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Como navegar no Ensino Superior?

Somos um povo de navegadores destemidos. E a entrada no Ensino Superior é considerado por muitos como a epopeia da sua vida por excelência. Essa história narra as perigosas viagens marítimas e a descoberta de novas terras, povos e culturas, exaltando o heroísmo dos candidatos, mas também o seu sofrimento, enfrentando mares desconhecidos em busca dos seus objectivos.


Tal como nos Lusíadas, a epopeia é inspirada por obras como a Eneida de Virgílio e a Odisseia de Homero. Também aqui na entrada no Ensino Superior dos candidatos com um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo, também parece haver influências que condicionam vários dos acontecimentos da sua vida e que são atemporais.


Tal como na Eneida e na Odisseia, também aqui os candidatos com diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo são supervisionados pelos deuses do Olimpo, entenda-se a Academia, e que decidem o destino dos navegantes após a realização de um concílio.


Como em tudo numa epopeia, esta começa sempre antes mesmo de se começar a viagem em si. Um aspecto fundamental a ser pensado e verificado em conjunto com o candidato com esta condição é se a escolha do curso é uma paixão sua. Nesta viagem vão existir adversidades em número suficiente que necessita desta paixão para ultrapassar os obstáculos e desafios. Isto é assim para qualquer candidato, seja uma pessoa não autista ou autista.


Além disso é importante que de forma preparatória possa ir pensando durante o Ensino Secundário sobre a Universidade a escolher, não somente por causa do curso, mas também para saber se a Instituição em si é Autism Friendly. Em Portugal não temos muito esse hábito, mas é fundamental que o possamos adoptar de outras Instituições de Ensino Superior internacionais. As pessoas necessitam de saber para onde estão a concorrer, seja ao nível da sua qualidade de ensino, mas também de humanismo. E não, não devíamos partir do principio que todas as Instituições de Ensino Superior são iguais e imaculadas nestes aspectos. O facto de haver cada vez mais pessoas autistas e com outras condições a fazer isso irá necessariamente obrigar as Instituições do Ensino Superior a reflectir a sua missão, mas também a sua praxis.


Dentro da Universidade é fundamental que a pessoa possa saber onde fica o gabinete de apoio ao aluno. E de preferência poder visitar este serviço, anda quando está no Ensino Secundário para poder colocar todo um conjunto de questões acerca do processo de integração na Educação Inclusiva na Universidade. Isso mesmo, tal como o Decreto-Lei 54/2018 é usado na escolaridade obrigatória, também é transposto para o espaço do Ensino Superior. E os candidatos precisam de saber disso antes de sofrerem por antecipação e desconhecimento face a esta informação e poderem inclusive ser condicionados na escolha de não irem para a Universidade por pensarem que não irão ter apoio.

Este serviço dos gabinetes de apoio ao aluno são fundamentais, até porque muitos deles já têm muitos e bons programas de apoio à integração dos alunos com variadas condições. E o trabalho conjunto com o candidato com Perturbação do Espectro do Autismo irá ajudar neste momento tão fulcral e desafiante da sua vida. E o facto deste trabalho poder ser feito antecipadamente ajuda a pessoa, mas também os seus pais a fazer todo um conjunto de preparações.

Além disso, é fundamental poder ajudar a pessoa autista na faculdade a fazer valer os seus direitos, além das suas obrigações. Continuamos a ouvir em número suficiente de alunos a estudar no Ensino Superior de situações em que este ou aquele docente não implementa as medidas e acomodações necessárias. Já para não falar de momentos humilhantes de confrontação em público.


Tal como os Portugueses encontraram em Vénus uma preciosa aliada, também aqui no Ensino Superior, os alunos com um diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo irão necessitar de continuar a realizar um acompanhamento psicológico e também médico quando necessário. É fundamental, até pela quantidade de situações causadoras de ansiedade e não só, que a pessoa autista possa beneficiar de acompanhamento psicológico, bem como de alguns programas de tutoria e mentoria, estes últimos providenciados por algumas das Instituições do Ensino Superior.


Quem vai para o mar, havia-se em terra!!


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