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Vidas nada invisíveis

Doenças invisíveis. É aquilo que tem sido chamado às perturbações mentais. Mas quem tem as perturbações mentais não são as pessoas? E como é que estas são invisíveis? Não são as pessoas, afinal. Então é o quê? Os sintomas? Os sintomas são invisíveis, é isso? Não há exames para detectar esses sintomas? E então? As pessoas podem falar, certo? E nós podemos ouvi-las, correcto? Mas não percebemos o que são esses sintomas? E depois? Também não percebemos tantos outros sintomas, mas há profissionais de saúde que os percebem muito bem. Nos Rx é mais fácil de compreender. Sim, e para quem? Eu não sou técnico de radiologia. É visível se a pessoa partiu a perna. Sim, é verdade. Mas a tristeza também é visível e audível. Assim como a angústia. E a ansiedade. Nunca ouviu ninguém a hiperventilar? Oiça e depois diga se não é visível. Mas é difícil lidar com alguns daqueles sintomas. Como assim? Não sabe o que fazer a uma pessoa deprimida? Oiça-a. Isso mesmo. Simplesmente, oiça-a. E se sentir que é confortável, abrace-a. Você não vai fazer terapia com a pessoa. Ainda que seja médico ou psicólogo. Ali está como amigo da pessoa. E se quiser e julgar pertinente recomende a procura de ajuda especializada. É isso mesmo. E procure estar disponível. A pessoa irá quer continuar a ter a sua companhia.


Ninguém é a sua condição, seja física ou mental.


No topo esquerdo da imagem está a Ana (nome fictício). Terminou o 12º ano em ciências socioeconómicas. Não prosseguiu para a Universidade. Não se sentia capaz. Sentia-se deprimida desde o 8º ano. Sofreu bullying desde o 5º ano. Nunca a conseguiram ajudar. Sofreu em silêncio. Ana faz uma aletria como ninguém. Não sabe o que é aletria? A Ana sabe. E os vizinhos do prédio onde mora ninguém tem problema com o IRS. A Ana trata disso. E fá-lo como ninguém.


No topo direito da imagem está o Humberto (nome fictício). Recomeçou a trabalhar ao fim de quase 18 meses. Está ansioso. Não parece, mas o Humberto sofre muito com a sua ansiedade. Devido a esta costuma fazer skin picking. Os últimos trabalhos em que esteve sentiu uma grande dificuldade. Não que Humberto não seja competente. Foi o melhor da sua turma de Gestão da Universidade. Mas o seu perfeccionismo causa-lhe muitas dificuldades. É treinador infantil de futebol. É a sua paixão, o futebol. Neste momento não está em nenhum clube, mas tem estado a ensinar os colegas da turma do seu filho e se prepararem para o campeonato.


Quer saber a histórias das outras pessoas presentes na imagem? Procure olhar à sua volta. Seja no seu local de trabalho ou família, no seu bairro, amigos ou conhecidos. O número de pessoas em sofrimento psicológico tem aumentado. A probabilidade de encontrar alguém é maior. E além disso, as pessoas à sua volta vão gostar de o ouvir e de serem ouvidas por si.



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