No pain, no gain

No pain, no gain dizem alguns. Isso e o frio é psicológico. Ou como o povo costuma dizer - Elas não matam, mas moem. Eu que já não vou caminhando para novo sinto que um dia normal de trabalho já me vai sendo mais difícil, ao ponto de no final da semana sentir algumas dores no corpo. Nada de mais, mas certamente quer dizer que aquilo que são muitos dos nossos comportamentos no dia a dia, a forma como os realizamos, as condições em que os fazemos, conjuntamente com muitas das nossas características físicas e psicológicas, leva a que hajam resultados diversos, nomeadamente a sensação de dor. A questão é que isto da dor tem algumas questões subjectivas e que não sobressaem à observação. Além de poder ser mais complexo de medir, ainda que hoje já existam instrumentos desenvolvidos para o efeito. Mas é comum quando nos queixamos de alguma dor, podermos ouvir de alguém dizer que aquilo não é nada e que depois de descansarmos um pouco aquilo passa. Já para não falar quando as pessoas desvalorizam completamento o nosso sofrimento e dizem coisas como - Não sejas tão queixinhas! ou És adulto, tens mais do que aguentar! Recordo em 2011 uma campanha no âmbito da saúde mental que dizia - A depressão dói, mas pode deixar de doer. E na altura ter ouvido muitas pessoas que ficaram perplexas em ouvir as inúmeras e excelentes explicações que foram dadas sobre o facto da pessoa com depressão ter associado queixas de dor física. Algo que se julgava acontecer apenas porque a pessoa estava deprimida e que aquilo era apenas da imaginação da pessoa. E se pensarmos fora do âmbito da saúde mental e nos lembrarmos de quantas vezes ouvimos uma rapariga ou mulher queixar-se com dores devido ao período menstrual e logo de seguida ouvirmos uma frase - Isso é conversa! Ela não quer é fazer a aula de Educação Física! No Espectro do Autismo também é comum haver todo um conjunto de situações em que as pessoas se queixam da sensação de dor. E as raparigas e as mulheres são aquelas que mais parecem sofrer com estas situações. Ao ponto de levar a que mais frequentemente sintam que não estão em condições de ir à escola ou ao trabalho. E isto acontece com maior frequência e intensidade comparativamente aos rapazes e homens autistas. E ainda mais quando comparado com as raparigas e mulheres não autistas. Ou seja, se por um lado pode haver situação de hiposensibilidade ou até mesmo situações limiares de ausência de sensibilidade no Espectro do Autismo. O certo é que também há muitas situação de hipersensibilidade e que levam a um aumento das situações de ansiedade e por conseguinte de maior desregulação comportamental e emocional. Aquilo a que muitas pessoas designam de meltdowns. E que leva a um grade dispêndio de energia e causador de grande cansaço e dor física e desgaste psicológico. A maior sensibilidade sensorial no processamento dos estímulos, sejam eles de que natureza for, e o próprio aumento da ansiedade, leva também a que haja um agravamento das situações gastrointestinais. Será fundamental podermos escutar as pessoas e ainda mais naquilo que são as suas queixas e dar-lhes a importância devida mesmo que não as consigamos ver.


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