Eu não sou médico, mas a minha irmã tem decididamente autismo

Muitos de nós tem uma, talvez duas profissões. Mas isso não quer dizer que não possamos saber uma coisa ou duas de determinados assuntos. E isso não tem de fazer de nós especialistas. Longe disso! Mas pode fazer de nós pessoas atentas, sensíveis e preocupadas com o bem estar daquelas mais importantes para nós. No espectro do autismo há muito destas situações, em que pais, irmãos ou outros familiares percebem, da sua maneira especifica, que há alguma coisa que não está "bem". E esse algo tem um nome.

Os pais acompanham o percurso dos filhos desde sempre. Até mesmo antes deles nascerem já têm projectos pensados para eles, sonhos ou expectativas. Os pais, mesmo aqueles que à partida parecem mais distantes nas relações, são muito bons informadores acerca do comportamento dos filhos. Aqueles que têm mais do que um filho têm inclusive a capacidade de poder ter um elemento extra que é a possibilidade de conseguirem comparar a aquisição de determinadas etapas do desenvolvimento entre os irmãos. Ou então aqueles que são mais atentos em relação aos filhos dos seus amigos ou colegas. OU simplesmente aqueles que são mais interessados na literatura relacionada com o desenvolvimento infantil. Todos eles são bons informadores em relação ao comportamento dos filhos.


Mas os irmãos não ficam atrás. Sejam mais velhos mas também os mais novos têm a possibilidade de viver um conjunto de experiências com os seus irmãos que os próprios pais não têm acesso. Seja nas brincadeiras, desde aquelas mais simples entre os dois até às mais complexas ou até mesmo aquelas em que entram outros amigos de ambos os irmãos. Mas também aquelas situações em que o irmão/irmã chega mais tarde a casa depois de uma saída à noite com um grupo de amigos e entra no quarto em casa a chorar. É o irmão que está lá para poder ouvir o que se passou e o que a irmã sentiu em toda a situação. Mas também nas situações familiares em que os próprios pais estão envolvidos, os próprios irmãos acabam por ter algum distanciamento em relação à situação que envolve os pais e a sua irmã e como tal consegue ter uma visão em perspectiva sobre o que está a acontecer e qual a posição da sua irmã face ao sucedido. E por último, a própria relação entre os irmãos ao longo do tempo vai permitindo perceber determinados padrões comportamentais que se repetem.

Os irmãos conseguem perceber a forma como a sua irmã fica furiosa se alguém a desafia; ou como ela é incapaz de perdoar pequenas negligências e não percebe as intenções de outras pessoas correctamente. São muitos os irmãos a acharem que a sua irmã beneficiaria de entender melhor a sua condição, não obstante a sua irmã continuar a ignorar a sugestão de que poderá estar no espectro do autismo. E enquanto isso vai continuando a acontecer, os irmãos vão verificando que a sua irmã se está a alienar da família com o seu comportamento. Por vezes parece haver uma vontade imensa de gritar - Tu és do espectro do autismo! Assume-te!


Apesar dos múltiplos diagnósticos que a irmã possa ter, alguns irmãos têm a noção de que a tristeza que a irmã apresenta não é apenas depressão. Ou que a ansiedade sentida em situações aparentemente desnecessárias face a outras mais expectáveis não é uma ansiedade. E que algumas das coisas que faz repetidamente ainda que de uma forma cada vez mais disfarçada não é uma mania ou um jeito de ser mais arrumada. É fundamental poder escutar a pessoa que se desconfia poder estar no espectro do autismo. Mas nestes casos

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