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Como desenhar casas para pessoas autistas?

O meu professor de filosofia um dia pediu à turma para desenharem uma casa! disse Rogério (nome fictício). Reparei que alguns dos meus colegas esfregaram as mãos de contente, continua. O outros pareciam não saber muito bem como resolver a situação, mas não pareciam preocupados, continuou. Mas eu não fazia a mínima ideia de como desenhar casas para pessoas autistas! concluiu. Sei que de cada vez que o ventilador da casa de banho se avariava era uma grande dificuldade para mim, refere. E a direcção em que as janelas estavam construídas não me ajudava com a luminosidade, acrescenta. E o facto das outras casas serem construídas com a parede encostada à outra casa também me fazia confusão por causa do barulho que as outras pessoas faziam à noite, diz. Ou as portas não terem uma mola que me ajudasse a não deixar sempre as portas abertas, refere. Mas eu não sabia como desenhar casas para pessoas autistas, continuava. O meu problema na verdade não era no desenho, diz. Até porque eu sempre fui uma pessoa muito capaz nessa área, acrescenta. A minha dificuldade era pensar em como haveria de viver numa casa para mim, conclui. Sim, como é que havia de fazer as minhas coisas sozinho? perguntava-se. Até porque naquela altura não sabia se haveria de querer viver sozinho ou com alguém. Nunca tinha pensado nisso e o professor de filosofia também não tinha dado nenhuma orientação nesse sentido, continua. Mas pior mesmo era o facto de sempre ter ouvido as pessoas a dizerem que eu nunca haveria de conseguir viver sozinho, refere. Assim como sempre ouvi dizer que não haveria de fazer um certo número de coisas, diz. Penso que as pessoas precisam de acreditar nas coisas para as conseguirem desenhar. Por isso é que eu consigo desenhar todos aqueles desenhos fantásticos. É porque acredito neles! conclui.


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