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Autismo amarelo

Segunda-feira, 11 de setembro de 2023. Ontem, domingo dia 10 foi o dia Mundial da Prevenção do Suicídio, celebrado no âmbito da campanha Setembro Amarelo. Todos os dias três pessoas põem termo à sua vida em Portugal.


Suicídio - morte causada por auto lesão com a intenção de morrer. Ocorre em diferentes culturas e categorias etárias. Cerca de 800.000 pessoas em todo o mundo morrem de suicídio todos os anos, constituindo 1,3% das mortes a nível mundial. As perturbações psiquiátricas são um factor de risco importante para o suicídio e a prevenção do suicídio é uma questão especialmente relevante em contextos psiquiátricos.


Nas pessoas autistas. as perturbações psiquiátricas são altamente prevalentes e as estimativas de prevalência do autismo em populações psiquiátricas publicadas nos últimos 10 anos variam entre 2,5 e 20%. O suicídio e o comportamento suicidário são mais comuns na população psiquiátrica do que na população geral. Os factores de risco comuns para o suicídio entre os doentes psiquiátricos são a história prévia de tentativas de suicídio, sentimentos de desespero, impulsividade e agressividade, experiências adversas na infância, psicopatologia grave e perturbações físicas/somáticas.


Um estudo recente relatou taxas elevadas de ideação suicida em jovens adultos autistas (18-25 anos de idade) que recorriam aos serviços de urgência em contexto hospitalar, em comparação com jovens adultos sem autismo, com base em dados de registo. Outro estudo recente, utilizando dados de fichas clínicas, relatou que pensamentos e comportamentos suicidas são comuns entre adultos autistas que se apresentam em serviços de urgência psiquiátricos, embora as questões relacionadas com o suicídio nem sempre tenham sido o motivo da apresentação.


Os factores de risco para o suicídio e comportamento suicidário nas pessoas autistas adultas parecem ser semelhantes aos factores de risco nos adultos sem autismo, embora alguns factores tenham sido sugeridos como especialmente importantes e/ou específicos dos adultos autistas. O autismo, por si só, tem sido proposto como um factor de risco para o comportamento suicida, mediado por sintomas depressivos, qualidade e frequência da interação social e habilitações literárias. A ruminação depressiva e a baixa autoestima, o isolamento social, a depressão e a alexitimia, o grau de doenças psiquiátricas concomitantes e o sexo feminino têm sido referidos como factores de risco para comportamentos suicidas em adultos autistas. As necessidades de apoio não satisfeitas, a camuflagem e a automutilação não-suicida foram relatadas como factores preditivos de resultados mais elevados em escalas de autoavaliação da suicidalidade em adultos autistas. A auto-mutilação não suicida foi relatada como preditora tanto da ocorrência de tentativas de suicídio como de tentativas de suicídio mais numerosas em adultos autistas, que, em comparação com adultos sem autismo, também foram sugeridos como relatando um medo reduzido da morte e mais ensaio mental de suicídio, que por sua vez foi um factor mediador para tentativas de suicídio ao longo da vida.


É fundamental falar das sus necessidades e dificuldades, partilhar com outros o seu sofrimento e pedir ajuda aos profissionais de saúde, assim como usar as linhas de apoio telefónico existentes e disponibilizadas para o efeito. Contudo, todos estes comportamentos, que já em si são difíceis na pessoa com ideação suicida e em grande sofrimento psicológico. Acresce ainda todo um conjunto maior de dificuldades diversas na pessoa autista e com ideação suicida.


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