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The othered side of the moon

Spoiler alert - gostaria de vos dizer que vai ser lançado um novo trabalho de inéditos dos PinK Floyd, mas tal não será verdade. Ao invés disso vou partilhar convosco algo que acontece com muitos de nós e em várias situações. Mas como sempre, há uns em que esse algo parece ocorrer com maior frequência e em situações. Ontem havia uma super lua rosa ao que parece. Digo parece porque acabei por não a conseguir ver, a não ser nas muitas fotos que fui observando publicadas por ai. Confesso que me senti distanciado da vivência colectiva do fenómeno em questão. Pensarão alguns de vocês - tivesse saído mais cedo do trabalho para ir observar a Lua, certo? E provavelmente estão correctos. Este sentimento de distanciamento, uma tradução do conceito othered, remete para o fenómeno em que certas pessoas são rotuladas e percepcionadas como não encaixando ou fazendo parte das normas de um grupo social. Aquilo que alguns poderão chamar de Síndrome de Patinho Feio. Independentemente da atribuição "National Geographic" ao fenómeno, uma coisa é certa, há muitas pessoas a sofrerem decorrente desta situação. As pessoas que estão dentro do grupo versus aquelas que são percepcionadas por estes, precisamente como estando fora do grupo, são inclusive representadas como tendo determinado conjunto de características negativas. Justificando assim para aqueles que estão dentro do grupo todo um conjunto de razões plausíveis para manter os outros fora ou distante do grupo. É como se estivéssemos a falar de uma batalha universal do Nós versus Eles relativamente às relações humanas. Esta ideia de olhar para o Outro e dizermos para nós e muitas vezes directamente e indirectamente ao Outro que ele não é igual ou como nós e como tal fica de fora, é uma forma de negar a pessoalidade do Outro. E como tal, é um comportamento que irá infligir grande sofrimento na outra pessoa, levando a que sinta que esta não é válida ou merecedora de dignidade ou respeito. E se parece haver grupo de pessoas onde estas situações ocorrem é no Espectro do Autismo. E já nem falo da forma como as crianças e jovens são frequentemente colocados de parte pelos seus pares no recreio e em muitas outras actividades académicas. Sendo que continuamos a observar muito frequentemente o mesmo a acontecer no Ensino Superior, independentemente das idades e maturidade. Ou nos locais de trabalho, na Comunidade e na Sociedade de uma maneira geral. Mesmo até em contextos científicos a forma como os próprios trabalhos científicos vão designado as situações associadas ao autismo parece continuar a reproduzir este mesmo fenómeno de distanciamento (othered). Sendo que este distanciamento, e porventura mais especificamente na idade adulta, já não se refere à percepção de o Outro ser diferente de mim e como tal não o quero a participar no meu grupo. É um distanciamento que se traduz em trabalhos científicos que parecem teimar em não existir para melhor compreender o autismo ao longo da vida. Além de haver outros tantos trabalhos científicos mas que depois não se parecem traduzir em mudanças na vida e na Qualidade de Vida das pessoas autistas. Ou apesar de já ter sido produzido artigos em Declarações Universais seja para os Direitos Humanos mas também para as Pessoas Portadoras de Deficiência. Além de um conjunto de artigos científicos que demonstram o impacto extramamente negativo de não integrar no tecido empresarial e no mercado de trabalho pessoas autistas. Continuamos ainda assim a observar uns números escandalosos em termos do desemprego de pessoas autistas. Esta outra forma, eu diria mais elegante s subtil de distanciamento, mas igualmente tóxica. Porventura ainda mais tóxica e letal, visto que parece mais descaracterizada aos olhos de muitos, não autistas e autistas, e que vai perpetuando a continuidade desta precária situação, principalmente para as pessoas autistas. Enquanto vou ficar à espera da próxima super Lua vou ficar a pensar nisto tudo e perceber como poder ajudar a reflectir na mudança necessária. Estou certo que tenho um grupo bastante alargado seja de pessoas autistas e não autistas que partilham de ideias e ideais muitos semelhantes.


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