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May day, Mayday: Dia do trabalhador...autista

4 de maio de 1886, viveu-se em Chigaco o Haymarket Affair, um violento confronto entre a policia e os trabalhadores que protestavam por melhores condições laborais. Ao longo destes anos continuamos a celebrar no primeiro de Maio o, Dia do Trabalhador.


Hoje, dia 1 de Maio de 2025, trabalhadores e trabalhadoras de todo o Mundo celebram este dia e aquilo que ele representa ao nível da luta pelos direitos de todos no acesso ao trabalho em condições condignas.


Em todo este tempo são várias e diferentes as lutas e reenvindicações que os trabalhadores e trabalhadoras de todo o Mundo procuram travar. E não obstante se verificarem, hoje mais do que antes, melhores condições no acesso ao trabalho e nas condições de trabalho. Continuamos a verificar inúmeras discrepâncias em vários grupos da população sejam eles minoritários ou não, como é no caso das diferenças verificadas entre homens e mulheres, com maior prejuizo para estas últimas.


E como tal, continua a ser fundamental, hoje como antes, assinalar e celebrar este dia, mas continuar a lutar todos os dias pelos direitos de todos nós. Recordando sempre que apesar de muitos de nós terem os seus direitos preservados, isso não nos deve demover de lutarmos e exigirmos os direitos de todos os demais repostos.


Nos últimos anos tenho escrito um texto alusivo ao Dia do Trabalhador, para falar especificamente das condições em que as pessoas autistas enfrentam o contexto de trabalho e o acesso a este. Nestes últimos anos a fotografia usada tem sido este mesmo graffiti do Banksy - Workers of the world unite!, sendo que eu altero propositadamente a palavra Workers para Autistic.


Os números que representam a realidade das pessoas autistas é sobejamente conhecido em relação a diversas váriávéis, nomeadamente em relação à integração no mercado de trabalho. Os números são assustadoramente reais para que qualquer um de nós continue a virar costas às nossas responsabilidades. Cerca de 70% a 80% das pessoas autistas adultas não está a trabalhar. Porquê? Porque, não obstante um cada vez maior número de pessoas autistas adultas apresentar mais e melhores competências para enfrentar o mercado de trabalho. Este, representado maioiritariamente por pessoas não autistas e com responsabilidades na contratação das pessoas para as empresas está a criar barreiras que aumentam significativamente os desafios. Mas também qualquer um de nós, pessoas não autistas, ainda que não tenhamos responsabilidades na contratação das pessoas nas empresas, podemos e devemos exigir um recrutamento inclusive e que respeite a diversidade humana. Até porque qualquer um de nós faz parte da diversidade humana e estamos a falar de direitos humanos!


As pessoas autistas estão cada vez mais a procurar continuar o seu projecto de vida em termos da formação necessária para melhor enfrentar o mercado de trabalho. Seja ao nível da formação profissional nas mais variadas áreas, mas também ao nível do ensino superior. Não só ao nível da formação, mas também em termos de acompanhamento psicológico que lhes permite ganhar competências e ferramentas de interacção e comunicação social para conseguirem melhor lidar com os desafios próprios destes contextos. Contudo, é preciso sublinhar que as pessoas autistas, seja do ponto de vista profissional, mas também ao nível da interacção e comunicação social, não deve ser olhadas como pessoas que precisam de ser formatadas para corresponder a um padrão neurotipico.


Ou seja, é preciso parar esta ideia de que as pessoas autistas querem todas trabalhar na áreas das Tecnologias (e.g., programação, informática, engenharia, etc.). As pessoas autistas podem e têm vários outros interesses na vida e que podem e devem ser igualmente explorados. Para além disso parece importante podermos pensar que as pessoas autistas, como qualquer outras pessoas têm interesses, nomeadamente interesses restritos, que podem e devem ser aproveitados como potenciais áreas futuras de trabalho. Não quer com isto dizer que se a pessoa autista sempre teve um interesse restrito em dinossauros tem de vir a fazer a sua formação em Paleontologia. Até porque pode vir a querer ser um guia turístico num museu de história natural. Ainda que seja habitual ouvirmos as pessoas autistas dizerem que não sabem muito bem o que querem vir a estudar a nível do ensino superior e até mesmo profissional, isso não nos deve deter de em conjunto com a pessoa poder fazer uma orientação vocacional adequada ao perfil da pessoa. E poder orienta-la ao longo do processo. Ainda que este caminho de formação, hoje mais do que antes, está mais dinâmico e possível de ir sendo feito diferente ao longo do caminho.


As pessoas autistas, tal como qualquer outra pessoa, tenham ou não uma condição do neurodesenvolvimento, ou uma perturbação psiquiátrica. Todas as pessoas têm o direito de acesso ao mercado de trabalho e a fâze-lo em condições condignas de seguraça e bem estar. Não é o facto de a pessoa ter esta ou aquela condição que lhe deve ser vedado o acesso ao mercado de trabalho ou a qualquer outro aspecto da vida. E a ideia de que a pessoa com esta ou aquela condição tem primeiro de se tratar e curar para que depois disso possa estar suficientemente formatada para entrar no mercado de trabalho. É não só vergonhoso, mas um igual atentado aos direitos humanos. Os locais de trabalho, as Organizações precisam de ser ajudadas a ter conhecimento destas e de outras condições e ajudadas a como melhor adaptar as condições necessárias para que as pessoas autistas e com outras condições possam ter as condições adequadas.


Tal como em 1886, é preciso que as pessoas autistas se possam continuar a unir e a criar pressão junto dos decisores politicos e outros responsaveis das Organizções para que possam ser construidas estas alterações. As pessoas autistas precisam de estar e sentir-se empoderadas e com agência para que elas próprias possam exigir junto dos responsaveis os seus direitos. E para isso, todos nós, pessoas não autistas precisamos de nos unir a este manifesto!


 
 
 

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