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Um bom ou um mau cesto de frutas?

A primeira vez que me perguntaram não tive de pensar muito. Olhando para esta imagem, este é um bom ou um mau cesto de frutas? É sem dúvida um bom cesto de frutas, respondi. Não importa que possa haver uma das frutas que esteja ligeiramente tocada e com indicio de estar a apodrecer, complementei.


Não sou entendido em fruta e muito menos um agricultor ou profissional desta área. Mas gosto de fruta e aprendi desde cedo a conhecer a fruta. Comi muita fruta apanhada directamente da árvore. E com todas estas e outras experiências fui aprendendo a que a fruta mesmo com determinada aparência está em excelente estado e com um sabor provavelmente ainda melhor, dependendo dos gostos de cada um. Como as pessoas com mais idade diziam sobre o facto da fruta ter bicho (vulgo lagarta) - De certeza que é saborosa. Até o bicho gosta dela! E se há coisa que o bicho sabe é reconhecer uma boa peça de fruta, pensarão alguns!


E tudo isto e esta conversa de fruta, com e sem bicho ou se o cesto de frutas é bom ou não, porquê? Por causa do recrutamento inclusivo. Isso mesmo! Chegamos ao ponto em que precisamos de treinar os profissionais de recrutamento e selecção para eles saberem como efectuar o processo em questão em pessoas neurodiversas. Isto para além de necessitarmos de sensibilizar as empresas a solicitarem pessoas com estas características para que estas empresas de recrutamento possam fazer este processo. Isso mesmo! Chegamos ao ponto em que precisamos de ajudar as empresas a compreender que a neurodiversidade é uma mais valia. E que o facto da pessoa apresentar uma neurologia diferente não é um empecilho ou perda de dinheiro. E que muito pelo contrário, é uma mais valia para a Empresa e para a pessoa contratada. Para além de beneficiar os colegas e contribuir para uma Sociedade melhor.


E como é que chegamos aqui? Ao ponto em que necessitamos de andar a dizer às empresas e às pessoas que fazem recrutamento que as pessoas precisam de ter oportunidades iguais no acesso ao mercado de trabalho. Que independentemente das suas características e diagnósticos, têm também elas competências e capacidade de aprendizagem! As empresas não têm conhecimento!, dizem alguns. As empresas e os gestores não têm conhecimento das características das pessoas neurodiversas, referem. Não sabem o que é uma pessoa autista e que competências ou capacidades esta pessoa pode ter. E no caso dos profissionais de recrutamento, de como é que podem implementar um processo para poderem avaliar o perfil desta pessoa. E isto é para as pessoas autistas, mas é-o para as pessoas com uma deficiência de uma forma global.


Mas se as pessoas, as empresas, os gestores e os profissionais de recrutamento não sabem, ainda assim podem informar-se, certo? Solicitar acções de sensibilização, informação, formação sobre estas e outras pessoas, com estas ou outras características. Mas isso ainda não acontece de uma forma generalizada, nem mais ou mais perto disso. Por isso os número da empregabilidade das pessoas autistas e das pessoas com deficiência são gritantes. E porquê? Porque são diferentes? Sinceramente? As pessoas acham-se assim tão iguais entre si? Talvez faça sentido acabar com este Taylorismo que apenas destrói o tecido empresarial, para além de destruir a vida de milhões de pessoas. Na Europa por exemplo estima-se existirem cerca de 5 milhões de pessoas autistas. Se soubermos que cerca de 70% a 80% das pessoas autistas adultas se encontram desempregadas, façam as contas.


Queremos as pessoas iguais a trabalharem nas empresas? Com o objectivo de sufocarmos o crescimento da própria empresa e do produto vendido! Além de acabarmos com a criatividade tão fundamental no tecido empresarial nas mais variadas áreas. É isso? Não querem dar-se ao trabalho de terem de agir de forma diferente porque isso traduz-se num custo e numa perda de tempo? E como as pessoas neurodiversas apresentam uma neurologia diferente de uma determinada franja significativa da população optamos por seguir neste caminho mais cinzento, semelhante e que tendencialmente se acaba por extinguir? Ao invés de querermos cultivar uma maior riqueza e diversidade de pensar, ser e fazer? E com isso conseguirmos fornecer uma melhor resposta e mais adaptada às necessidades da Sociedade? Que estranho mundo este que parece preferir deitar fora um cesto de frutas quando não só não está a avaliar adequadamente a qualidade da fruta. Mas também não percebe que acaba por aumentar a probabilidade da sua própria existência porque se vai privar de alimentar.


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