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O Autismo n’Adulto responde: É possível ser autista e só descobrir na idade adulta?

há 7 dias
2 min de leitura

Sim. É possível. E acontece mais vezes do que poderíamos imaginar.


Esta é uma pergunta que já foi muitas vezes feita e respondida. Ainda assim, continua a fazer sentido colocá-la. Talvez porque, para muitas pessoas, a possibilidade de serem autistas só surge quando a vida adulta começa a tornar visíveis algumas dificuldades que, durante muitos anos, foram explicadas de outras formas.


Há adultos que chegam ao diagnóstico depois de décadas a pensar que eram apenas demasiado sensíveis, reservados, intensos, rígidos ou simplesmente “diferentes”. Outros aprenderam, desde muito cedo, a observar os outros, a imitar comportamentos sociais e a construir estratégias para responder àquilo que lhes era esperado. Conseguiram estudar, trabalhar, constituir família, ter amigos e cumprir muitas das expectativas sociais. Por fora, parecia que tudo funcionava. Por dentro, o esforço podia ser enorme.


É importante perceber que o autismo não começa na idade adulta. É uma condição do neurodesenvolvimento, pelo que as suas características têm origem no desenvolvimento da pessoa. O que pode acontecer é que o reconhecimento dessas características, e eventualmente o diagnóstico, aconteça apenas mais tarde.


E porquê?


Porque nem todas as pessoas autistas apresentam as mesmas características, nem estas se manifestam da mesma forma ao longo da vida. Além disso, algumas pessoas desenvolvem estratégias de adaptação, aquilo que frequentemente designamos por masking ou camuflagem, que podem tornar menos visíveis determinadas características autísticas.


Por vezes, é uma mudança de contexto que faz a diferença. A entrada na universidade, um novo emprego, a parentalidade, uma alteração numa relação, um período prolongado de stress ou simplesmente o acumular de exigências pode fazer com que estratégias que funcionaram durante anos deixem de ser suficientes.


É também frequente que o contacto com informação sobre autismo, através de outras pessoas autistas, de profissionais ou dos meios de comunicação, permita finalmente reconhecer experiências pessoais que anteriormente pareciam não ter explicação.


Mas reconhecer-se em algumas características do autismo não significa, por si só, ter autismo. Uma avaliação adequada procura compreender a história de desenvolvimento da pessoa, o seu funcionamento actual e a forma como diferentes características se articulam entre si. É essa compreensão global que permite distinguir o autismo de outras possibilidades.


Por isso, sim, é possível descobrir o autismo na idade adulta.


E talvez uma das questões mais importantes não seja apenas “Como é que só descobri agora?”, mas também: “O que posso compreender sobre mim a partir daqui?”


Porque um diagnóstico tardio não acrescenta uma nova pessoa à nossa história. Pode, isso sim, oferecer uma nova forma de compreender a pessoa que sempre fomos.


Tem uma pergunta sobre autismo no adulto?

O Autismo n’Adulto responde.

Envie a sua pergunta para pedrorodrigues@autismonoadulto.com



 
 
 

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