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Re.ves.tir

1. Vestir novamente.

2. Vestir; colorir, cobrir, tapar.

3. Conceder.

4. Realçar.

5. Resguardar-se.


Não faço ideia do que o meu filho poderá vir a trabalhar, diz uma mãe. Receio todos os dias que passam, porque quando a minha filha terminar os estudos não sabemos o que vai poder fazer, dizem uns pais. Eu não sei se algum dia irei conseguir trabalhar na minha área, diz Raúl (nome fictício) com 19 anos e a frequentar o 2º ano de Tradução. Não faço ideia, receio, eu não sei, são todo um conjunto de frases que se ouvem dizer nos pais e nas próprias pessoas com deficiência. E o que é que nós podemos fazer?, perguntam-se muitos. Criam-se programas de capacitação seja a nível sócio emocional mas também técnico. E ainda assim continuamos a verificar que as pessoas com deficiência continuam a ser absorvidos a conta gotas por algumas empresas. É a economia!, dizem alguns. A situação estrutural do nosso país não permite fazer diferente!, dizem outros. E apesar de tudo vamos continuando. Uns vão criando diplomas legais. Nomeadamente a Lei 4/2019 com a criação de quotas para as pessoas com deficiência no acesso ao emprego, entre outros. Algumas empresas vão procurando no âmbito dos seus programas de Responsabilidade Social criando oportunidades de formação e emprego para pessoas com deficiência. Mas ainda assim continuamos a verificar que o número de pessoas com deficiência continua a estar em grande percentagem desempregado, ou então desocupado e sem formação. A titulo de exemplo, no Reino Unido as pessoas adultas autistas estão apenas 22% com algum tipo de contrato.


Quando hoje li a noticia no jornal Público, “Ali há pessoas geniais”. Jovens com deficiência ou doença mental transformam roupas usadas e criam uma marca. Não deixei de pensar na transformação que necessitamos de continuar a fazer no trabalho a realizar com as pessoas com deficiência.


Ainda a semana passada escrevia um texto "Empreendedorismo rima com autismo". Precisamente para chamar a atenção do facto de necessitarmos de olhar para a possibilidade das próprias pessoas autistas criarem elas mesmas os seus próprios negócios. E nada disto irá invalidar ou impedir a continuidade dos esforços para sensibilizar a Sociedade da igualdade no acesso ao mercado de trabalho. Ou à criação de quotas para as pessoas com deficiência, ou legislação para o emprego protegido. Haverá necessidade de criar estes mecanismos legais para continuar a proteger as pessoas. Contudo, é fundamental que possamos olhar para as pessoas como competentes para desejarem criar o seu próprio percurso e projecto de vida.


E a (Re)Veste é um desses projectos.


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