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These shoes are made for walking

O título faz-vos lembrar a música These boots are made for walking do Legendary Tiger Man, certo?

" You keep saying you've got something for me

Something you call love, but confess

You've been messing where you shouldn't have been messing

And now someone else is getting all your best..."


Apesar de gostar imenso desta música e a interpretação do Legendary Tiger Man ser fantástica, não é sobre isto que vos quero falar. Mas sim de uma outra "música" que também poderia começar com a mesma frase "You keep saying you've got something for me...". Estou a referir-me ao papel que as Instituições de Ensino Superior têm para as pessoas com deficiência, e mais particularmente para as pessoas autistas.


Esta ligação entre o Ensino Superior e as Empresas não é novidade de agora, mas tem havido um esforço nos últimos anos para estreitar estes laços. Até porque ainda se continua a ouvir muitas queixas do tecido empresarial de que os recém licenciados continuam a chegar ao mercado de trabalho com falhas em vários domínios e competências. Além de todo o discurso acerca da importância do emprego qualificado.


Em abril de 2019, decorreu no Salão Nobre da Reitoria da Universidade do Porto a terceira Convenção Nacional do Ensino Superior com o mote “As Universidades e a Valorização do Conhecimento”. Depois de ter passado por Lisboa e Aveiro, foi a vez de chegar ao Porto e reuniu líderes de centros de investigação, gestores, empresários e representantes de instituições de ensino superior, para um debate sobre a aproximação das Universidades às empresas. Procuraram todos discutir de que forma o conhecimento gerado nas universidades pode conduzir a um maior impacto na economia e na sociedade. Melhorando a interação com a sociedade e o território e estimulando actividades de criação e de promoção do emprego qualificado em Portugal.


Como podem ver estamos bem orientados nesse sentido. Contudo, pergunto-me para que alunos é que estas reflexões estão a ser feitas? Sim, para que alunos? É que ao Ensino Superior chegam toda uma gama diferente de alunos e com um perfil de funcionamento bastante diversificado. E se pensarmos nos alunos com deficiência, a variabilidade continua a aumentar. Assim como os desafios que estes colocam à Academia e a estes projectos de ligação com as Empresas. Haverá certamente alguns projectos que possam contrariar este meu texto. Confesso que não estou a par de nenhum. Mas confesso que ainda não fiz uma avaliação suficientemente detalhada. Por isso desculpem-me a falha. Procurarei compensar de uma próxima vez. Mas também vos digo que se fosse algo assim tão visível seria sem dúvida mais fácil de encontrar exemplos desses.


E como se sabe que cada vez mais há alunos autistas a se candidatarem ao Ensino Superior. Podemos perceber que tipo de impacto é que a Universidade está a ter nestes alunos, não somente no seu processo de formação, mas também no processo de medicação entre estes e as Empresas. E como temos a noção de que a empregabilidade no autismo continua a apresentar números tão dramáticos. Além de sabermos que um número ainda significativo de alunos autistas desistem do seu percurso universitário. Sentimos que este processo continua a necessitar de reflexão.


Há evidências que nos mostram que os estudantes universitários autistas têm competências para serem bem sucedidos na universidade. No entanto, é sabido das inúmeras dificuldades existentes ao longo do processo. E mais uma vez, em grande parte pelas dificuldades existentes nas próprias Instituições e na forma de conduzir os processos. E como tal, acabamos por verificar que é este mesmo grupo o menos propenso a ganhar emprego após terminar os seus estudos superiores.


E como tal é fundamental continuar a apoiar o processo de transição de forma abrangente para todos os alunos. E com uma forte aposta num apoio à transição holística, programas de mentoria e as oportunidades de estagiário como benéficas para este processo. O processo de recrutamento é um outro aspecto a ser tido em conta. Este deseja-se cada vez mais inclusivo. E as Universidades têm a capacidade inovadora de poder auxiliar as empresas em o conseguirem. E ao mesmo tempo serem mediadores do processo com os ainda seus alunos. A realização de eventos de correspondência de emprego (e.g., feiras de emprego) e networking, e que já vão sendo realizados, precisam de ser pensados para todos, nomeadamente para as pessoas com deficiência.


E a Universidade, também enquanto contexto produtor de conhecimento cientifico, pode e deve dar corpo a todo este conjunto de reflexões e necessidades de parte a parte, e poder contribuir com a realização de projectos de investigação e com resultados que possam ser traduzidos para a prática e com o objectivo de ajudar a mudar a vida da Sociedade.


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