01010001 01110101 01100001 01101110 01110100 01101111 00: Quanto mais me bates mais eu gosto de ti!!

Se acha que 0's e 1's são complicados imagine se lhe disserem que estão a ser testados algoritmos e gadgets para substituir as pessoas a controlarem a ocorrência de comportamentos agressivos em autistas.

Quando aprendi informática no Secundário as coisas eram leccionadas primordialmente ao nível do código binário (0's e 1's). O que na altura me parecia suficientemente complexo coloca completamente num canto o facto de na actualidade ter a sensação de o meu Mac, apple watch e algumas redes sociais parecerem adivinhar alguns dos meus comportamentos. Tenho a certeza que não estou a desenvolver nenhum núcleo paranóide nem a viver uma qualquer realidade alternativa aliada a alguma literatura mais fantasiosa. Por exemplo, quando o meu filho precisou de usar fraldas qual não foi o meu espanto quando no Facebook passou a aparecer anúncios a fraldas. E não é que acabei por comprar alguns daqueles modelos propostos.


O que é que o avanço da tecnologia pode ajudar no autismo e mais especificamente nos comportamentos agressivos? Primeiro, é preciso saber que numa percentagem significativa de crianças, jovens e adultos com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) apresentam comportamentos de auto e/ou hetero agressão. Seja o morderem-se, baterem-se passando por reacções agressivas em situações de maior activação em grande parte desencadeado pelas questões das hipersensibilidades e/ou da ansiedade. Estes episódios são bastante desorganizadores para os próprios e para terceiros envolvidos atendendo à disrupção do próprio meio envolvente. Muitas destas situações passam de uma situação neutra a uma ocorrência muito brevemente o que leva a uma maior dificuldade na supervisão e controlo da situação. E aquilo que acaba por acontecer num número significativo de vezes é a utilização da contenção física com prejuízo para o próprio. Inclusive por não o estar a ajudar a aprender a regular.


No último ano tem estado a ser testado um aplicativo usado num smartwatch que faz a monitorização de determinados parâmetros fisiológicos: batimento cardíaco, sudação e o movimento. A análise preliminar de dados de cerca de 20 crianças com autismo permite obter a garantia de conseguir obter uma informação 1 minuto antes da ocorrência do comportamento agressivo com um grau de certeza que ronda os 71% de acerto. Ou seja, esta informação diz-nos que 1 minuto antes da ocorrência o próprio utilizador do relógio ou outra pessoa que aceda a esta informação pode actuar em modo preventivo. Está inclusive a ser testado a possibilidade do próprio relógio fornecer determinada informação ao utilizador que ele possa usar para se regular evitando a ocorrência da situação.


Esta abordagem tem sido intitulada de fenótipo digital. Ou seja, a utilização de algoritmos e determinada tecnologia para compreender mais aprofundada e rapidamente as características comportamentais dos autistas. E procurar por sua vez reduzir o viés subjectivo que está presente numa avaliação efectuada por uma pessoa, nomeadamente um técnico especializado. Os dados são promissores apesar de alguns cientistas serem mais prudentes e referirem que 69 a 71% de probabilidade de acerto é reduzido.


Se a máquina irá substituir o clinico na realização da avaliação comportamental no autismo ainda é uma incerteza. E porventura será uma questão que irá lançar alguma confusão antes mesmo de se perceber os benefícios e o alcance desta tecnologia. Talvez esteja na altura de mais e mais técnicos nesta área procurarem debruçar-se sobre como as máquinas e os algoritmos realizam estas aprendizagem de forma a nós próprios podermos obter uma outra e melhor compreensão.

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