquiátricas associadas ao diagnóstico de autismo. Parece ser importante pensar que as mesmas se traduzem numa apresentação diferente da própria expressão comrportamental. Algumas das características comportamentais existentes em dois ou mais destes diagnósticos são semelhantes na sua própria manifestação. Não é por acaso que bastantes pessoas são diagnosticadas com PHDA quando na verdade apresenta um diagnóstico de autismo e de PHDA. Esta informação chama mais uma vez a atenção para a forma como se faz uma avaliação psicológica na pessoa adulta. E principalmente quando pode haver a suspeita de autismo. Não podemos continuar a usar exclusivamente os instrumentos para o despiste de autismo, correndo o risco de não o vermos ou de não vermos as outras condições associadas.

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