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Como se coloca um elefante dentro de um frigorífico em três tempos?

Conhece esta anedota? Como se coloca um elefante dentro de um frigorífico em três tempos? Normalmente a resposta mais frequentemente ouvida é: 1) Abre-se a porta; 2) Coloca-se o elefante; 3) Fecha-se a porta.


E já agora, veja lá se consegue responder a esta? Como é que uma pessoa autista se integra socialmente em três tempos? Não sabe? É mais difícil de responder? Basta tentar adaptar-se às regras da Sociedade, dirão alguns!


Alguns de vocês, principalmente pessoas autistas, têm a noção do comportamento de camuflagem social, e das potencialidades e alcance que este poderá ter. Mas também dos custos e das dificuldades do ponto de vista emocional que vai causando. E até a própria literatura cientifica tem demonstrado que as pessoas autistas que mais frequente e habilmente usam o comportamento de camuflagem social, são aqueles que têm precisamente mais sintomas de mal estar psicológico, nomeadamente Ansiedade e Depressão.


Mas porque é que as pessoas autistas haverão de querer ser aquilo que não são? E porque haverão de querer ser algo que representa em boa verdade o oposto daquilo que elas são? E será que o perfil neurotipico é o único existente e bem sucedido na Sociedade de uma maneira geral? Ou será que as pessoas autistas, sejam jovens, mas também adultos, procuram a camuflagem social e o perfil do neurotipico porque não estão suficientemente conscientes do seu próprio perfil e identidade? E no caso dos jovens autistas, estaremos a falar da camuflagem social como um aspecto normativo da própria adolescência e da descoberta de si próprio?


É sabido que muitos jovens e adultos apenas descobrem que são autistas mais tarde no seu percurso de vida. E como tal, durante uma boa parte da sua vida sentem que são eles que estão errados ou que não sabem fazer as coisas. E como tal, são precisamente eles que necessitam de fazer as coisas diferentes e de se adaptarem aos outros. Mas por várias razões acabam por distorcer muito daquilo que é a sua própria identidade e chegam ao ponto de não saberem quem eles próprios são ou querem ser. Facto que é extremamente causador de desorganização e mal estar e sofrimento psicológico.


Além do diagnóstico precoce e das múltiplas intervenções médicas, psicológicas e outras necessárias. É fundamental ajudar a pessoa autista desde criança a compreender a sua pessoa, a aceitar-se, representar-se e celebrar-se. Apenas assim a pessoa autista não sentirá necessidade de ser outra pessoa que não ela própria.


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