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Die religion ... sie ist das opium des volkes

Die religion ... sie ist das opium des volkes. Não compreendeu? É compreensível. Há muita coisa na vida difícil de compreender. Seja a língua Alemã como é este o caso. Mas também outras, como o consumo de substâncias no Espectro do Autismo. Isso mesmo, consumo de substâncias no Espectro do Autismo, leu bem. Mas as pessoas autistas não são aquelas que odeiam os cheiros, nomeadamente do fumo?, perguntam alguns. As pessoas autistas não são aquelas que dizem odiar o comportamento das pessoas alcoolizadas?, perguntarão outros. Certamente haverá pessoas autistas que detestam o cheiro do fumo e não conseguem estar perto de alguém a fumar, seja que substância for. Ou então estar numa festa em que uma percentagem das pessoas está a ingerir bebidas alcoólicas com o objectivo de se embebedarem. Mas também há todo um conjunto de outras pessoas autistas em que o consumo de substâncias, sejam psicoactivas ou álcool se tornam uma realidade.


A cannabis tornou-se o meu melhor background para eu me esconder, diz Cristina (nome fictício) com 67 anos. Tenho vivido desde sempre aqui. Casei-me em 1971, e o nascimento dos filhos e o trabalho como professora, rapidamente terminaram com a minha vida boémia, continua. Depois nos anos 90 voltei à cannabis, e a sensação de calma voltou a diluir os meus pensamentos suicidas. A minha depressão foi crescendo e no passado fiz sérias tentativas de suicídio, refere. Arrependo-me muito do sofrimento causado nos meus filhos, diz. Durante muito tempo fumei. E ajudava-me a sentir calma. Funcionava para me manter a andar, para me manter viva, diz. Desde 1978 que tenho feito tratamento psiquiátrico e outras tantas terapias psicológicas. Mas nunca senti que nada daquilo que ajudasse tanto quanto a cannabis, acrescenta. E só em 2015 é que fiz uma avaliação para perceber o que se passava comigo. E o diagnóstico de autismo é que me tem ajudado a encaixar e a entender a maior parte de da minha vida e dificuldades, conclui.


Muitas pessoas usam determinadas substâncias psicoativas e/ou álcool enquanto estratégia de coping para lidar com determinadas adversidades na sua vida. As pessoas autistas também não são assim tão diferentes. E também usam substâncias psicoactivas e álcool para gerir dificuldades relacionadas com o autismo (e.g., na comunicação social) e situações de saúde mental e física que coocorrem (e.g., ansiedade, depressão, dificuldades de sono, etc.).


As pessoas autistas parecem ser mais propensas que as pessoas não autistas a reportar o uso de substâncias para gerir o comportamento e lidar com dificuldades de saúde mental. Apesar das pessoas autistas serem menos prováveis de usar substâncias quando comparadas com pessoas não autistas, mas quando o fazem parecem apresentar características diferentes e desadaptativas.


Na verdade, usar substâncias desta maneira pode ter inúmeras consequências negativas para as pessoas autistas. E qualquer efeito positivo ou alívio temporário associada ao uso de substâncias para gerir algum comportamento presente (e.g., reduzir a sobrecarga sensorial) não pode ser sustentado ao longo do tempo. Além de que a auto-medicação para as dificuldades de saúde mental é igualmente suscetível de exacerbar estes mesmos problemas a longo prazo.


Por exemplo, muito se tem falado nos últimos tempos sobre camuflagem social no autismo. E na verdade, há algumas pessoas autistas que têm usado o consumo de substâncias para conseguirem realizar estes mesmos comportamentos. Ou seja, para além da penalização sentida pelo próprio comportamento de camuflagem social. Nestes casos, há uma dupla penalização dada pelos efeitos do consumo de substâncias a médio e longo prazo. E se a investigação tem demonstrado que nas pessoas autistas adultas do sexo masculino o comportamento de utilização de substâncias psicoactivas é diminuto comparativamente às pessoas não autistas. Já no caso das pessoas autistas adultas do sexo feminino o mesmo já não se parece passar. E como tal é importante poder compreender como é que estes comportamentos de consumo de substâncias psicoactivas e álcool estão a ocorrer nas mulheres autistas.


Os mecanismos pelos quais as substâncias podem potencialmente alterar a apresentação da expressão comportamental da pessoa autista comparativamente às pessoas não autistas ainda não é totalmente conhecido. Mas é possível que as substâncias possam: reduzir a ansiedade de modo a que as pessoas tenham maiores recursos para usar estratégias de compensação social; fornecer uma pista social, ou seja, usar substâncias com outra pessoa fornece um tópico óbvio de conversa e experiência partilhada; chamar a atenção para longe do comportamento atípico de uma pessoa autista; ou na verdade não fazem diferença e até chegam a aumentar os comportamentos observados.


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