top of page

Nem todos somos robots

Nos últimos dias temos assistido em Portugal a um surgimento de noticias de empresas de Tecnologias de Informação com intenção de contratar pessoas autistas. Primeira reacção - Fantástico. Finalmente chegou a Portugal um mudança de paradigma em relação ao recrutamento inclusivo e à neurodiversidade nas Organizações. E atendendo a que cerca de 75% das pessoas autistas adultas não têm trabalho e 25% tem um trabalho que não é adequadamente remunerado. Isto são grandes noticias sem dúvida. Segunda reacção - Por que é que a maioria destas iniciativas surge da parte das Tecnológicas? Não que não existam outros exemplos, porque os há. Mas a grande maioria dos exemplos e pensando nas grandes empresas a nível internacional, Microsoft, HP, Google, etc., são empresas que desenvolvem software ou serviços na área das tecnologias de informação. Terceira reacção - Espero que estas iniciativas não acentuem a crença de que todas as pessoas autistas são techies ou programadores. A própria teoria do cérebro masculino associado ao autismo e de que uma percentagem significativa das pessoas autistas têm um processamento sistematizado. E que como tal estão mais orientados para as tecnologias de informação, parece constituir um perigo e até certo ponto um retrocesso. Seja porque as pessoas autistas gostam de fazer todo um conjunto bastante variado de coisas a nível profissional. Além disso, cerca de 2/3 das pessoas autistas apresentam associado um défice cognitivo e como tal estaremos a criar uma barreira a todo um conjunto de pessoas autistas. E se pensarmos que no espectro do autismo temos uma percentagem significativa de mulheres autistas, isso deve levar-nos a pensar que há uma maior variabilidade em termos de preferências de área de trabalho para lá das tecnologias de informação. Volto a sublinhar - é fundamental estas iniciativas e ainda por cima desenvolvidas pela Specialisterne. Mas é importante que a reflexão sobre a mudança de paradigma a realizar possa ser mais profunda. É urgente introduzir um recrutamento inclusivo e que respeita a diversidade das pessoas no acesso ao mercado de trabalho. E deixar de criar guetos para a integração sócio profissional das pessoas portadoras de deficiência. As pessoas, independentemente da sua condição, são cidadãos de direitos iguais e como tal devem ter as oportunidades de concorrer em circunstâncias de igualdade ao mercado de trabalho. Assim como às áreas profissionais que são das suas preferências e para as quais fizeram a sua formação.


34 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Comments


bottom of page