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Algo vai mal no reino da Dinamarca

Por vezes a ficção confunde-se com a realidade. Por vezes a realidade confunde-se com a ficção. E depois aparece a big data que nos remete para a multiplicidade de condições existentes no Autismo.

É em Hamlet de Shakespeare que o filho do rei da Dinamarca faz alusão à corrupção, traição, ao incesto, à vingança e aos assassínios que ocorrem no reino. Nada do que se vai falar a seguir tem a ver com alguma das questões anteriores. A não ser com o estudo que foi publicado em janeiro deste ano (2019) na JAMA Psychiatry.


É sabido que 1 em cada 3 pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) dentro dos 15 anos após o seu diagnóstico apresenta uma Perturbação de Hiperactividade e Défice de Atenção (PHDA). E que cerca de 20% da percentagem de autistas é diagnosticado com ansiedade nesse mesmo período de tempo.


O estudo realizado analisou 6 milhões de pessoas revela o inicio e a prevalência das 9 perturbações que acompanham um diagnóstico de PEA. Destes total, 30.423 são autistas. O estudo inclui todas as pessoas nascidas na Dinamarca entre 1900 e 2015.


9% dos autistas são diagnosticados com esquizofrenia. A probabilidade de ser diagnosticado com uma outra condição é maior no primeiro ano após o diagnóstico. O próprio estudo chama a atenção dos clínicos que trabalham directa/indirectamente nesta área para terem em atenção as características das restantes perturbações que ocorrem associadas: perturbações do comportamento, neuróticas, dificuldades intelectuais, do humor, esquizofrenia, uso substâncias, personalidade, conduta alimentar, formas de demência.


Houve alguns números que aparecem abaixo daqueles considerados nos estudos realizados nos EUA. Por exemplo, a prevalência de dificuldades intelectuais é de 15% contra os 31% referidos no EUA. 20% apresenta uma prevalência de perturbações neuróticas, quando os estudos anteriores variavam entre 11% e 84%. E 10% dos autistas desenvolvem alguma forma de demência no período entre os 40 e 60 anos de idade.


Para além dos números, mas não deixando de os considerar respeitosamente, é importante desacelerar um pouco e pensar. Não somente na necessidade de treinar de maneira mais capaz os técnicos que trabalham ou desejam trabalhar nesta área do Autismo. E isto parece ser principalmente verdade quando estamos a avaliar pessoas adultas. Continuam a ser muitos os adultos que na sua altura de criança não se tinha o conhecimento actual e a conceptualização hoje existente sobre o autismo. E como tal não foram diagnosticados. Hoje, são muitos aqueles que continuam a apresentar dificuldade em se compreenderem e com outros diagnósticos que não estando totalmente errados não contam toda a história.

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