Run Forest, run

É uma frase conhecido por muitos do filme Forest Gump. E ainda estarão recordados do trecho do filme em que a personagem principal decidiu começar a correr e só parou ao fim de alguns anos. E se no filme as personagens que estavam a correr conjuntamente com o Forest não perceberam porque ele começou e depois parou abruptamente. Também de forma semelhante muitos não sabem porque no Espectro do Autismo parece haver uma aparente inactividade. Mas o certo é que é uma frase muito repetida quando se procura falar da prática de uma actividade física no autismo. Ele não gosta ou Ela não tem jeito nenhum, são algumas das frases recorrentes. Alguns de vocês sabem que eu gosto de correr e vão vendo os post com o hashtag #corrercomoautismo. E não sinto que tenha propriamente um jeito assim tão grande para correr, ainda que o goste muito de fazer. Ao longo do meu trabalho com pessoas autistas vou verificando que muitas das barreiras para o desenvolvimento de determinadas actividades, nomeadamente físicas, é a aparente inflexibilidade da actividade em si. Ou seja, muito frequentemente procura-se convencer uma pessoa autista a desenvolver uma actividade física, mas realizada de uma forma pensada para uma pessoa neurotipica. E tal como todos nós nos procuramos adaptar em determinadas actividades ou procuramos uma actividade que melhor encaixe com o nosso perfil. Faz todo o sentido pensar o mesmo para o Espectro do Autismo, e principalmente sair destes pré-conceitos e preconceitos que as pessoas autistas não gostam de actividade física. Não me vou demorar em explicar o quão benéfico é a prática de uma actividade física, quer ao nível da saúde física e mental. Até porque estou certo de que se tem competência para estar a ler este texto poderá perfeitamente já ter lido ou ir procurar informação acerca disso. E também não vou falar dos problemas de saúde física que se encontra com frequência no autismo, nomeadamente relacionado com a obesidade. Até porque se está a ler este texto é porque terá algum interesse nesta área por ser do Espectro do Autismo ou ser cuidador de alguém com esta condição, e como tal saberá do que estou a falar. Mas gostaria de partilhar com vocês o seguinte. Quando falo aos meus clientes autistas sobre a prática de meditação ou yoga, é muito frequente dizerem-me que não querem voltar a experimentar. Principalmente porque o tentaram fazer no passado de uma forma que não lhes agradou porque lhes disseram que para fazer teria de ser daquela determinada forma. E muitos dizem que a ideia de terem de estar de olhos fechados não lhes agradou, por exemplo. Ou seja, nestas e noutras práticas eu compreendo que existam determinadas formas de poder exercer as mesmas. Contudo, penso que deveremos ser todos um pouco mais flexíveis e poder pensar em adaptar as coisas. Tal como quando me perguntam se eu corro desta ou daquela forma. E normalmente respondo que corro conforme a minha disponibilidade e disposição. Além disso faço-o calçado com uns ténis adequados. Fora isso, há toda uma liberdade. E isso também é importante para correr.


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