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Prison break

Spoiler alert - este texto não serve o propósito de anunciar o reinicio da série de Prison Break. Provavelmente alguns dos fãs irão parar de ler o texto neste momento. Contudo, sublinho que o texto tem a ver com Wentworth Miller, que na série desempenhava o papel de Michael Scofield. Certamente conhecem, correcto? No entanto, para outros poderá não dizer nada, e porventura irão parar de ler o texto aqui. Mas já que chegaram até aqui talvez queiram ler o resto.


Wentworth Miller tem 49 anos e desde 2005 até 2017 apareceu-nos no ecrã na tão aclamada série Prision Break. E ao longo de um número quase infindável de episódios, peripécias e avanços e recuos para Michael tirar o seu irmão Lincoln da cadeia. Alguns foram-se mantendo na expectativa, enquanto outros desistiram por não haver uma réstia de esperança para o seu final.


Neste período de quarentena, o Wentworth, não o Michael, esteve em confinamento e sujeito a todo um conjunto de constrangimentos, tal como qualquer um de nós. E tal como muitos de nós foi sentindo determinadas dificuldades. E nessas dificuldades e desafios, o Wentworth foi contactando com determinadas partes de si que parecia desconhecer. Ou que pelo menos podia já ter percebido que havia algumas coisas, mas que ainda não tinha tido coragem de procurar responder ou não tinha encontrado alguém que lhe desse uma resposta adequada. E como muitas pessoas costumam fazer, o Wentworth foi à procura das respostas. E como podem perceber, muitos de nós sentimos coisas muito semelhantes ao Wentworth apesar de não sermos estrelas de Hollywood.


Mas afinal o que é que aconteceu ao Wentworth? Não vou demorar mais o texto à semelhança do que aconteceu com a série. As desconfianças do Wentworth relativamente a algumas áreas da sua vida, levaram-o a fazer um auto-diagnóstico de autismo. E ao fim de algum tempo procurou fazer uma avaliação formal e que corroborou o seu auto-diagnóstico.


O diagnóstico foi sentido como um choque, apesar de não ter sido uma surpresa. Facto que é habitual ser sentido por muitas outras pessoas adultas que também vão à procura do seu diagnóstico. Além do choque, o próprio Wentworth sentiu que ainda sabe muito pouco sobre o autismo e que necessita de continuar a saber e principalmente perceber o diagnóstico. Mas também perceber-se e perceber o Outro. Assim como, reconhecer que a obtenção deste diagnóstico continua a não ser de fácil acesso para todos.


E porquê de ter uma imagem de uma gaiola com a porta aberta e com o pássaro lá dentro num texto sobre o diagnóstico de autismo de uma celebridade de Hollywood? Penso que tem muito a ver. O Wentworth agora com 49 anos, tem toda uma história de vida com todo um conjunto de acontecimentos em que além de desafiantes, terão certamente deixado uma marca mais ou menos traumática. E ao longo destes 49 anos não foi sendo possível ter ajuda a compreender o porquê de determinadas situações. E ainda assim, o Wentworth, tal como muitos outros adultos foi-se mantendo aprisionado, assim como o pássaro na gaiola, ainda que a porta esteja aberta desde sempre.


É importante poder fazer as coisas de uma forma diferente para que as pessoas se possam libertar e compreender na sua forma de ser. E não vão construindo uma visão enviesada e muitas vezes negativa de si próprio, precisamente por falta desse enquadramento.


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