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I'll be back

As mentes mais inquietas podem ficar descansadas porque não irá haver nenhum anuncio de um novo Exterminador. John Connor conseguiu fazer aquilo que sua mãe tanto desejou, terminar com a SkyNet. Ainda que muitos digam que no fim ficou uma ponta solta para o caso de alguém querer dar continuidade. Recordo que em 1984 quando vi o primeiro Exterminador pensei que haveria de faltar muito para algumas daquelas coisas virem a acontecer. No entanto, há alguns anos atrás quando se começou a falar do Algoritmo e vi um vídeo da Boston Dynamics, fiquei com uma ligeira impressão de estar a ter um deja vu. As máquinas fazem parte da nossa vida. Há algum tempo que vivemos na era da Internet das coisas. E com a situação pandémica, a telesaúde teve uma ascensão incalculável de propostas para fornecer uma resposta a muitas das necessidades da Sociedade. Ainda assim, muitas delas requerem uma reflexão. Como por exemplo aquela que vos vou falar a seguir.


No dia de hoje, a Food and Drug Administration dos EUA autorizou a comercialização de um dispositivo para ajudar a diagnosticar a Perturbação do Espectro do Autismo (PEA). O Cognoa ASD Diagnosis Aid é um software baseado em learning machine destinado a ajudar os profissionais de saúde a diagnosticar a PEA em crianças de 18 meses a 5 anos de idade que apresentam sintomas potenciais doa condição.


O Cognoa ASD Diagnosis Aid é um software como dispositivo médico que usa um algoritmo de learning machine para receber informações de pais ou cuidadores, analistas de vídeo e prestadores de cuidados de saúde para ajudar os médicos a avaliar um paciente em risco de PEA. O dispositivo consiste em três componentes principais: um aplicativo móvel para cuidadores e pais para responder a perguntas sobre problemas de comportamento e fazer upload de vídeos dos seus filhos; um portal de análise de vídeo que permite que especialistas certificados e treinados pelo fabricante vejam e analisem vídeos enviados de pacientes; e um portal de provedor de saúde que se destina a um provedor de saúde para inserir respostas a perguntas pré-carregadas sobre problemas de comportamento, rastrear as informações fornecidas pelos pais ou cuidadores e rever um relatório dos resultados. Depois de processar as informações fornecidas pelos pais, cuidadores e profissionais de saúde, o ASD Diagnosis Aid reporta um diagnóstico positivo ou negativo se houver informações suficientes para o seu algoritmo fazer um diagnóstico. Se não houver informações suficientes para processar um resultado "Positivo para PEA" ou "Negativo para PEA" para ajudar a determinar um diagnóstico, o Auxiliar de Diagnóstico PEA relatará que nenhum resultado pode ser gerado.


Independentemente do estudo que foi realizado para poder testar a validade do software, e os resultados apresentados serem bastante promissores. Não deixo de pensar que um diagnóstico clinico como o de autismo, estar a ser feito por um software parece ser demasiado perverso. É verdade que continua a haver muitas pessoas que não são diagnosticadas. Seja pela falta de profissionais, mas também pela falta de formação dos profissionais de saúde em diagnosticar muitas situações clinicas de autismo. Ao mesmo tempo que não deixo de pensar na frase tão repetida do meu chefe Dr. Nuno Lobo Antunes ao dizer - "É preciso um cérebro para compreender outro cérebro!". O que me faz perguntar - qual será a dificuldade em formar mais e melhor os profissionais de saúde para desenvolverem um melhor trabalho na área do diagnóstico do autismo? A minha colega Dra. Carla Almeida no seu doutoramento desenvolveu um trabalho conjunto com a Professora Diana Robbins para o instrumento M-CHAT. E ao longo destes anos de insistência sua e de muitos outros de nós para que os Pediatras possam usar uns instrumento de rastreio para o autismo nas suas consultas. Vêm um software e como em muitas situações, muitos de nós abrirão os braços louvando a sua vinda!


Ao longo destes últimos 5 anos têm sido muitas as aplicações (apps) a serem desenvolvidas na área da saúde mental para o diagnóstico e até mesmo para a intervenção. Muitas delas têm sido travadas pela não aprovação de organismos como o Food and Drug Administration nos EUA. Este precedente abrirá sem dúvida a porta para um caminho que se vem a mostrar cada vez mais presente.


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