Universidade: Atrás da porta 327 está..?

Começamos a chegar à altura em que muitos jovens a partir dos 17 anos de idade e que se encontram no 12º ano de idade se estão a preparar para entrar no Ensino Superior. São várias as questões que começam a ser colocadas ou então que se voltam a repetir. Que curso queres fazer? Qual a Universidade que vais escolher? E a média do curso? O que queres fazer da tua vida e do teu futuro? Num momento em que os níveis de ansiedade começam a subir. Seja porque o candidato está a estudar para as avaliações normais do 12º que está a realizar. mas também porque se está a preparar para os exames em simultâneo ou isoladamente. O certo é que há um acumular de situações, dúvidas, angústias que levam a uma espiral de sentimentos e de uma sensação de desnorte e desorientação. Quando o momento em questão poderia estar a ser vivido de uma outra maneira. Agora imaginem que a tudo isto se adiciona o facto do candidato ser um jovem com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA).

São cada vez mais os jovens com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) que desejam entrar no Ensino Superior (ES). Alguns já com o diagnóstico e outros ainda não. Digo ainda porque deste grupo é frequente aqueles que quando entram no ES ao fim de algum tempo sintam um conjunto grande de dificuldades que os leva a recorrer a ajuda especializada e nessa altura seja feito o diagnóstico de PEA e/ou de outra perturbação psiquiátrica. Mas o certo é que são vários os jovens com esta condição que procuram aumentar a sua formação no ES e prosseguir uma carreira profissional desejada, idealizada ou então que cumpra o objectivo de ter um curso superior.


Apesar de serem cada vez mais as Escolas que realizam a avaliação da Orientação Vocacional no decorrer do 9º ano para ajudar os alunos a fazerem a escolha da área para a qual irão no Ensino Secundário. Penso ainda haver muito a fazer na continuidade da mesmas. Ou seja, se a referida avaliação serviu o propósito de um encaminhamento para uma área. Esta situação ainda é muito global e o aluno precisa de reflectir e ser orientado durante o decorrer do Ensino Secundário para uma escolha de um curso mais especifico. Sinto que o Ensino Secundário tal como está equacionado não permita ou promova totalmente esta reflexão e continuam a ser muitos os alunos que no final do 12º ano ainda não sabem que curso escolher.


Por esta altura são várias as preocupações dos jovens e respectivamente dos seus pais e educadores, mas também e cada vez mais dos responsáveis das universidades e dos respectivos docentes, de como poder melhorar a resposta do Ensino Superior em termos pedagógicos e para todos, independentemente da sua condição e/ou deficiência.


No caso das pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) as questão passam por uma ampla gama de situações. No caso daqueles que já se encontram diagnosticados com PEA uma pergunta comum é - na Universidade irei ter apoio tal como tive até então? A preocupação acresce pelo facto das pessoas e dos pais não terem conhecimento da informação acerca das possibilidade da continuidade de apoio no Ensino Superior. Havendo outros que já pesquisaram e como não encontraram nenhuma legislação ou então leram o Decreto-Lei 54/2018 que os tem vindo a enquadrar até então e verificam que não há continuidade para o Ensino Superior e como tal ficam ainda mais preocupados. Havendo mesmo quem decida que não quer continuar a sua formação nessas condições - "Se já foi tão difícil com todos estes apoios o que será sem apoio algum?", questionam alguns jovens e respectivos pais.


É fundamental que os jovens com PEA e com o apoio dos pais e dos respectivos terapeutas possam solicitar na Escola Secundária que frequentam ajuda e orientação neste sentido. Isto porque há disponível informação acerca dos apoios e das Universidades que têm tido um conjunto de boas práticas para a inclusão no Ensino Superior e mais especificamente para as pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA).


Ainda assim, penso ser importante poder referir algumas das possibilidades existentes.


  • Uma primeira é de que há cada vez mais Instituições do Ensino Superior que têm aplicado através de regulamento interno um conjunto de regras que contemplam o apoio aos estudantes com deficiência. Ou seja, as Instituições fizeram uma transposição da legislação já existente, antigo Decreto-Lei 3/2008 e actual Decreto-Lei 54/2018 para a realidade do Ensino Superior e da sua Instituição em particular para dar respostas a estes alunos. Para tal, há nestas Instituições os gabinetes de apoio ao aluno/estudante (ou outra designação) que serve o propósito de prestar o apoio e acompanhamento destas e de outras situações que dizem respeito às necessidades dos alunos (ver aqui - http://www.gtaedes.pt/dsa/) (e aqui - https://www.dges.gov.pt/pt/pagina/gabinetes-de-apoio-pessoa-com-deficiencia-no-ensino-superior?plid=1752);

  • No momento da candidatura ao Ensino Superior é importante referir que existe um contingente especial para os alunos com deficiência e que as pessoas com diagnóstico de Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) podem concorrer. Para tal deverão ler a informação respeitante ao processo (ver aqui - https://www.dges.gov.pt/pt/pagina/contingentes ). Será necessário uma declaração médica e do psicólogo a atestar a situação clínica do candidato e a informação da escola onde frequentou o Ensino Secundário para solicitar uma declaração de como beneficiou de apoio educativo e outras medidas ao abrigo do Decreto-Lei 3/2008 e depois do Decreto-Lei 54/2018, para poder instruir o processo de candidatura ao Ensino Superior. Lembro que o contingente especial neste momento existe na 1ª e 2ª fase de candidatura ao Ensino Superior;


Mas as questões não acabam aqui. Se o aluno candidato entrar no Ensino Superior, o que acontece cada vez com maior frequência, há todo um conjunto de necessidades que continuam a existir e da respectiva intervenção. Ou seja, o aluno no ES que se encontre integrado no âmbito da legislação existente na Instituição Universitária que frequenta precisa de continuar a ser orientado (ver aqui - https://www.autismonoadulto.com/autismo-universidade)


As Universidade continuam a ter serviços de apoio que ainda estão a dar os seus primeiros passos para as pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo. E nem todos os docentes universitários estão capacitados para trabalhar com alunos com esta condição. Além disso há situações de docentes que continuam a não aplicar as medidas que estão contempladas para o aluno. Algo que inclusive já ocorria no passo no ensino obrigatório.


Contudo, há um conjunto de Instituições do Ensino Superior que já têm projectos de mentoria e tutoria, realizado em parceria com alguns docentes responsáveis e por os próprios alunos da Instituição que se encontram em anos mais avançados e que são vistos como facilitadores/mediadores no processo de responder as várias situações. Instituições como o Instituto Superior Técnico, Universidade Nova, Instituto Politécnico de Leira, Universidade de Aveiro, Universidade do Porto, Universidade de Lisboa, ISCTE-IUL, entre outras, públicas e privadas, já têm alguns programas a funcionarem no sentido de forneceram apoio e de resposta nesta e em outras situações. Será importante que possa haver um trabalho realizado em colaboração pelo terapeuta que acompanha o aluno, nomeadamente a nível psicológico e a Instituição do Ensino Superior onde esta se encontra com o objectivo de articular mais facilmente o trabalho realizado.

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