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Uma mão lava a outra e as duas lavam o rosto

Se há coisa que os pais fazem é ajudar os filhos. Procuram começar a fazê-lo antes mesmo do nascimento. E alguns sentem que precisam de o ir fazendo ao longo da vida. Até mesmo na vida adulta. É uma realidade para muitos fora mas também dentro do Espectro do Autismo.

Até aos 18 anos de idade, crianças e jovens, com um desenvolvimento típico ou com alguma perturbação que lhes confira alguma necessidade especifica parecem estar melhor protegidas por determinado enquadramento legal. No caso das pessoas com Perturbação do Espectro do Autismo (PEA) é comum falar-se acerca de uma quebra repentina das respostas existentes na comunidade (e.g., escolar, social, familiar, saúde, etc.) para os adultos com este diagnóstico.


Desde a entrada no Ensino Superior que continua a apresentar uma resposta diminuta face às necessidades apresentadas por estes alunos. Passando pelo mercado de trabalho que parece ainda mais desconhecer a realidade destes adultos e saber avaliar e reconhecer as suas competências. Mas também a compreensão de que os autistas adultos procuram relações amorosas ou até mesmo constituir família.


Os pais de jovens com PEA começam a sentir que a ajuda a dar aos seus filhos se vai continuar a estender para dentro da vida adulta. E devido à quebra de respostas na comunidade para os seus filhos sentem um menor apoio e da sua parte uma maior necessidade de intervenção.


Contudo as necessidades do seus filhos adultos não estão mais próximas das necessidades de apoio e compreensão de quando eram crianças ou jovens. As próprias questões da puberdade, sexualidade, e das relações amorosas e sociais mais complexas traz um conjunto de desafios maior. As próprias relações amorosas e sociais dos pais são sentidas em alguns momentos como desafios. Como é que as relações dos seus filhos adultos autistas não o haveria de ser igualmente?


As necessidades que ocorrem em contexto real de trabalho já não são propriamente iguais ao estágio que o seu filho realizou no secundário num qualquer curso profissional. Também aqui se verifica uma maior complexidade. Seja no próprio contexto ou naquilo que o mundo do trabalho requer de uma pessoa adulta, seja autista ou não, mas também naquilo que o próprio filho deseja para si próprio.


Como técnico que acompanha pessoas adultas com PEA penso naquilo que são os pedidos dos meus clientes adultos autistas e nas necessidades decorrentes. A preocupação já não é apenas se é aceite ou não no grupo. Ou de como se faz uma amizade. O pensamento evoluiu para a qualidade das algumas relações que têm. Ou até mesmo da necessidade de saírem de determinadas relações porque sentem que lhe podem estar a prejudicar. Os desafios da maternidade e da paternidade, tal como acontece a qualquer adulto normativo também ocorre nos adultos autistas. Pelo menos naqueles que desejam ser pais. Ou como vão conseguir pagar a renda se sentem que não conseguem aguentar um emprego estável.


É preciso que alguns temas que parecem tabu quando se os pensa em abordar relacionado com o autismo precisam de ser trazidos à discussão entre todos. Precisamos de ter disponibilidade para aceitar que os adultos autistas possam ter um conjunto de necessidades iguais àquelas que eu tenho. É importante ter disponibilidade para as ouvir e saber abordar na relação terapêutica. É fundamental ajudar os pais a quebrar algumas das suas barreiras em falar sobre alguns destes temas para que eles próprios possam continuar também o seu papel ao longo do ciclo de vida.

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