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O poeta autista


As palavras teimavam em não sair. Seriam elas também avessas à interação? Ou seriam não verbais? E agora? perguntava-se o poeta autista. E como haveria de escrever sobre uma Sociedade capacitista da qual não se sabia alhear! Não ia escrever sobre a guerra na Ucrânia. Até porque aquilo que o poeta autista queria era segurar a bandeira da paz e hastes-la em terra firme, onde todas as pessoas a pudessem ver. Além de que escreveu um pequeno soneto a semana passada sobre o assunto. Ainda que ninguém o tenha lido, ao poeta autista. E a eutanásia!? pensou. Também já tinha escrito. Até tinha escrito um diálogo entre a vida, a morte e um autista que jogava xadrez com ambos. Este poeta autista também gosta muito do cinema. E o sétimo selo sempre foi um dos filmes mais enigmáticos e presentes na sua vida. Viu-o a primeira vez ao oito anos. Viu-o repetidamente nos últimos trinta e quatro anos. Dizem que é um interesse restrito! E foi assim que o poeta autista chamou a esse diálogo, O poema restrito. E quando esta semana leu a notícia no jornal Expresso , "o poeta contemporâneo não pode ser autista da sua própria sociedade", ficou a pensar. A primeira coisa que lhe veio à cabeça foi a pergunta, Como é que eu sei se esta é a minha Sociedade? E escreveu um poema sobre isso também! Depois pensou em escrever um poema para o jornal Expresso. Ainda não sabe como irá começar. Deve ser a sua intolerância à incerteza! Nunca sabe como o poema irá acabar!

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