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True colors

"Lá na terra ninguém dança

Dizem que faz mal ao coração

Não há jovem, nem criança

Faz mal à solidão

Lá na terra ninguém beija

Nem sabe o sabor de uma canção"


Terra da Saudade by Luísa Sobral


Sempre ouvi dizer - Quem vai a África nunca mais fica o mesmo! Eu nunca lá fui, mas há muito de África que vem até mim. A música que o meu corpo procura sentir e dançar. A prosa e a poesia que me leva a viajar. Mas também as pessoas que viajam quilómetros na procura de uma resposta para as suas inúmeras perguntas e angustias.


Tenho uma África que foi sendo construída pelas histórias do meu pai enquanto cidadão que cumpriu o serviço militar obrigatório na guerra colonial. Ou do meu tio que vive em Angola nestes últimos anos. Mas também a África dos meus colegas na escola e da sua realidade vivida em Portugal. O Eduardo que os pais tinham vindo da Guiné, o Octávio e a Edna de Cabo Verde e o José de Angola, foram alguns dos que foram povoando a minha África.


Mas a África também nos vai chegando pelo televisor e agora pela internet. E em muitas coisas fomos sendo habituados a ouvir que em África não tem isto ou aquilo. Que não tem cuidados de saúde especializados ou que os casos de subnutrição e falta de condições de higiene são gritantes. E parece que quase não vale a pena saber como é que as coisas na realidade são. Assume-se que são miseráveis em todos os aspectos e que pouco ou nada há para fazer. Parece uma visão muito dramática. Mas quando queremos saber acerca de como decorre determinado fenómeno em África temos sempre imensa dificuldade em o saber. Até porque se continuamos sem saber a expressão real das coisas, continuaremos sem saber muito bem como criar uma resposta adequada. É o caso do autismo.


Sabemos que um pouco mais de 1% da população mundial apresenta um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo. Mas em África qual é a expressão desta realidade? Não sabemos, ou pelo menos não temos grande informação. Mas se pensarmos que a África Subsariana tem cerca de 1 bilião de cidadãos e que 40% destes são crianças com menos de 14 anos de idade. Podemos pensar que a expressão do autismo neste continente é igualmente marcado.


As ferramentas de diagnóstico usadas no autismo coloca grandes desafios em termos da adequação cultural, seja no custo das traduções e adaptações e direitos autorais. E além do mais será preciso formar todo um conjunto de profissionais de saúde para os poderem usar.


Além disso, e embora a consciência do autismo esteja a aumentar nos países de baixos e médios rendimentos, subsistem ainda assim cinco desafios substanciais decorrentes da limitada consciência em muitas comunidades da África Subsariana, especialmente nas famílias que vivem em zonas rurais. Famílias que sem consciência, podem não procurar ou ser encaminhadas para pessoal devidamente qualificado para uma avaliação e diagnóstico abrangentes.


Contudo, a realidade do autismo persiste também em África. E ainda que seja provável que a expressão comportamental do autismo possa ser permeável a algumas das questões culturais. Não deixa de ser uma suposição e sem sustentação cientifica. Contudo, as muitas variações genéticas que vãos sendo encontradas, também estarão presentes neste continente.


É fundamental que as nações possam criar sinergias umas com as outras no sentido de dar uma resposta às necessidades dos demais. A partilha de experiências entre profissionais de saúde que trabalham nesta área é fundamental. Não somente para ir fornecendo inputs de como poder responder às necessidades presentes. Mas principalmente para a construção de pontes para que todos possam ser cidadãos de direitos iguais.


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